Nem sempre percebo estes nossos tremores - os motivos concretos pelo qual o chão abana forte e vai rachando tão depressa. Não sei se sou eu, se o epicentro é bem aqui no mar, na mais funda escuridão oceânica. Ou se és tu, no espesso da tua relva, planalto que quase alcança o céu. E desse pico me vês, cada passo em falso, cada indecisão. Desse pico lacrimejas por estares tão agarrado a esse céu que já foi o nosso limite. Comigo aqui longe, tão no fundo mas ainda assim o azul mais brilhante reveste-me os olhos e as escamas. Não sinto o sol e a lua que no teu topo pousam á muito tempo. Por vezes sinto saudades de sentir o teu aconchego térmico e das folhas a avermelharem-me o coração.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
i don't understand.
Nem sempre percebo estes nossos tremores - os motivos concretos pelo qual o chão abana forte e vai rachando tão depressa. Não sei se sou eu, se o epicentro é bem aqui no mar, na mais funda escuridão oceânica. Ou se és tu, no espesso da tua relva, planalto que quase alcança o céu. E desse pico me vês, cada passo em falso, cada indecisão. Desse pico lacrimejas por estares tão agarrado a esse céu que já foi o nosso limite. Comigo aqui longe, tão no fundo mas ainda assim o azul mais brilhante reveste-me os olhos e as escamas. Não sinto o sol e a lua que no teu topo pousam á muito tempo. Por vezes sinto saudades de sentir o teu aconchego térmico e das folhas a avermelharem-me o coração.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
wish wish
Ai como me saberia bem trocar de vida por uns diazitos com uma das minhas adoráveis gatas e passar o dia estendida no quente da minha rica sala sem fazer nenhum. A dormir, e a levantar-me somente para comer ou para ir a um quarto assim ao calhas (como por exemplo aqui o da Mafalda) partir umas coisinhas ao desfilar-me antes de voltar a ir dormir. Isto não há consideração por ninguém!
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
até quando?
Eu disse a mim mesma que não voltaria a sangrar do lábio (mas eu sempre disse tanta coisa a mim mesma...). Que não iria fazer mais feridas, que não voltaria a estar assim nervosa e me deixar cair quando o tapete me escorrega dos pés. Eu jurei a mim mesma que as mãos que me tiram o chão não sentiriam mais na pele a textura de meu sangue. Que não ouviriam mais o ferver da minha pele rasgando e o sangue solto escorrer. Tão delicado... decidido, lento causando impacto. Eu disse a mim mesma que não vestiria mais sutians apertados, que nada me cortaria de novo a respiração. Que apenas a morte drástica e repentina me tiraria a fala e a respiração sempre controlada. Eu disse também que não haveria mais secadores a esvoaçarem-me o cabelo. Que não haveria mais puxões maliciosos, que não admitiria mais reprovações sobre as minhas acções. Eu afirmei que não voltaria a juntar o terço a meu peito por suplicio, por desespero, com mãos húmidas tremendo boas-novas. Mas há sempre o momento da excepção à regra, e eu não esperava que tu nadasses tão depressa e me alcançasses as barbatanas.
domingo, 13 de dezembro de 2009
sábado, 12 de dezembro de 2009
passo a passo
um risco. um traço. um lápis que escorre. tinta que não sai. vagabundo rigor que quase perfura a folha limpa. branca, suave. um céu sem nuvens. nem uma só. e mais tarde chega o breu. os azulados escuros, os pretos negros. numa repulsa interminável de um suspiro asmático. que surge entre os soluços do choro, contínuo e sentido. dando inicio a escritura de um livro. grosso, muito rascunhado. transcrito do coração para a mão. melodia pequena. curta, mole, suave, desconhecida. tão simples. em tom baixo para não ferir. não faz ferida ou abrir antiga. ela solta-se fina. bocejando ajuda. em língua estrangeira. mundial. para que qualquer ouvido entenda. qualquer um auxilie, ou tenha tal iniciativa. um circulo este risco, este traço de lápis que solta tinta escorregadia. um ciclo contínuo como é uma vida. como são as vidas que nunca se sabem.
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