segunda-feira, 28 de junho de 2010

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Ainda que quarta e quinta-feira tenha que ir à escola fazer recuperação de um módulo e assistir aos projectos tecnológicos de Marketing da turma de 2º ano... Cá estou eu, no meu primeiro dia de férias!

sábado, 26 de junho de 2010

letters. XI

Querido mar,
não me castigues, ainda que bem o mereça. Nunca mais a minha trajétoria de vida voltou a ser salgada, abençoada pelas tuas águas envolventes. Mas hoje lembrei-me de ti, hoje lembrei-me todas as cartas que te escrevi. De todos os meus pedidos, conselhos, explicações, frustrações, alegrias e desamparos. De vez em quando navega em mim uma onda tua, cá dentro, junta ao coração e reaviva a memoria de este meu antigo amor. É curioso, o que algo que julguei tão forte em certa altura, agora me diz tão pouco. Não será assim o resto da vida? Ultimamente tenho pensado - não muito - mas ainda assim debatido sobre a ideia de contar a identidade deste amor que só tu, meu amado mar, soubes-te. Soa-me a segredo sem fundamento. Mas o medo de reacções malignas atormenta-me. Não foi uma relação legitima, não foi uma relação em que o mundo pôs os olhos. Só tu, eu e ele. Um pequeno segredo que ainda dura. E eu não sei se o cante aos búzios grandes, ou se o mantenha enterrado no teu areal.
em saudade e pequenas dúvidas,
Mafalda

21:45

dona do mundo.

Há primeira vista ninguém daria nada por ela. Alma quieta e calada, é o supremo do comum. Aparência fria como a noite que cai, de olhos castanhos banais. Mas quando poderosamente sai com suas vestes transparentes e fluídas e a música se escuta penetrar no silêncio - ao inicio tão leve e depois com tanta garra. Mel salgado a sua voz, pedras encadescentes o seu corpo ao movimentar-se. Debaixo do luar que a abriga noite após noite, deitada nas pedras irregulares do chão. Quebra qualquer paz ao seu chegar e por vezes parece voar nessa brisa, nesse crepúsculo austero. A vida não lhe poderia pulsar mais. Mulher da rua que não é de ninguém, serra o olhar ao dançar, chora quando não pode mais. Ri-se dos elogios, não houve os insultos gerais. Ganha asas nua, frente a um publico pudico. É dona do mundo. É senhora das noites carnais. Enlouquece quando se abana e remexe, imploram por mais música no seu coração e nos seus pés.