perdoa-me ter anoitecido tão cedo.
sábado, 31 de outubro de 2009
são histórias. III
Ela sempre abominara os relacionamentos. Deixara de acreditar em miúda, por uma má experiência. «acontece aos melhores. segue em frente» - ouvira intermináveis vezes. Mas a sua revolta era maior, nunca conseguiria engolir a amargura de ter chorado tão nova por solavancos do coração, pela mágoa pesada com que balbuciava a ausência de sono noites inteiras. E o pensamento era somente um. Sempre o mesmo, independente dos anos que passassem. E foram tantos os que lhe escorreram entre os dedos... sem um amparo, sem uma oração escutada. Até que apareceu, soldado de guerra, conquistador de povos inteiros, homem vencedor de coração aberto. Mas, no fim do amor combate, só mais um desistente. sexta-feira, 30 de outubro de 2009
23:48
Acho que não imaginas o quanto difícil é escrever para ti. Não sei se será de mim ou se o amor nos faz perder a imaginação - quero demais a realidade que tu és, para me permitir iludir por algo que só há na minha cabeça. Não compreendo porque me é trabalhoso expor-te aqui assim, em letras, em descreveres meus, e saberá deus se quero realmente perceber, ou não serei eu uma apaixonada desassumida pelas incógnitas dos meus dias, dos meus sentimentos mais fundos (que agora são somente teus). És um progressivo devaneio, um desassossego prazeroso, uma linha fina que teço todos os dias com dedos de tesoura - e tenho o cuidado do mundo nas minhas pontas afiadas, pois serei eternamente mulher nua sem o teu cordão de tecido presente. Puxas de mim um algoritmo invulgar, partículas no ar de um céu que era uma coisa, e contigo, quer ser sempre mais, alcançar as estrelas e não somente um céu visível aos olhos de ver. És o tempero principal do meu som, do meu paladar. Quem adoça as minhas papilas gustativas e vislumbra os meus olhos castanhos. Não me cegues. Poderia não sentir mais o teu cabelo entre os meus dedos esguios, mas jamais me permitiria não ter visão que alcance o todo que és. Tão natural, tão meu.-"quero a minha Mafalda."
domingo, 25 de outubro de 2009
sábado, 24 de outubro de 2009
Querido diário e namorado,
São cinco da manhã. Fizemos hoje, ou melhor ontem, um ano de relação. Não estivemos juntos.Estar fora do país esta semana tinha de tudo para ser fantástico. Iríamos aprender a estar um tempo um sem o outro, a ocupar o tempo com outras coisas ainda que o coração estivesse sempre com a imagem das nossas mãos dadas. Telefonei-te todos os dias, de noite, antes de me deitar e sonhar contigo. Só não esperava era que a cabeça fosse traiçoeira e estraga-se todas as minhas teorias para esta semana. Passas-te o dia de hoje com a tua ex-namorada. Sabes que não me importo, que aceitaria qualquer escolha tua desde que ela te fizesse feliz, como tento eu todos os dias fazer-te também. Passei o dia em casa, não me apeteceu sair, e por acaso era o meu dia de folga do que vim cá fazer a Luxemburgo esta semana. Acordei e mandei-te uma sms, disse-te o quanto te amava e que tinha saudades. Respondeste-me algo idêntico. Ainda que a inovação seja coisa habitual em nós, ao final de um tempo torna-se difícil. Não falámos mais, só a noite quando me contas-te que tinhas estado com ela. O pior de tudo fui eu. Ao menos tu ainda tens uma antiga relação com quem ter outro tipo de relação: uma amizade. Eu nem isso, ainda a mesma ausência, a mesma cicatriz. E foi nisso que passei o dia a pensar. Tenho por habito chorar, não é segredo para ninguém, e ainda que não seja propriamente um orgulho, não tenho vergonha de o afirmar. Mas nunca o meu choro é tão pesaroso como é quando o tema é ele. Passei um dia como não passava a muito. Acabar os estudos e ter-te a ti ocupa-me perfeitamente a vida, e o sorriso é uma constante. A verdade é que a muito que não estava sozinha, e sozinha sou apenas eu e as minhas memorias. Só lamento não ter como as fazer presente. Tudo isto me fez estar agora, ás cinco da manha, a um dia antes de voltar para os braços que á um ano me aconchegam tão bem, num embarque de perguntas sobre mim e nós. Pergunto-me se será apenas coincidência as pessoas que nos ocuparam a mente hoje. Antigas relações, quando até poderíamos ter estado a trocar e-mails ou eu nas compras e tu nos jogos idiotas com os nossos amigos. Não tenho dúvidas de que te amo, muito menos que tu a mim. Mas, não estaremos apenas a compensar um com o outro, a falta que eles nos fazem no peito?
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