sexta-feira, 19 de junho de 2009

detalhes da tua ausência V

Muitas montanhas posso ter destruído, ricos secado, flores pisado e trapos cortado. Posso ter perdido a fé. Posso ter mandado ao ar palavrões, falar de forma desdenhosa, posso até ter voltado a saber o que é adorar alguém. Posso ter mudado, ter-te desenhado mais de mil vezes de forma diferente e trocar as cores que sempre conheci e por isso ter errado. Até pode ter havido constantemente a voz segredando de "tu nunca alcançarás" ao meu ouvido, posso ter desistido ou não. Não ter auxiliado a mim mesma e a tua pessoa nos obstáculos novos, e se fiz, ter falhado. Podes ter mentido, maltratar-me, humilhar-me, pisar-me, derrotar-me e estragado o meu presente. Dificultas-te muito as coisas, escreves-te demasiadas linhas para uma composição tão pequena e acessível ao vocabulário comum, esvazias-te um copo de agua, mandando fora o resto que poderia ter-te matado a sede agora. Mas foi tudo amor, e quem não fraqueja e enlouquece por sofrimento do coração... eu sempre soube que eras diferente, que «o teu barquinho remava contra a maré».
Eu posso ter começado a seguir em frente, e obrigar-te a fazeres o mesmo. Podes ter inventado, pode doer-te. Mas este sentimento de admiração está entranhado em mim. Está uma sensação de orgulho presa na minha pele que por mais mordida e ferida, não sai. Sabes, embora tudo, és a pessoa mais bonita que conheci até hoje.
"- trata bem daquilo que já foi meu."

quinta-feira, 18 de junho de 2009

letters. III

Querido mar,
hoje escrevo-te de coração nas mãos. Está a bombear tão bem, tão carinhosamente cheio. Obrigada. Meu amor chegou-me inteiro e com saudades do meu sabor. Ficamos de olho em ti, na tua reserva natural que acolheu Adão e Eva. E tu, não lhe tires o salgado de cima, os olhos dele ainda cobiçam sereias adjacentes e imortalizam a deusa, sabes, aquela melhor que eu. Mas não importa, desde que ele fique mais tempo no areal do que mergulhado em ti eu já choro de alegria.
Visitar-te-ei pessoalmente em breve, só o meu mar me cura a paralisia que os meus pés queimados agora carregam. Não me ralhes, por gostar comete-se loucuras. É tão bom amar leve.
sempre tua admiradora,
Mafalda

(vocês sabem lá!) - música.

«Vocês sabem lá, a saudade de alguém que está perto
é mais, é pior do que a sede que dá no deserto.
É chama que a vida ateia sem dó na alma da gente, ao sentir que vive só.
Vocês sabem lá que tormento é viver sem esperança
e ter coração, coração que não dorme nem cansa.
Não há maior dor, nem viver mais cruel que sentir o amargo do fel (...)»

terça-feira, 16 de junho de 2009

Merecer.

é um continuo movimento de rotação. como bola de neve, que escorrega encosta abaixo. se o salto for bom, a sucessão de neve que se agarra ao floco inicial é bom, se for mau, não merece, toda a neve acumulada será mortífera. por ter errado de inicio. e se realmente se ansiar por positivismo, terá de haver uma taxa a pagar, alta, para o ter. não recebes sem dar algo em troca. que se sente no cadeirão real o sovina e o fona. há vários tracejados nas folhas de pagamento. para se merecer, tem de se fazer por isso, mas o primórdio da lista é errado. pelo menos, moralmente e pessoalmente é.
ser boa pessoa e uma cabeça no lugar perdeu importância. agora as faculdades educativas são o manda-chuva das regalias. então, aceito. que venha a inteligência que pelos vistos só existe com empenho estudantil. o resto pode falhar, não é? afinal é secundário. quando o pânico chover, digam-me se afinal merecia ou não oxigénio apenas com um risco no caderno.
a maturidade intelectual vem escrita num manual escolar, foram precisos mais de uma década de vida para perceber isso. perdoem-me os entendidos na materia esta minha burrice, então.

sabes...

... quando o óbvio parecer o mais certo, perceberás que se inicia um cúmulo de complexibilidade.