sábado, 23 de outubro de 2010

17:00


Eu gosto de percorrer os meus dedos por entre o teu cabelo. Gosto quando o deixas crescer, porque adoro agarra-lo, cheira-lo e puxa-lo. Gosto da tua estrutura óssea. Gosto de explorar cada linha que te desenha o rosto. Gosto muito da textura da tua pele. Gosto dos teus olhos e de me perder neles. Gosto das certezas e das dúvidas que me oferecem, e adoro quando me presenteiam com lágrimas reais. Gosto das tuas orelhas. Gosto quando me escutam, adoro quando se encostam ao meu peito e o ouvem bater. Gosto das expressões que fazes, mesmo sem notares. Quando observas algo, quando estás contrariado, quando tentas em vão disfarçar o que sentes, até quando dormes ou estás feliz. Gosto, gosto do natural que tu és. Do especial, do particular, do trabalhoso que porventura possas ser. Há realmente muita coisa que gosto em ti. Na verdade, adoro. Adoro(-te) mesmo.

check-out


Meus desejos nefastos, tresloucados, desvairados e rigorosos. Meus sentimentos urbanos, pecadores e caprichosos. Minhas emoções excêntricas, desalinhadas, desvairadas e nada apaziguadoras. Minhas sensações mundanas, arrepiantes, vaidosas e com calafrios. Meus sonhos desavergonhados, descabelados e imaturos. Minha realidade de desejos, sentimentos, emoções, sensações e sonhos.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

drive drive

Nunca pensei que fosse possível uma pessoa ficar tão farta da condução. Já perdeu a "graça" toda. Estou mesmo a ver que quando acabar de tirar a carta não volto a pegar num carro!

sábado, 16 de outubro de 2010

20:12

pensamentos vastos.

Tem graça isso do egoísmo. São tantos os que se dizem solidários, preocupados primordialmente com o bem-estar dos entes queridos e depois com o seu. E mais engraçado que isso, é ser preciso viver certas experiências para entendermos o quanto isso é falso. O quanto, no fundo, nos preocupamos com nós próprios acima de tudo quando a vida nos aperta ou nos encosta contra a parede. Porque quando dói, doí-nos a nós. É como se costuma dizer: as piores dores são as nossas. E por mais que saibamos dos problemas dos outros e haja preocupação, não sofremos tanto assim. Falamos muito. Como diz o cantor «os problemas dos outros são tão fáceis para mim». Mandamos palpites, numa postura de seres sábios - de quem naquela situação saberia exactamente o que fazer. Mas não sabemos, de todo. A verdade é que somos sempre ignorantes até ao momento em que nos acontece a nós.

da autoria de Monteiro Lobato.

«Um país se faz com Homens e livros.»

before.

A paz balançou-se calmamente. Entre leves brisas transparentes, purificadas, com cheiro a pétalas de rosa. Os cabelinhos esvoaçaram uma vez ou outra, enfeitiçados, como raízes muito finas entranhadas na terra molhada. Soou o sino da igreja lá bem no alto, potente, mas num ecoar que desvanece. Chegara a hora. Foram limpas desajeitadamente as bainhas do vestido branco, volumoso, como que da realeza. E os passos foram largos, alegres, porém nervosos. Subira os dois degraus, sentiu-se feliz e exactamente onde deveria estar.