domingo, 14 de novembro de 2010

rain.

Eu julguei sinceramente que estaria preparada para a chegada desta fase, mas afinal estava enganada. Não estou. Demorou muito tempo a iniciar-se, sabes, e a minha preparação psicológica fugiu. Encolheu-se tanto até desaparecer. Como um grão de areia desaparece no mar. O coração era maior que esta predisposição minha para que ambos avançássemos, e ela não foi capaz de se impor. Eu sei que estás bem. Para ti, tu próprio estás bem. Sei que mudaste. E sei que porventura estás igual a antes - só não sei em que altura entranhar este "antes". Mas não te preocupes. Não estou magoada, não estou feliz. Simplesmente não estava a espera. Mas não deixa de ser uma golfada de ar à enorme culpa que sinto, o facto de que quem sabe afinal, quem abandonou o barco primeiro, foste tu.

21:12

sábado, 13 de novembro de 2010

ao espelho, a história.

Hoje sinto-me como Marie Antoinette no dia em que forçosamente abandonou Versalhes, no decorrer da pura revolução francesa. Olho-me ao espelho e vejo o rosto dela, chorando, a despedir-se do palácio que a acolheu e bem tratou. Onde se casou com um príncipe que desconhecia e amou o seu amante e único amor. Onde teve três lindas crianças, entre as quais a única menina, Maria Teresa - a única sobrevivente da maior revolta do povo em toda a História. Encontro-me nos seus lábios bem delineados, frágeis e trémulos quando se encontrou presa pelos aldeões e afastada do seu marido que mais tarde veio a saber decapitado. Visualizo o pavor de estar nas mãos de revoltos, de loucos geridos pela extrema pobreza e injustiças várias. E pensar ela que quando estes lhe pediram auxilio devido à falta de alimento, ela lhes foi arrogante e disse «se não têm pão, comam bolos!». Descubro-me no seu arrependimento preso nas maças do rosto e na testa muito tensa que dói. Encontro o desamparo e o frenesim interior de ver o seu último filho homem morrer, já que o outro também lhe havia morrido mas nos seus maternais braços ainda em Versalhes. Recordo nos olhos húmidos os gastos dispendiosos e desnecessários que tanto ela e a corte desvalorizaram: as aulas de piano, o típico vicio do jogo, até o palacete que o marido, rei de França, lhe oferecera pela vinda do primeiro filho ao mundo. Todos os sapatos e vestidos, jóias e doces - até o chá que lhe enviara o Imperador da China se arrependera de ter bebido ao invés de tê-lo dado ao seu povo. Ignorara-os, tanto ela como o marido, porque a ingenuidade também era muita para alguém tão novo mas com tanto poder. Chegara a França com apenas 14 anos, lembrava(-me), e aos 18 tornou-se a mais nova Rainha de França. Mas agora também eles lhe ignoravam as lamúrias e promessas desesperadas sem fundamento. Eles só queriam vingança. A vingança de uma rainha, que em todo um grandioso mandado, apenas foi rainha dela própria.

blá blá

Eu, doente, acamada, e com dores de dentes até me esqueci disso por momentos ao ver o filme que passou esta tarde na tv, "O amor não tira férias". E é curioso, em como por momentos, não são só os medicamentos que nos aliviam.
Mas fim-de-semana não é só prazeres, ainda tenho que estudar Marketing, mas com o almoço decerto prolongado de amanhã, nem sei como vai ser. Outra situação é que tenho/preciso de ir ás compras, e na minha opinião, este mercado anda de pé p'ra cova porque ainda não vi nada pelo qual me apaixonasse. Preciso dumas botas pretas de cano alto, sem falar de roupa quente que também dava muito jeitinho - e já agora do casaco comprido da rapariga que vi ontem na paragem, era simplesmente perfeito, e embora a minha analise profunda e descarada não consegui descobrir de que loja era. Maldita!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

lava.

É realmente difícil fazer decisões quando as escolhas não existem. As perguntas retóricas são a nossa segunda língua, e o podes agora é tens. Por isso movo-me sobre a calçada de terra batida, como António caminhou em busca dos peixes para pregar. A cabeça cambaleia - ainda não está segura - mas não descaiu e rolou no chão. Mas é isso que importa, o que se tem, porque ainda se pode.

eruption.

É muita a pressão. Tornasse uma estadia abominável e desconfortável. Dá-me sede de ida sem retorno, de palavrões sem os propriamente dizer. São as anáforas, as hipérboles, as antíteses, como lhes quiserem chamar... Revolta como tempestade em copo de água, e esvazia, como jarro que não entorna. Há calor e frio ás reviravoltas, um carrossel vivo, mas indecente, malcriado e desnecessário. Esgota. E não há melhor termo que esse para descrever a pressão. Cansa. Transtorna, como diria alguém que em tempos conheci. E são poucas as soluções. Dão trabalho e exigem muito de nós. E a paciência está esgotada, infelizmente. Foi toda derramada, pelo jarro que não entorna.

volcano.

Eu não queria que desvanecesse, que emergir-se na penumbra das profundezas do oceano. Porque é difícil de digerir, de encaixar, de aconchegar as más sensações no coração: parece que não há espaço para elas, e se houver, dói muito preenche-lo logo com mágoas. A esperança é a maior bóia de salvamento, mas a realidade é mais fácil de aceitar do que a expectativa de que algum dia tudo brote. Demora, e ninguém gosta de esperar. Como um nenúfar, como o lótus tatuado no meu pescoço. É doloroso esperar pelo desflorar, pela bonita epifania do positivismo. As recordações são teimosas, e eu também. Por preferir uma mão dormente vazia, a uma fechada mas com algo lá dentro. O ser humano tem uma forte necessidade do controlo, e só se contrala aquilo que se tem, não é?