quinta-feira, 28 de outubro de 2010

terça-feira, 26 de outubro de 2010

51.

50.

liberté

Eu peguei com todo o cuidado naquele amontoado de folhas espalhado pelo chão humido, folhas dignas dos finais de Outono. Peguei-lhes com a destreza de ter o mundo nas mãos. Aquecias com o aconchegar dos meus dedos, encostei-as ao meu peito para que soubessem o que era ter vida. E elas mesmo assim voaram. Voaram destemidas, sem lamentações, sem despedidas. Como se fosse a sua essência, como um autêntico instinto. Enquanto as olhava esvoaçarem, ouvi-as cantarolar, muito baixinho com uma voz bastante aguda. Disseram-me felizes que eu podia ter essa dádiva que é a vida - tal como todos os outros humanos - mas elas tinham uma liberdade inigualável, aquela que nós nunca alcançaremos com a vida que levamos.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

tropeço.

Demorou, mas não o suficiente para morrer sem me aperceber. Percebi a enorme asneira que porventura andava a fazer - percebi que mesmo sem dar conta voltei a olhar só para o meu umbigo. Por vezes para demonstrar as nossas boas intenções escolhemos as acções erradas. E acho que foi isso que aconteceu comigo. Quero tanto o melhor para ti, que acabo por só te fazer andar para trás. A verdade, e aquilo de que realmente me apercebi, é que tu já não precisas assim tanto de mim. E isso sempre me soou tão estranho, que, agora que é uma realidade, os meus olhos nem o quiseram enxergar. Há muito que deixei de ser eu o motivo da tua felicidade, e eu fui convencida ou ignorante o suficiente para demorar tanto tempo a ver as coisas como elas são. Deste o passo que eu sempre desejei que desses, e eu, cega e surda não percebi. Preocupei-me mais com o negativo do que com o positivo. Estás a fazer a tua vida, à tua maneira tão "especial", mas estás. E eu cheguei à conclusão que não te quero de todo arrastar. Tenho muito orgulho na força que estás a ganhar e lamento, sinceramente, o travão que tenho sido.

sábado, 23 de outubro de 2010

17:00


Eu gosto de percorrer os meus dedos por entre o teu cabelo. Gosto quando o deixas crescer, porque adoro agarra-lo, cheira-lo e puxa-lo. Gosto da tua estrutura óssea. Gosto de explorar cada linha que te desenha o rosto. Gosto muito da textura da tua pele. Gosto dos teus olhos e de me perder neles. Gosto das certezas e das dúvidas que me oferecem, e adoro quando me presenteiam com lágrimas reais. Gosto das tuas orelhas. Gosto quando me escutam, adoro quando se encostam ao meu peito e o ouvem bater. Gosto das expressões que fazes, mesmo sem notares. Quando observas algo, quando estás contrariado, quando tentas em vão disfarçar o que sentes, até quando dormes ou estás feliz. Gosto, gosto do natural que tu és. Do especial, do particular, do trabalhoso que porventura possas ser. Há realmente muita coisa que gosto em ti. Na verdade, adoro. Adoro(-te) mesmo.

check-out


Meus desejos nefastos, tresloucados, desvairados e rigorosos. Meus sentimentos urbanos, pecadores e caprichosos. Minhas emoções excêntricas, desalinhadas, desvairadas e nada apaziguadoras. Minhas sensações mundanas, arrepiantes, vaidosas e com calafrios. Meus sonhos desavergonhados, descabelados e imaturos. Minha realidade de desejos, sentimentos, emoções, sensações e sonhos.