domingo, 7 de fevereiro de 2010

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

letras grandes.

Saí do comboio, eu e um amontoado de pessoas. Umas tão apressadas, como que atrasadas para a própria vida; outras porém tão vagarosas deslizavam sob o mosaico azulado da estação e desciam a escadaria para o exterior - para o frio deste Inverno com letra grande. Também eu desci essas escadas, um poucos sujas, com pastilhas elásticas pregadas e húmidas das chuvas constantes neste Inverno (com letra grande). As pontas dos meus dedos sentiram os 6 graus dos finais de tarde, e calcei as luvas, apertei ainda o botão que faltava do meu casacão e passei a mão nas madeixas ruivas que escorriam do gorro branco. Atravessei a rua, escutei um comboio a chegar e avistei um outro lá ao fundo a ir para as suas paragens seguintes. Desci uma outra rua, e recebi uma mensagem tua, perguntavas-me se estaríamos juntos hoje. Agora. Era simples ir para tua casa, fazia um desvio à esquerda no final desta rua e podia ver a tua varanda num terceiro andar. Mas não havia vontade, já não havia aquela vontade. Não sabia se queria realmente ir, tal como todos os dias anteriores, ou se simplesmente fazia o desvio neste Inverno com letra grande porque me pedias e eu não te conseguia dizer que não. Um não com letra grande. Então respondi-te que estava exausta e que só queria paz para hoje. E não perder-me, quase afogada, nos lençóis da tua cama - pensei. Porque uma coisa leva a outra, é verdade, e ainda que nunca me obrigues, insistes até conseguires aquilo que queres. Ponto, eu bem o sei. Cheguei ao fim da rua e virei à direita, um passo acertado na minha cabeça tonta - julguei. Coloquei a chave pequena na ranhura da fechadura e rodeia um pouco insegura. Até que ponto esses desejos carnais são superiores ao teu amor com letra grande?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

23:17

Vem, vem viver comigo. Já não faz sentido a infinidade de horas nocturnas que passo só, dentro de lençóis que já partilhei contigo. Falta-me um elemento, e se eu sou a agua, tu és o meu fogo. Falta-me a presença perspicaz e sábia que és nesta relação, o picante doce que as minhas papilas gustativas saboreiam sempre que caiu na tua rede. Prende-me nela com todas as tuas forças. Amargas e tristonhas são as madrugadas que nascem e o meu corpo não se encontra sobre o teu odor masculino. E já são tantas que o meu coração canela e alfazema desfalece a cada vez. Vem, vem fazer-me feliz. Queria a seda perfeita para costurar o meu nome nesse teu coração rigoroso e amanteigado. Há mel que só lambido dos dedos é que sabe bem. Perdoa-me se piso a linha ás vezes, acredita não há uma única dúvida nas cordas do meu violino, é tudo amor, apenas e só amor crescente.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

omg omg

Um módulo para recuperar, montes de trabalhos de grupo, testes para dar e vender, aulas das nove da manhã ás seis/sete da tarde, cadernos das técnicas para organizar, decoração da escola para a festa de carnaval, turma sempre ás divergências, notas injustas, alteração de horário duas vezes por mês, muito muito frio, mudança constante de formadores, prazos curtos para ensinar as matérias, transportes públicos a toda a hora: em soma,
ausência de vida pessoal.

domingo, 24 de janeiro de 2010

15:15

(...) Então eu sinto a tua falta a toda a hora. Eu não olho para ti e procuro o comum, eu respiro-te procurando o diferente que és. O que em ti me seduz, como um poema escrito cuidadosamente. É tudo tão fresco, e ninguém escreve livros sobre relações como a nossa (até que ponto somos únicos?). Mas eu gosto disso. Gosto de ti. Da maneira como andas, como inspiras, como olhas para as coisas e as aprecias. Gosto da maneira como te vestes, como te despes, do movimento do teu peito num sobe-e-desce quando descansas os olhos. Gosto da forma como me tocas nas pernas - como nos filmes, sabes? - gosto muito do teu peso sobre mim, de me sentar ao teu colo e encostar-me perto do teu pescoço, da expressão transparente dos teus olhos. Gosto também da maneira como por vezes pensas, por alturas do teu ego refinado, das tuas mãos, dos teus ombros... Dos teus dedos no fundo das minhas costas, de ler algo e me lembrar de ti, de escrever para ti, porque é ao ter-te em meu redor que me surgem linhas de poesia na cabeça. Gosto de brincar contigo, de ver o teu brilho e explorar-te cada vez mais, de te conhecer aos poucos e poucos, da tua maneira única de falar, a forma como arrastas as palavras e as colas, quando trocas as letras e fazes beicinho. Eu gosto do teu cabelo, de te despentear, da tua idade - não cresças mais. Gosto das tuas orelhas pequeninas, da tua mão ser maior que a minha, gosto de te tocar nos lábios com as unhas e do confortável que o teu coração se sente quando estou perto. Gosto de quem sou quando estou contigo, da forma como me fazes sentir melhor, da nossa evolução, da confiança, do avontade, da forma como me abraças, como me cheiras a pele, como sorris... Gosto tanto de tanta coisa em ti - e em nós - que se torna impossivel dizer sequer metade. E ainda que por vezes o corpo me trema com receios, eu amo-te.
- "gosto tanto de te ver dormir... ficas tão bonita, sinto mesmo que és minha."

a minha forma justa.

Ainda recordas a composição justa das palavras? A alegoria infindável da epifania do pensamento duradouro? Há um crescente a desfalecer nas tempestades do horizonte longe, perpétuo, afastado da união dos ignóbeis. Ajuda-me a compor excertos viris, acertados, justos como o verde da terra. Quero ser mesquinha como os filamentos microscópicos desfavorecidos das raízes que penetram a terra. E esta bela bolsa orgasmos chamados p'lo povo de Primaveras. Necessito do autenticismo, cuspir os conservantes e alterações genéticas que tudo o que existe já possui. Dêem-me o natural de cada partícula, os meus dedos também são finos o suficiente para se confundirem com raízes e penetrarem o solo, seco ou molhado. Humificarei ainda mais o tapete da sociedade com a minha língua queimada pelo o fogo das desventuras propositadas. Minhas acções nunca são de cabeça fria, o batimento cardíaco compulsivo não me permite tal requinte, ele possui-me, viola-me, faz amor comigo sem dó nem piedade, tudo por necessidade de pensamento, tudo por amor à solução.