O fraquejo das pernas sentiu-se. Eu não aguento mais as tuas investidas. O meu coração não tolera mais pedras jogadas a ele, vai desfazer e eu preciso dele para me manter viva. Porque falando em morte, tens-me matado tu todos os dias, pela ausência que lacrimejo, pelas discussões que originas por independentemente de qualquer coisa te defender perante o mundo. E tu fazes o obséquio de provar que não o mereces. Mas, merda, gosto de ti. Amor antigo irredutível. Assusta-me os ataques que preparas, as mentiras, as palavras fortes como me dizeres que te enojo, que a minha existência é desnecessária.Assombra-me também a velocidade a que mudas-te. A que te tornas-te um desconhecido para mim, e eu continuei sempre a mesma. Problema era que talvez nunca me tenhas conhecido mesmo bem, como sempre o afirmei e tu juravas exagero meu. Provei-to. Sou ainda melhor do que sonhavas. Lamento que não queiras comprova-lo. Sempre te dei tudo. Gritar-to-ia aos ouvidos se realmente me soubesses ouvir. Soubeste-o sempre melhor que qualquer ser humano no mundo. Até o tal dia. Até a tal época que o mar embateu ameaçador nas rochas. Julguei-te mais maduro - confesso que sim - achei-te homem e nunca menino. Errei aí. Tens aura vingativa, tal que julguei desde sempre indigna de ti. Isso magoou. Não a usares contra mim, mas saber sequer que a tens. Eras um mestre para mim, um ídolo a seguir... Porquê este jogo? Porquê este filme lunático e impensável? Queria tanto que descesses à terra. Que me tocasses na pele e percebesses o quão ridículo é tudo isto, que nos está a fazer doer tanto. Não me arrependo de ti. De teres sido a minha vida e de eu ter despertado o melhor de ti à luz do dia. Imaginei uma vida contigo. Não um romance para sempre - sabes bem que não acredito neles - mas um caso mundial de impossível separação sentimental e física um do outro.
Queria falar contigo... Mas não sei que te diga, sinceramente. A última acusação que me fizeste foi de mau gosto, crueldade pura de jogo sujo. E ainda por cima, em parte, mentirosa. Nunca pensei ter medo de ti. Mas verdade é que já não me sinto segura em relação a ti, já não és o mesmo, e eu não consigo lidar com ausência de boa educação, e mais que tudo isto, do coração verdadeiro que já foi meu.
E sabes, a única coisa que me impede de morrer feliz, é esta tua ausêcia. É saber que morrerei sem nunca ter voltado a estar bem contigo.
"- Já nem mereçes sequer fazer parte do meu passado."





