sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

erro teu

Ela quis dizer muita coisa. Mas o tempo nunca foi um dos pontos fortes da vossa relação. Ela deixou de pintar o cabelo de ruivo por ti, por teima tua de que o seu preto natural lhe ficava melhor. Devias estar cego para não veres que lhe fazia parecer tão mais velha. Ou talvez ate te tenhas esquecido que ela ainda era praticamente uma miúda. E nunca quis enterrar as poucas fragrâncias infantis que tinha a bombear-lhe sangue lá dentro.
Ela nunca olhou para ti como uma bóia de salvamento, ainda que de certa forma o tenhas sido, ela estava carente de colo e tu pegaste-lhe sem pedir nada em troca. Ou pelo menos, no inicio não exigias nada. Só os sorrisos simples, as caricias, os passeios. Sinceramente, ainda hoje não percebi o que fez com que mudasses. Tiraste-lhe do poço onde se afogava, mas enfiaste-a noutro quase parecido. Tiraste-lhe a liberdade, e ela que nunca foi de grandes esperanças para ela própria percebeu que havia limites, que tu não podias simplesmente proibir. Quantas noites foste o motivo para quedas dela? Quantas manhãs lhe iluminaram o rosto e os olhos inchados do choro? Ela daria a vida por ti. Deu-te tudo o que tinha e não tinha. Mas tomaste-a como certa, como um robot que recebia as tuas ordens e as cumpria sem vacilar. E agora estás aí, sozinho, a fazer sabe-se lá o quê e em que estado. (...)

no no

Meus caros amigos, isto de 2010 é tudo muito fantástico mas segunda-feira: aulinhas!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Dear city,
Há dias em que sentimos que nos falta algo, que nos esquecemos de certo objecto ou que perdemos alguma coisa. Até aí tudo bem, são só sensações que entretanto passam com o desenrolar do quotidiano. O problema é quando chega o dia em que isso acontece. Que realmente alguém nos escapa por entre os dedos que não soubemos pressionar bem. Nem dá para sentir a textura do tecido das roupas, o cheiro do perfume, recordar uma ultima vez o brilho dos olhos. É um arranhar profundo na alma miudinha no nosso interior, é como cortar a sangue frio uma parte do corpo sem nos pedir sequer autorização, sem dar anestesia. Sem nos colocar a dormir longas horas, e com sorte o coração esquecer entretanto essa perda. Porque é algo que não nos ensinam desde crianças, a manter uma segunda vida junto da nossa eternamente. Eu queria tudo calculado, tudo expresso nas manchas de texto dos jornais, todas as teorias certas que levariam ao retardar dos magoares, dos bolsares de impurezas e desamores.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

(how to save a life) - música.

«(...) Onde é que eu errei? eu perdi um amigo num momento de amargura.
Eu ficaria acordada contigo a noite toda se eu soubesse como salvar uma vida.
- Mostra-lhe que tu és mais experiente. Porque és mesmo. (...)
Faz uma lista do que está errado, dos conselhos que sempre lhe deste.
E reza a Deus que ele te escute. (...)»

domingo, 27 de dezembro de 2009

me&u

E tudo isto perde sentido quando fujo das minhas próprias iniciativas. Acções tomadas de cabeça fria e coração quente. Eu nunca quis que isto levasse este rumo, nunca desejei esta direcção, nunca pensei que não tivesse força suficiente para alcançar o travão enquanto tudo descia descontrolado ravina abaixo. Não imaginei que o início da minha liberdade, fosse o final da tua. E curioso é que por isso mesmo, também a minha se tornou limitada. Cheguei a não saber sequer o que ela era. Lamento também não ser tão capaz de enfrentar e preferir o silêncio quando me são exigidos dialectos. Eu achava realmente que nem todos os ciclos tinham de ter um fim. Eu achava que este nunca acabaria. Eu achava que ia ser para sempre. Mas não foi, e acho que por estas alturas não é culpar alguém que realmente importa, é perdoar. Pegar na agulha fina com linha transparente e cozer os rasgões e feridas abertas. É travar as memórias más que surgem importunamente. Haverá força para isso? Não gosto das situações «sim ou não». Eu acabo sempre por não escolher nenhuma e ir embora, fico somente a perder, mas ao menos não tive que escolher entre a felicidade e a miséria. Nunca direi Adeus, nunca direi Olá. Espero sempre por um Até já. O tempo navega tão veloz que o futuro é já amanhã. Não vale a pena dizer-mos que mais tarde se discute certo assunto, se esse mais tarde chega mais rápido que a noite aos corações. Eu nunca quis nada disto. Odeio com todas as minhas forças esta situação, este desamparo comum. E ainda mais odeio a escolha que tenho de ter. Porque é injusta. Mas reconheço que não é só para mim que o é. Tenho evitado divagar sobre tudo isto, sobre o tempo que passou que pareceu décadas. É difícil chegar e admitir por alto a situação penosa em que estamos. Ainda te lembras do meu cheiro? Eu já esqueci o teu. E não o queria, porque não quero lembrar só o pior que vi de ti, que recebi de ti. Nada se compara ao melhor que recebi na vida, mas a verdade é que cada vez é mais difícil lembrar. Só choro, só desamparo e muitas, muitas escolhas. Sabes tão bem quanto eu que o nosso tempo acabou. Que por mais que custe, e que eu saiba que não sou feliz sem ti, seria um erro arriscar. Não acredito que fossemos capaz, por mais sentimento que exista. Amar só não basta. Mas para o bem e para o mal, guarda para ti somente uma coisa: eu irei sempre buscar-te. Mesmo que me agridas, mesmo que me berres, que me insultes, eu atravessarei o mundo para te puxar para mim. Um dia, quando me perdoar a mim mesma e esquecer tudo. E com sorte, também tu me desculparás as escolhas erradas que tomei. Até logo