sexta-feira, 27 de novembro de 2009

letters. X

Querido mar,
tem havido maremotos momentâneos em mim. Curiosidades velhas e já vividas a esquentarem-me a maturidade - vontade de arriscar - tenho sentido falta da versatilidade dos descompromissos, do furor da liberdade que sob o teu cheiro a maresia vivi intensamente até não haver mais gotas no oceano. Quero de novo o risco do mundo cair a fermentar adrenalina como eram os meus dias. O meu tempo de paixoneta que no teu embale viril, me tornou sereia de sensações aventureiras e mais livres.
como peixe na agua,
Mafalda

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

que renova e repete, repete e renova

És como um circulo. Sem inicio nem fim. Um ciclo que somente repete e repete. Não sendo isso mau. É bom até. É uma montanha-russa em que me sentei - nem no inicio nem no fim - mas sim no seu exacto centro para que lá fique sempre, mesmo que por vezes obrigue o ciclo a fazer uma pausa, nunca vou deixar que entre em coma, muito menos que deixemos de ser um só ritual.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

chamada noite

Minha lua nova, não desvaneças hoje cedo. Quero ver no escuro da noite a aura mais primitiva de cada um de nós. Quero ver o efeito principal e detalhadamente cada um dos secundários que o álcool ingerido provoca nas mentes férteis destes que pelas ruas caminham comigo. Quero ver os olhos a custarem abrir, avermelharem, a serem forçados a semi-cerrarem para conseguirem ver o máximo de nitidez nas coisas. Quero ver o suor a escorrer nas mãos e as camisas a encharcarem por todos os lados. Quero a realidade, o pior estado do ser humano. Quero assistir ao amarelo dos dedos e dos dentes com o atenuar rude do tabaco e seus companheiros de vícios. Quero ver os corpos a vaguearem desajeitados pelas ruas, os gritos loucos e roucos e os risos mil, de batons borrados e lábios inchados. Ilumina estas figuras que tanto me esquenta a curiosidade, o ferver crescente do álcool a passar na traqueia antes de borbulhar arduamente na garganta vai causar peripécias e eu quero vê-las de perto. Cada choro, cada aperto ou vagão no mais íntimo ponto fraco nosso será ameaçado e eu desejo ver as lágrimas caírem de manso e depois em cascata. O lado rebelde que se solta das almas tímidas e sossegadas do dia a dia mudam ali, sob ti, lua nova. Remexem-se sem constrangimentos, sem preconceitos ou vergonhas. Divertem-se, porque com a visão turva e a cabeça num turbilhão tudo é engraçado e a noite parece o melhor sitio em que um homem pode estar. Quero ver os corpos cansados e inconscientes no chão ou sentados de cabeça entre os joelhos e impurezas jorradas no chão. Um cúmulo de nojice que segundos antes foram o melhor momento das suas vidas. Quero ver o choque e desespero dos casacos perdidos e as malas roubadas, os telemóveis esquecidos nas casas de banho públicas. O pânico da falta de dinheiro, gasto em copos, para voltar para casa. Os empréstimos de ultima hora, os amontoados de cêntimos e poucos euros para dar pelo menos para um bilhete de metro ou comboio. Que mesmo assim os sorrisos logo depois reaparecem, por ser ainda de noite e aos seus olhos o enlouquecimento da espécie ter corrido maravilhosamente e combinam as próximas saídas nocturnas. Quero, oh lua nova, assistir de camarote a este ciclo em que a palavra sóbrio não entra.

13:15

"(...) mas acredita que nunca amei assim."

domingo, 22 de novembro de 2009

que perfeito coração.

Que insana se torne o meu nome do meio, que nada me incomodará. Já que o que me torna louca é esta fixação por ti, é a culpa diabólica de te querer feliz. É o ardor da crueldade que por vezes vitaminas nas tuas palavras e as lanças a mim como flechas, e mesmo assim te admiro e me orgulho de ti. É a percepção lastimável de não conseguir prenunciar o teu nome sem de seguida chorar esta magoa guardada no peito, que bolsa em querer sair livre gritando ao vento que a esperança nunca morre.