domingo, 31 de maio de 2009

(sem) boías de salvamento.

A partir do momento em que vivemos, tornamos-nos náufragos. Somos atirados para alto mar, a meio de uma tempestade, sem auxilio de salvamento. Se morrermos, morremos. É a pura lei da sobrevivência. Por vezes mar calmo, outras agreste e revolto.
Há ondas bem matreiras no meu mar e dos meus. Anda por aí um tsunami arrebatador de vidas, e eu estou debaixo de agua asfixiando já à demasiado tempo.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

seven secrets.

Ao longo da vida passamos e presenciamos situações estranhas. Esquisitas mesmo. Uma delas são os segredos. O que é um segredo? tenho dois algarismos de idade e ainda não sei o que é um segredo. Teoricamente um segredo é algo que ninguém, a não ser a sua portadora, sabe. É aquilo que realmente, em todo um sentido da palavra, é unicamente nosso. Então se assim for, segredos neste mundo há poucos. E se assim for, eu tenho alguns segredos. Mas, para ser cem por cento sincera, até tenho maioritariamente pelo menos um terrestre a saber destas situações da ausência de conhecimento alheio. Pois se já alguém sabe para além de mim, não é segredo.
Quando se tem em mãos uma destas estranhas coisas, nossa, há que saber muito bem cuidar dela. De um momento para o outro pode haver um descuido e entornar-se o copo, portanto, se o cuidado é muito, passa-se por sensações e situações realmente dolorosas e esquisitas. De todas elas, acho que a maior é a de fazermos-nos de parvos. Como estar com alguém em segredo, e alguém nos vir falar desse ser humano como se não o conhecesse-mos e nós realmente termos de dar continuação e fazermos-nos de parvos para que sejamos estupidamente convincentes de que nunca tinha-mos ouvido falar em tal pessoa. É lixado. Doí e moí muito. Quanto mais quando o pseudo-segredo é uma segunda explosão em Chernobyl.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Asas tuas.

Queres mesmo voar, não é? então toma as tuas asas e voa. eu ficarei mais uma vez à espera do teu regresso... dizem que o que é realmente nosso pode ter toda uma liberdade completa e que devemos deixar ir se suas vontades forem essas, porque se for realmente nosso, voltará sempre. Então voa agora, querido, e quem sabe ainda regressarás novamente mas com certezas dos teus sentimentos. Eu manter-me-ei aqui, a sonhar em segredo.

detalhes da tua ausência II

Amanha apagar-te-ei da minha memoria. Jogarei ao mar todas as tuas lembranças, presentes, fotos e sorrisos. Cansei-me de sonhar que ainda és quem eras. Cansei-me de chorar pela tua própria dor. Cansei-me de me sentir culpada por qualquer coisa mínima que aconteça no teu quotidiano. Queres ir, vai. Vai e não me olhes mais. Deixarei de ter saudades tuas, como tenho agora. Verás. Sou mais forte do que tu imaginas, mais que tu. MAIS DO QUE ME ENSINAS-TE A SER! Idiota. Arruína a tua vida á vontade, ou finge que o fazes. No fim, mesmo sem dares o braço a torcer no teu mais intimo dar-me-ás razão pela primeira vez. Que isto tudo era escusado e que a felicidade chega-nos à porta em anonimato de um momento para o outro. E todos os dias da tua vida lembrar-te-as de mim e do que sempre te disse. Eu fartei-me das tuas farsas e dos personagens mudos que crias em ti só para arranjares maneira de vencer. Estou farta desse que és agora. Não deixas-te de me pertencer quando certos laços se finalizaram, deixas-te de ser meu quando simplesmente deixas-te de ser alguém possível de amar como antes. Por mais força que se tenha. Como as palavras quentes que me dizias em tempos.

"a única pessoa que percebo de momento, és tu."

terça-feira, 26 de maio de 2009

«one love» ... thats you *

"Vou ter de me casar contigo,
senão não sei o que vai ser da minha vida."

letters. I

Querido mar,
hoje inicio com um pedido desamparado e de alma desesperadora. Trás-me o meu amor de volta. Enrolado nas tuas ondas de agua mornas devido ao sol colado como ponto amarelo no imenso céu. Ele está-me a escorregar por entre os dedos como agua cristalina tua, e eu não estou a conseguir mais agarra-lo. O meu coração inundou e morre lentamente afogado. Trás-me o meu oxigénio. Trás-mo com areia nos lábios para que eu limpe e o beijo nos saiba a sal. Começo a ficar com a pele escamada de tanto remexer em ti, à sua procura. Eu sinto a falta dele, não só fisicamente como dos seus sentimentos. Faz-lo querer-me tanto ou mais como eu o quero a ele. Dá-nos barbatanas e une-nos as mãos engelhadas para que fiquemos para sempre ligados. Acabariam as guerras, as traições e os segredos. O mundo precisa de saber qual os meus sentimentos. Não quero ter guelras que espoliem mentiras constantes como as que tenho de prenunciar para que o segredo-mor se mantenha. Tenho constantemente a cabeça a fabricar bolhinhas de sabão, já nada mais cá entra realmente durante aquelas fases largas em que o telefone não toca ou ele não me olha ao passar por mim. Penetra-lhe amor por mim e trás-lo à costa. Estarei sentada no areal, ansiosa, pelos seus olhos de mel a guerrearem por beleza com o teu imenso azul.
com amor,
Mafalda