sexta-feira, 10 de setembro de 2010
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
não te conheço.

Tento com todas as minhas forças fugir, ignorar o teu perfume no meu quarto, e pior, na minha almofada. Enoja-me, doí-me mais que vinagre puro vertido nos olhos. Sinto-me como o principe da Rapunzel: que estava cego quando te salvei da torre alta e austera que era a tua vida. De princesa tens muito pouco, só essa graciosidade que esconde o teu coração de pedra. (...)
chamemos-lhe frustração.

Sinto-me traída e assaltada. Sinto que tomaram decisões por mim, que ignoraram o patamar do admissível e a maldade foi mais forte que o bom-senso. Até que ponto temos direito sobre a vida de outrem? Que gozo demoníaco é este de perfurar a pele, onde mais dói, para abrir uma ferida profunda? Talvez este meu amor pelas pessoas me ajude melhor a percebe-las. É assustador a facilidade com que se desculpam os ignorantes. Ou melhor, os que se fazem passar por tal. Já que no seu mais intimo "eu", tudo foi na expectativa de fazer mossa. De causar danos. Chamemos-lhe um aviso, um daqueles avisos que se diz de amigo, mas nas costas riem-se maliciosamente, de lábios molhados em saliva vilã. Como quem possui finalmente a formula para a conquista do mundo, ao fim de uma vida inteira de tentativas. Nada vem ao acaso. No que trata a palavras, a confissões, a segredos revelados. Há duas situações apenas, o descuido por distracção e o "descuido" por malícia. E isso revolta-me até ao mais mísero fio de cabelo. A minha compreensão estagnou. Também eu em tempos defendia os que se auto-intitulam de «bons amigos». Quando que foram esses que sempre me magoaram e prejudicaram. Indirectamente, já que desses aí eu não tenho nem nunca tive. Arrecado com os dos outros, que de todo é ainda pior. Porque talvez, e infelizmente, seja impossível controlar aquilo que não é nosso.
nada vale realmente a pena.
Eu julguei realmente que as palavras me serviriam sempre de auxílio. Que mesmo quando o mundo me virasse costas, elas me acalmariam, e me trariam a paz de novo ao reinado do meu coração. Mas enganei-me. Depositei todas as minhas últimas esperanças nas palavras, que elas acalmassem ânimos, que tivessem significado e valor. Mas não têm afinal. Para certos ouvidos tornaram-se ocas e desprovidas de vitalidade. Tal como esperei religiosamente que ao escrever este sentimento horrível que me embate cá dentro acalmasse, e eu conseguisse voltar a dormir e a comer. Mas, repito, enganei-me. Ás vezes sinto esta minha admiração pelas palavras algo sem sentido e em vão. O que nos importa ter certezas de algo, se somos os únicos do mundo a pensar dessa forma? Poderão achar que isso é que é bom, a mentalidade aberta e os ideais diferentes e puros. Mas enganam-se, no final das contas só seremos os loucos imaturos a quem os outros reviram os olhos e desprezam. Pela primeira vez deparei-me com a realidade de que as palavras de nada me consolam. Que embora já o tenham feito tantas vezes, neste momento a situação é diferente e em nada elas me acalmam o peito aos soluços. Já não consigo chorar, e a garganta arranha sempre que tento falar. Tenho pânico do silêncio, logo a mim que sempre o adorei. Agora dou por mim a ter de ligar a televisão, mesmo que sem prestar atenção, só para que haja ruído em meu redor, e assim, eu me sinta menos sozinha. De pouco ou nada serve. Mas verdade seja dita, não tenho coragem de a desligar.quarta-feira, 1 de setembro de 2010
amor também é... amizade.
Senti o meu coração parar repentinamente, e em seguida quebrar-se em mil pedaços. O meu corpo fraquejou e senti-me desmoronar como a acrópole em Atenas um dia ruiu. Ele amparou-me a queda, erguendo-me com força pelos braços, que mais tarde vim a descobrir uma nódoa negra em cada um deles. Olhou-me nos olhos, numa mista de preocupação e revolta. Gritou o meu nome, e as lágrimas sem medo do olhar dele deslizaram-me pela cara como se fosse a ultima vez que teriam oportunidade de o fazer. Voltei a sentir força nos pés e assim equilibrar-me e soltar-me dos seus braços firmes. Os dentes dele estavam cerrados, e olhava sistematicamente para o local e para a pessoa que me tinha provocado aquela reacção. Abraçou-me, com o coração a transbordar de compaixão e apertos de inutilidade. Não sabia o que fazer. E isso deixava-o doente, ainda mais sendo eu o assunto. Então olhou-me nos olhos à procura de respostas, mas eu via tudo embaciado devido ao tremor do choro que expelia. Os meus lábios tremiam, como tremem tantas vezes no Inverno. Mas agora era do nervosismo e da angústia. Eu não estava preparada para encontrar novamente determinada pessoa, e a tristeza e a desilusão foram maiores que a boa disposição com que estava até à altura. Agarrou-me o rosto que cambaleava com as mãos, e enquanto me limpava as lágrimas intermináveis tentou acalmar-me. Disse que por vezes as pessoas têm que fazer escolhas. Ainda que nós muitas vezes não entendêssemos essas necessidades, mas a verdade é que elas existem e são realmente feitas. Exigiu-me que fosse forte, que aceitasse que o tempo não voltava atrás, e que as pessoas que realmente nos amam nunca nos abandonam. Que tudo pode ter sido maravilhoso num dia, mas no dia a seguir a escuridão pode muito bem invadir relações e provocar um fim. Gritou-me que eu não me sentisse culpada, que eu não podia fazer nada quando aquela pessoa decidiu mudar de vida, e infelizmente, não me incluir nela. Abraçou-me, e eu consegui finalmente regular a respiração e parar de chorar. Mas o meu coração ainda estava partido, e ainda hoje está. E eu sabia isso, já naquela altura, tal como ele. Beijou-me ao de leve nos lábios e os olhos dele ficaram inconscientemente húmidos. Odeia ver-me chorar, ainda mais quando acontece porque alguém me magoou. Afastou-se de mim e finalizou. Disse-me que me amava e que eu tinha de ser corajosa e aguentar tudo isto, ultrapassar a situação de cabeça erguida. Apagar as saudades e desistir. Porque nada iria voltar a ser como antes, por mais que eu o desejasse com todas as minhas forças...
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