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Ainda que fim-de-semana prolongado seja sempre magnifique, este esperasse com algum trabalhinho. Tenho de iniciar o trabalho sobre a imagem institucional da Benetton, dar uma passagem no do Acidente do Golfo do México (tema que não lembra nem ao menino Jesus) e uma revisão na matéria para o teste de Publicidade. Mais tarde irei pedir sugestões para um filme que tenho de produzir, está bom? Eu depois explico melhor.
Bom Halloween!
Eu queria ser forte. Queria ter força interior suficiente para agir, e provocar admiração por mim nos outros. Que o meu namorado dissesse ás pessoas que o rodeiam, de coração a transbordar de contentamento, o quanto sou lutadora e não me deixo ir abaixo com facilidade. Mas eu não sou sempre assim, e acabo por me desiludir. Gostava de não dar tanta importância ás situações e não ter este horrível defeito que é ver sempre os dois lados da moeda. Ser prática, vendo somente o meu lado da questão e não me preocupar tanto com os outros envolvidos, com as diferentes perspectivas, não permitindo assim que sejam esses afectarem-me mais. Mais do que aquilo que dói no meu peito fraco. No fundo, talvez queira também dar-me com pessoas melhores. Não digo pessoas como eu. Mas das que não procuram conflitos, que se deixam estar e se dedicam ao que é realmente importante.
Entrei nesta nova etapa da minha vida (à um ano atrás) muito anti-amigos e muito mais trabalho. Mas as relações e os laços - por menos alimentados que sejam - são definitivamente inevitáveis. Até que, verdade seja dita, é muito difícil viver sem eles - quanto mais, no sitio onde passamos maior numero de horas dos nossos dias. Mas é preciso ser realista e saber escolher. Mas há também que entender aqui, que se estiverem numa ilha consideravelmente limitada, com um certo número mínimo de pessoas, dificilmente conseguiram não ter qualquer contacto com uma/duas delas. - passo o exemplo. Talvez eu não saiba bem o que procuro, e a verdade seja essa. Percebi que os laços dificultam o trabalho, mas a falta de laços prejudica o ambiente. Entre outras divergências, a nossa motivação escorre, porque não tem sequer uma troca de interesses ou de execuções com outrem. Há uma sensação de abandono, que por mais que seja o amor à arte, sozinhos não evoluímos. Talvez haja quem consiga trabalhar bem assim, mas eu não. Tal como não o consigo se der muito valor ás relações estabelecidas nos locais onde estudo, porque me distraem. Preciso então de um meio-termo. E o problema é esse, nem eu sou suficientemente forte para ignorar nem o dito meio-termo é possível no local onde me encontro.
Há dias maus e insuportáveis, que para nossa sorte, têm mais de 24 horas.
Eu peguei com todo o cuidado naquele amontoado de folhas espalhado pelo chão humido, folhas dignas dos finais de Outono. Peguei-lhes com a destreza de ter o mundo nas mãos. Aquecias com o aconchegar dos meus dedos, encostei-as ao meu peito para que soubessem o que era ter vida. E elas mesmo assim voaram. Voaram destemidas, sem lamentações, sem despedidas. Como se fosse a sua essência, como um autêntico instinto. Enquanto as olhava esvoaçarem, ouvi-as cantarolar, muito baixinho com uma voz bastante aguda. Disseram-me felizes que eu podia ter essa dádiva que é a vida - tal como todos os outros humanos - mas elas tinham uma liberdade inigualável, aquela que nós nunca alcançaremos com a vida que levamos.
Demorou, mas não o suficiente para morrer sem me aperceber. Percebi a enorme asneira que porventura andava a fazer - percebi que mesmo sem dar conta voltei a olhar só para o meu umbigo. Por vezes para demonstrar as nossas boas intenções escolhemos as acções erradas. E acho que foi isso que aconteceu comigo. Quero tanto o melhor para ti, que acabo por só te fazer andar para trás. A verdade, e aquilo de que realmente me apercebi, é que tu já não precisas assim tanto de mim. E isso sempre me soou tão estranho, que, agora que é uma realidade, os meus olhos nem o quiseram enxergar. Há muito que deixei de ser eu o motivo da tua felicidade, e eu fui convencida ou ignorante o suficiente para demorar tanto tempo a ver as coisas como elas são. Deste o passo que eu sempre desejei que desses, e eu, cega e surda não percebi. Preocupei-me mais com o negativo do que com o positivo. Estás a fazer a tua vida, à tua maneira tão "especial", mas estás. E eu cheguei à conclusão que não te quero de todo arrastar. Tenho muito orgulho na força que estás a ganhar e lamento, sinceramente, o travão que tenho sido.