sexta-feira, 13 de agosto de 2010

- 12 Letter To Someone That Changed Your Life

Querida S,
Tenho a te confessar que me foi complicado escolher o destinatário desta carta. Porque se formos a ver, quantas são as pessoas que nos marcam? Que nos fazem mudar, pouco a pouco? Mas depois pensei em mim, naquilo que realmente me tornei e sou, desde o momento em que te conheci. Há cerca de 6/7 anos, e tu lembraste muito bem desse ano. Eramos da mesma turma, tu eras linda, com esse meu cabelo de sonho e uns lábios grossos. Não me lembro ao certo de como a nossa amizade surgiu. Sei que te admirava, tu eras tudo aquilo que eu queria ser, mas que guardava para mim. Contigo eu sai da minha concha. Tiraste-me os complexos, as complicações, a timidez, e o meu perpetuo silêncio. Puxas-te pelo meu lado mais espontâneo, mais extrovertido e criativo. Fizeste com que deixasse de me preocupar com o que os outros pensam e me divertisse mais. Porque era um direito meu. Meu e de toda a gente. Não se fechem, riam-se o mais alto que puderem. Aconselharias tu.
A vida afastou-nos, tu mudas-te de casa, eu mudei de escola e afastei-me um pouco do nosso círculo de amigos comuns. Agora é somente umas breves conversas que temos pelas redes sociais - como agora lhes chamam - e pouco mais. Mas não se perdeu o carinho, muito menos a lembrança. Ainda há pouco tempo perguntas-te por mim a uma amiga, e eu também procuro sempre saber como tu estás. Se continuas a derramar energia em todas as direcções. E beleza. Que tu, és do mais bonita que há.
Sempre desconfias-te deste meu jeito e "queda" para a escrita. Mas não que eu o exercitasse, ou muito menos que tenho um blog. São tão raras as pessoas que sabem deste meu amor. Mas é assim que gosto que seja. Sabes, se há coisa que aprendi foi que o conhecimento alheio nos tira a liberdade.
Com saudades,
Mafalda

Le love

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

o mais desejado dos animais.

Muitas vezes lamento que a felicidade seja animal de perninhas curtas. Que rasteje pelo chão, silenciosa, tentando ao máximo passar despercebida. Nem todos a vêem, e muitos os que a avistam mesmo debaixo do seus narizes, não são capazes de a alcançar. Têm receios a navegar-lhes na mente, antepassados cruéis e injustos. Acreditam piamente que a felicidade seja impossível de regressar. Este animal é esguio, passa entre as gotas da chuva. É magricela e escorregadio. É preciso muita força, muita fé para o manter nas mãos. A felicidade é um bicho forte, ela faz de tudo para nos escapar. É presunçosa, não se acha digna de qualquer ser. Acha que é preciso ser merecida. E talvez até tenha razão. Mas por vezes foge, e ficamos destroçados a vê-la partir, porque achamos que não a voltaremos a ver. A sentir o seu odor único e inconfundível. É um animal selvagem, bastante difícil de domesticar. É por vezes pontiaguda, com picos difíceis de retirar. Mas quando finalmente dominada, é do mais adorável e viciante. Aconchega-nos, enrola-nos num círculo de borboletas no estômago. Dá-nos a melhor das sensações, e fica connosco. Fica sempre, até lhe voltarmos a tratar mal e ao nosso coração, que não vive sem ela.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

- 7 Letter To Your Ex-boyfriend

D,Quantas cartas já te escrevi? Nestes três anos, quantas "cartas" trocámos? Quantas vezes nos despedimos, quantas vezes tu regressaste...? Quantas vezes o nosso coração quebrou precisamente por causa destas malditas cartas? Eu perdi-lhes a conta. São decerto infinitas. E esta, inevitavelmente, será apenas mais uma no meio dessas tantas. Não é esta a primeira, nem será a última. Porque escrever para ti é instintivo. Como os animais nascem a saber procurar alimento, eu muitas vezes sinto que nasci a ter de escrever para ti. "Ter" talvez seja um mau verbo, porque não é uma obrigação, e, infelizmente com o tempo, deixou também de ser uma vontade. É sim uma necessidade. Daquelas que se controla, mal, mas com o tempo se aprende a controlar. E o quão inevitável é ao falar de ti, não falar também no tempo. Nesse inimigo nosso, que nos arrastou tanto neste mar negro de correntes descontroladas. O tempo não é amigo de grupos. Ele somente auxilia os individuais. Pessoa por pessoa. E as pessoas é que se ajudam entre si. E talvez tenha sido isso que nós não conseguimos fazer. Aprendemos muita coisa, mas não fomos capazes de trocar esses ensinamentos. De abdicar deles, ou diria até, dar o braço a torcer e lutar por um amor que valia pena. E valia, até essa altura, mais que qualquer amor à face da terra.
É no entanto estranho escrever-te assim, tão directamente e sem meias palavras - se é que me entendes. Habituei-me aos disfarces, à ocultação de informação aos outros para ao máximo me tentar dedicar a ti. E sei bem que nesta parte já tu não acreditas. Tal como sei o quanto contrariado e magoado me estás a ler. A fome voraz que tens de não querer estar a ler isto. Mas mesmo assim não o deixas de fazer, porque tal como é uma necessidade minha escrever para ou sobre ti, também é uma necessidade tua ler-me. Palavra por palavra, muitas vezes mais que uma vez. Foste tu que me acentuaste esta minúcia pelas palavras. A querer elabora-las e a meter-lhes o drama, o exagero. Brincar com elas afogando-as em sangue. É uma característica tua, daquelas que qualquer um repara, e que para uns é estranho e para outros do mais dócil que há. Eu apaixonei-me pelas tuas palavras. Pela verdade delas até a uns tempos. Mas disso doem-te os ouvidos de tanto eu te obrigar a me escutares, e eu não o quero mais. De nada serve, e em toda a minha vida, se houve coisa que eu desejei mais do que tudo, era nunca te magoar. Falhei, redondamente. A minha maior falha provavelmente. Porque quanto mais o desejei evitar, mais o fiz, mais grossa foi a agulha que te enfiei na pele. Mas esta agulha era, literalmente, um pau de dois bicos. E quanto mais te penetrava, igualmente ou até mais eu sofria. Mais do que metade de mim, tu eras a minha vida. Disse-te coisas que nunca disse a ninguém, que ainda hoje não disse. Ás vezes custa, porque a vida ás vezes é assim, mas há significados que quero guardar só para nós. Mas não to prometo. Porque sabemos muito bem o quão difíceis são as promessas de cumprir. Eu meti-as na categoria de coisas impossíveis. E duvido que algum dia as tire de lá.
Tenho tanta e tão pouca coisa para te dizer. Porque se formos a ver bem... O que é que eu já não te disse? O que é que nos falta dizer um ao outro? Para ti nada, porque tens o coração a transbordar de raiva, de uma amargura tão dura que me quebra o coração. A última vez que falamos não foi das melhores, trocamos mais destas cartas, sinceras mas afiadas. E tu isso não perdoas. Não perdoas a dor que sentes. Nunca perdoas-te. Vinda de mim ou desse teu passado.
Mas queria que acima de tudo, mais que qualquer coisa neste momento, que tu estivesses a ler esta carta com o coração. Com aquele que eu conheci. Com aquele que eu amei e que tanto orgulho me deu. Eu nunca tive orgulho em ninguém a não ser em ti. É daqueles sentimentos dificílimos de eu sentir. Quem me conhece sabê-lo. E tu ainda me conheces. Ainda que o negues, que o recuses, tu conheces cada linha daquilo que sou. Por mais mascaras que eu eventualmente tenha vestido, por mais desvios da verdade pura, tu eras o meu manual de instruções.
O que me descansa também, é saber que a probabilidade de alguém ler isto para além de nós os dois é mínima. Ninguém lê textos grandes. Só os que vêm nos livros. Não é que tenha vergonha de ti, de me expor assim. Eu contava a nossa história ao mundo se ele a quisesse ouvir. Aprende-se tanta coisa ao escutar, também foste tu me ensinaste isto. Ainda que, julgo agora, tu já não tenhas os mesmos ideais. Mudas-te de filosofias, de ideias. Mudas-te. Mas não tudo, eu sei. E acredita nisso. Que de longe me és um estranho.
Eu sabia que ia chorar ao escrever para ti, porque há anos que o ritual é o mesmo. É uma dor tremenda que embate no meu peito, se o teu nome vem ou vai. É comum, é pequenino, mas é teu. E eu não conheço ninguém igual a ti. Para o bem ou para o mal, tu és único. Mas não és perfeito como eu julgava, tens defeitos. Mas todos os temos. Só não os descobri na altura certa. Descobri sim um amor arrebatador, que ainda hoje permanece. Sem lume que o esquente, mas aceso, como ditou em poemas Camões.
cansada de despedidas,
Mafalda

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

branco e mais branco.

Um vagão de brancura. Unhas vermelhas cuidadas. Gomas morango com muito açúcar. Os malévolos transportes públicos. Um certo receio das palavras. Demasiado calor. Poucas horas de sono. Pouca roupa para vestir & muita para lavar. Coisas por fazer antes do retorno estudantil. Saudades ainda por afogar. Uma óptima leitura O Dia Em Que Te Esqueci, da Margarida. Quarto por arrumar. Leves interesses novos & velhos. Falta de inspiração. Subida dos custos & descida de valores no meu cartão. Ódios musicais a transformarem-se em amor. Porém...
Uma branca repentina para a escrita, que já não acontecia a um bom tempo.
E agora?

driving driving

E hoje tive as minhas duas primeiras aulas de código. Foram ligeiramente cansativas, mas o que tem de ser, tem de ser.