sexta-feira, 23 de outubro de 2009

your body.

Gosto de te ver nua. Perdoa-me se de alguma forma te assusta a minha frontalidade, mas a meu entender seria crime senão o afirmasse sem rodeios. Gosto de te ver nua. Gosto de cada linha tenra que ele me oferece, do cheiro da pele, do sabor afrodisíaco da tua expressão quando te toco. Gosto da pulseirinha que tens no final da perna, azul, logo a cor que mais odeias por curioso. Gosto do feminino da tua nudez, sem roupa sentada na beira da mesa abres as pernas e esperas brincando a minha boca no teu baixo ventre. Poderia jamais envolver-me contigo, mas seria fatal para mim nunca ter visto o teu corpo desnudado. Fazes de mim doente, um louco que poderás julgar tarado. Mas sinto-me com certezas longe disso. És bonita, e eu sou amante do belo. Gosto de saciar o suor das minhas mãos no teu peito, e gosto ainda mais que tu também gostes que assim o sacie. Tudo por também gostar de ti e do teu apetite por seres bem tratada. Com ou sem lençóis, gosto do teu corpo como veio ao mundo e da pulseira azul. Gosto também do teu cabelo liso, de como te afogas nele se for preciso e da aura sexual que te abstrai do mundo, e eu entretanto aprecio mais um pouco de ti. Há males que vêm por bem.

diseased diseased

Os últimos dias têm-se resumido a febre, a uma infinidade de dores no corpo, enjoos, tosse, duas idas a superfícies médicas, ao numero 808 24 24 00 (saúde 24, Gripe A), mascaras e muito gel desinfectante, frustrações com a paranóia das pessoas com a Gripe, noites mal dormidas, atestado médico de dois dias... Então, alguém quer um bocadinho? Não me importo nada de partilhar.
"- até doente és bonita", e aí tudo fica melhor ♥

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

são histórias. II

Há momentos e historias que não se esquecem. E a tua nunca me sairá do ouvido, nem do ombro que ensopas-te em lágrimas. Foi dia, ou até tarde, de certa tensão, desde que a outra saiu da sala de aula a correr lavada em lágrimas. A aula acabou, e quando um sorriso habitou no rosto dela, choras-te tu. Aparentaste-te nervosa todo o dia, os teus olhos estavam sempre húmidos e as mãos ainda mais irrequietas. Lembro-me de baixares a cabeça, agarrada a esse telemóvel cor-de-rosa, sentada ao pé de nós e de num ápice te levantares e correres para longe do café onde todos estávamos. Falavas e gesticulavas com as mãos, não te ouvíamos, só depois o choro. Assisti ao teu desmoronamento, ainda tenho na cabeça a imagem de tu petrificada em pé, de olhos postos no chão, te deixares cair e serrares os dentes enquanto choravas alto. Ninguém se mexeu, nenhum de nós esperava que tu, sempre animada e a dar cor a este bando, fosses mulher de uma cena daquelas. O meu coração, de mãe como me chamas, disparou. Desligas-te, e mórbida deslocaste-te para perto de nós. Uma de nós deu-te a mão e aí choras-te como se alguém tivesse morrido. "Já sabes onde ele anda?" perguntou-te uma outra. Deixei-as encherem-te de perguntas, de abraços que eram insuficientes à dor que sentias. Depois desviei-te delas e só disse duas palavras "Vá, fala." e contas-te. Não tudo, não metade, nem um terço, e se me assustou as gramas que expulsas-te, imagino o resto. A minha ideia sobre ti mudou. Sentias-te culpada, impotente, má e desamparada. Nada do que te disse que consolou, mas paras-te de chorar. "Ficas tão bonita quando choras..." disse-te outra, sorris-te. Vi a pressão, no teu rosto, que fazes em ti própria para seres forte e teres sempre um sorriso para oferecer. É de louvar, também sou assim, quando consigo. Vi também, o quanto o teu coração implora colo. Só um. Um que não tens, mas que já tiveste. Dirigi-te para a aula, e ao encontro da luz da sala de aula foi quase assombroso o quanto mudas-te. Disseste a todos que estava tudo bem, que tinha sido apenas uma recaída por teres visto a outra chorar. Vi o quanto te mascaras aí, o treino que tens na língua em mentir para te salvar a pele falsa. Não te condeno, ganhas-te o meu respeito inclusive. Lamento apenas, que a vida te esteja a ir contra a maré, por teimosia de um colo vazio.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

são histórias.

Lembro-me do inicio. Lembro-me do ridículo de todo o desenrolar da nossa - qualquer-coisa - e nenhuma palavra calha melhor em nós do que: ridículo. Descreveria hoje, não sei quantos anos depois de te conhecer, a primeira imagem nossa que me subiu á cabeça como se a tivesse acabado de ter. Sei de cor a pressa que tinhas de passar á frente a parte da amizade, que a tua idade te diz não essencial, e a minha me diz ser tudo. Sinto o sabor de cada toque, das mãos que tantas vezes se deram, ás línguas que por breve se tocaram, aos abraços espreguiçados de vontade de que toda esta e aquela encenação fizesse sentido. Nunca fez, nem em dias de hoje. Recordo-me do teu amor por mim e do meu amor pela nossa amizade, não por ti que não és grande coisa, mas sim do carinho que os teus olhos cintilavam com a minha presença e das palavras que tantas vezes me repetiste, atravancadas com amo-tes e atropeladas por sorrisos nervosos e confiantes. Conheço cada emoção que me arrepiava a pele quando me abraçavas, não sei ao certo a razão, mas os teus abraços nunca foram os de um amigo que em tempos se teve um envolver mais intimo. És de minha propriedade, e é algo que até hoje ainda não consegui deixar de sentir. Venha quem vier, sinto-te sempre apaixonado por mim, sempre de coração a palpitar ainda que tantas vezes as tuas palavras se tenham tornado amargas e desdenhosas. Nunca te esqueces-te dos meus erros. Errei contigo, quem sabe. Mas não eram os nossos erros que te desiludiam, sei-o bem, eram só os meus. Os males que me fazia para o bem de alheios. Nunca me compreendes-te, e isso deixava-te frustrado, e desistis-te. Somos amigos, num quase amor-ódio, que só tem de cansativo e engraçado. O mundo poderia até girar ao contrário, que jamais eu perderia o sorriso que meto quando te vejo e os teus olhos deixariam de brincar com o formigueiro da minha presença. Conheço-te melhor que a palma da minha mão, e tu, ainda que não me conheças bem interiormente, conheces melhor que muita gente a palma desta minha mão.

sábado, 17 de outubro de 2009

relembrar

«Tenho de te agradecer, como as palavras são tão doces enquanto esvoaçam hoje para o ecrã. Foste tu, Doente da Mente e do Anonimato, quem me contaminou com os termos do texto; foste tu quem partilhou comigo a lanterna que me ilumina agora o caminho. Como foi possível, tanto tempo adormecido como a Bela Vénus, renascer de uma cama de tecido irreverente e perverso, gatuno e inoportuno, rebelde, procurar os propósitos de uma vida aparentemente sem significado. Encontrei, foste tu, vendada da cara mas não da Identidade, sabes quem és, não te assumas ! será o nosso segredo ... Partilha comigo o fruto do teu saber, dá-me a beber desse Conhecimento que tanto invejo, mostra-me a Luz e instiga o Vento, eu era um barco desprovido de Mastros que viajava ao sabor da Corrente, construíste-me um mastro e hoje sou livre ... Agora digo-o, admiro-te deusa. Não, agora acabaram-se as palavras, como descrever esta turbulência que agora surge, será o tal? Ainda não, as palavras são as falácias do pensamento, com as suas ambiguidades ténues. Desejo, a companhia de que careço, a amizade da mestre das palavras que tanto me inspiram. As nossas palavras são o calor que tanto o corpo precisa, e como ele é insaciável de sentimento.
Encantas-me Feiticeira, não deixes de me enfeitiçar...»
pelo meu amigo JL, para mim, no dia dez de maio de 2009.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

operation operation

Preciso de um movimento para fotografar "passo-a-passo" e fazer efeito câmara lenta na junção das fotografias. Vou fritar ali um bocado os neurónios e já cá volto.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009