quinta-feira, 20 de agosto de 2009

real words

"so when the devil wants to dance with you, you better say never
because the dance with the devil might last you forever"

(eu nunca me esqueci de ti) - música.

«(...) É o riso é a lágrima, expressão incontrolada.
Não podia ser doutra maneira.
É a sorte, é a sina. Uma mão cheia de nada e o mundo à cabeceira.
Mas nunca me esqueci de ti. (...) Tudo muda, tudo parte. Tudo tem o seu avesso
Frágil a memoria da paixão. É a lua. Fim de tarde, é a brisa onde adormeço.
Quente como a tua mão. (...) Eu nunca me esqueci de ti. (...)»

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

auto-retrato. I


É como ver opostos a dançarem o fervor do enlouquecimento com o ideal da consciência. Sou complicada. Apanhei o cabelo num rabo-de-cavalo e com a minha espécie de franja fiz uma poupinha com ganchos no cimo da cabeça. Fica estranho, mas agora tenho usado muito. Adoro cores de cabelos. Por minha mais profunda vontade era loira. Gosto do dourado e o amarelo a guerrearem numa palavra tão parva como "loiro". Não é o nome que se dá aos papagaios nas anedotas? Mesmo assim gostava de ser loira. Há por aí muito cabelo castanho. Os latinos são assim. Não gosto de castanhos. É o usual e eu cá não sou dada a essas companhias. O castanho das outas pessoas não tem graça. O meu é giro. É da cor da madeira molhada. Não da lenha que metem na lareira. Aí já está demasiado escura. É pareçida à cor da madeira do tronco despido, mas molhada. Só porque lhe intensifica o tom e lhe dá brilho. E também porque sou muito complicada na definição de uma cor. Para mim, nada é simplesmente amarelo, azul, roxo ou vermelho, gosto dos variantes das cores, do salmão disfarçado, do roxo beringela e do preto chocolate, por exemplo. Cabelos pretos também são aceitáveis. Invejo o sensual da cor. O ruivo é o inesperado e a incógnita. Já viajei imenso e não me lembro de alguma vez ter visto alguém de cabelo cor-de-laranja natural! Vejo estupidamente bem. É uma particularidade de que me orgulho. Os meus oftalmologistas dizem sempre que vejo demasiado bem ao longe. Portanto sorri, a Mafalda está a ver-te. Gosto de falar como gente miúda. Com muitas paragens, sorrisinhos, fazer perguntas sem esperar pela resposta e mudar de assunto muitas vezes. Faço-o com pessoas intituladas de sérias. Não há nada mais fascinante que quebrar uns lábios serrados e um olhar de desprezo pela minha pessoa. Sou boa nisso. Muito boa. Acreditem ou não. Ser-se bom em algo é relativo. Eu cá não sou boa em muita coisa. Nem em gastar dinheiro, que é o mais fácil para a sociedade. Sou boa a escolher cósmeticos e livros. Livros para mim. Para os outros sou o desespero. Acabo a impingir uma montanha de papel e a pessoa não vai gostar nem de metade. As vezes sou chata. Tem graça ser-se melga. Eu adoro sê-lo propositadamente. Não gosto de selos, são feios. Sê-lo / selo, perceberam? Foi um trocadilho. Uma piada-à-mafalda como diriam os meus amigos. E ainda que os coleccionadores de selos não se riam por vingança mesquinha de eu não gostar, os outros podem rir-se se faz favor. Eu estou a ver, não se esqueçam. Já tenho idade para ter juízo, eu sei, mas como ultimamente me andam a dizer que não pareço ter a idade que tenho, olha aguentem-se com as consequências dos vossos actos.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

o sabor da carne.

Ele encostou-a à parede, apoiando uma mão nesta e outra no seu pescoço. Sorriu maliciosamente e consumiu, contorcendo-se, a alma selvagem que ela transparecia do olhar. Era fome, muita fome de pele nua. Tocou-lhe com a língua nos lábios de seda vermelha, ela estremeceu e abriu a boca para morder e violar a dele. Havia ardor, intensidade, uma ansiedade frenética e erotismo. A mão deslizou e bruscamente desceu-lhe o vestido, sem ele era apenas mulher. Ela soltou um gemido abafado como uma explosão perigosa de excitação e perversidade, agarrou-lhe o cabelo e mergulhou mais fundo no beijo. Acariciou-lhe a perna elegante que num instante se enlaçou na dele, os corpos assumiram uma posição suficientemente boa para não se largarem mais e ela despir-lhe a camisa. No ar ficou uma mistura sedutora de odores misturados, whisky, perfume e transpiração sexual feminina. A respiração estremecia, a pulsação latejava, e a sensação de cabeça-à-roda tornou-se contínua e saborosa. Pegou nela em direcção à cama e concentrou-se em roçar os lábios no queixo definido e no pescoço, querendo descobrir cada milímetro fugaz dela. As costas do tronco magro embateram no colchão e rapidamente se arquearam, passou a língua nos lábios, bebendo o que restava dele e fechou os olhos quando ele se apoderou do peito pequeno e firme que ela portava. Sentiu vertigens, e a cabeça deixou de funcionar, enlouquecendo, pouco a pouco com a sensualidade dela e o apetite insustentável. Estava calor no quarto, um silêncio que eles não ouviam nem conseguiriam se quisessem. Cravou os dentes no pescoço e usou as mãos trémulas para lhe apimentar o sorriso deliciado dela. Os músculos tremiam descontroladamente e essa sensação fê-la ferrar-lhe as unhas nos ombros largos enquanto ele desceu os dedos até ao seu baixo-ventre. Gemeu o seu nome, e o desejo passou de fantasioso e sexual a primitivo. Deixou cair a cabeça para trás, como rendida aos prazeres da agilidade masculina e isso excitou-o mais. Procurou de olhar desfocado a boca dela. Estava faminta e molhada, colaram-se e perderam-se no emaranhado das línguas, na pressão dos lábios e das mãos curiosas dele no peito dela. Ele era um pouco rude, e o quanto que ela gostava disso. Fazia-la sentir vulnerável, sofredora de mais e mais prazer. Os corpos suados uniram-se, mergulhando nela a um ritmo quase descontrolado e vivo. O impacto fê-la abrir a boca, como se fosse gritar mas sem som. Sentiu-se poderoso e brincou com ela. Enchendo-se ainda mais de prazer e mimando-a como ela gostava. Tocou-lhe com as pontas dos dedos e com a boca no tronco, lambeu-a e sentiu-a quente, muito quente. As pernas dela vacilaram e a cabeça ficou zonza, e enrolou o braço do pescoço dele. O auge da excitação fê-la gritar, um gemido rápido e desenfreado, louco e intenso. Ele entrou mais fundo, mais devagar para que sentissem cada bocadinho do êxtase e grunhiu com a sua voz máscula e rouca. Ela arrepiou-se e voltou a dizer o seu nome, pedindo-lhe que não parasse. Havia ferocidade no rosto de ambos, como se quisessem matar um ao outro fazendo aquilo. O coração acelerou e ele sorriu. Chegou o rosto mais a ela. Agarrou-lhe as ancas com firmeza e ela mordeu-lhe o lábio com força, como um animal que não se alimente há semanas. Enterrou a cara nos cabelos volumosos dela e ela grata escutou-o desmoronar dentro dela.

in the last autumn.

Disseste-o tão confiantemente. Que me fizeste acreditar numa mentira.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

auto-incompetência.

É esta sensação de não saber o que fazer. Como uma incompetência nata sobre os meus próprios pensamentos. Uma agreste vibração de deficiência mental aguda que me embate, um embalar sonolento do acumular de assuntos intermináveis e cansativos. Mergulho horas a fio no vazio, uma corrida desesperada ás responsabilidades. Que se consequência com o impasse da aprendizagem remota e indispensável. A que se enriquece com as navegações em mares vermelhos de agua espessa, nunca transparente, nunca fácil. O vagão de finais de dia avisam, sentimentos nunca são demais, mas forço-me tanto a tê-los que com o decorrer acelerado da construção da estrada, que daqui a segundos o gritos já não serão novidade. Só comum, sem brilho do picante que é o desconheçido.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

summer love. #2

Irrita-me a tua beleza. Enerva-me a perfeita constituição estética que tens, de cada pormenor uma surpresa, e nunca desagradável. Porque é que és assim? Facilitavas-me mais a vida se fosses apenas mais... comum. Mas não, és lindo e orgulho-me tanto da tua embalagem a caminhar ao meu lado que até eleva o ego e baixa-me a auto-estima. E só para piorar a situação, tens um coração de perder de vista. Já me passaram tantas pessoas pelas emoções mais intimas, defeitos estéticos compensados pelas divinas virtudes do interior, ou defeitos interiores salvos pelo esplendoroso estético. E tu, que direito tens de ser tão estúpidamente perfeito? Só me confundes a cabeça. É como comer chocolate dias inteiros e não me fazer mal à pele. Torna-se viciante e intrigante, frustrante por não estar de acordo com o suposto. Um dia ainda te agarro nos ombros e sacudo até me explicares porque é que és tão interessante. Olha que merecias o abanão. Porque isto não se faz a ninguém.


"-Estou morta por sair daqui. Sinto-me longe do resto do mundo..
-Queres que te vá buscar?
-Humhum. Por acaso, até que já me fazes falta."