Hoje foi o pior dia - a esperança que melhores viram morreu temporariamente.
segunda-feira, 28 de março de 2011
domingo, 27 de março de 2011
deste meu amor à escrita.
Tenho medo de um dia perder esta capacidade de escrever e, mais que isso, perder este amor imenso de o fazer. De deixar de chorar tantas e tantas vezes enquanto escolho frases, histórias, pensamentos... de deixar de sentir realmente tudo o que aqui coloco - seja unicamente da minha mente ou situações que vivo ou assisto de camarote. No outro dia vi na televisão uma senhora que apenas aos oitenta e muitos anos é que conseguiu publicar os seus dois livros, quando que já escrevia desde muito jovem (como eu). E eu tenho medo disso mesmo: que a vida se navegue por outros lados e eu, aos poucos, me afaste sem notar deste meu hábito da expressão. E que um dia, daqui a muitos anos, olhe para trás e lamente não o ter alimentado mais e não ter feito dele mais do que um hábito.sábado, 26 de março de 2011
circulando.
A vida é um círculo perfeito. O segredo é passar-lhe sempre o fio rente às curvas, mas sem nunca lhes tocar. Saborear o que ele nos trás e o que lutamos por ter. É saber apreciar o que conquistamos e ter a capacidade de deixar ir aquilo que já passou. Aquecer bem o presente na concha das mãos, deixar o passado ir ao suave sabor do vento e caminhar firmes em destino ao futuro. É precioso saber também aceitar as nossas próprias decisões, não viver face ao arrependimento e à amargura. Não deixar jamais o circulo encolher, emergindo numa penumbra para onde ambos caem. As lamentações ficam para o final da vida. Para quando se sabe que não há mais futuro, e mesmo assim, evitar as lágrimas salgadas que derretem nos lábios mas sim fazer este sorrir - porque a vida é um círculo perfeito que nos foi entregue enquanto dádiva. Mas o problema é não esquecer que, infelizmente, é apenas um só.sexta-feira, 25 de março de 2011
(re)encontro.
Ela olhou-o com o mesmo olhar de sempre. Como que se sorrisse mas sem esboçar um sorriso no rosto. Entrelaçou um pedaço de cabelo nos dedos e respirou fundo - esperava que ele desse o primeiro passo, como esperava sempre, por ele ser muito mais determinado que ela.Os olhos dele semi-serraram, era difícil concentrar-se, era difícil falar quando se tem algo tão belo para observar. Não a via faz tempo. Estava um pouco diferente, ainda que com os traços que sempre conheceu. Antes conhecia-lhe cada linha que desenhava o seu rosto tão feminino - adorava a sua estrutura óssea, e agora surpreendentemente, passado tanto tempo, ainda gostava mais. O cabelo pareceu-lhe um pouco mais escuro, mais longo, e menos ondulado. Era quase liso, e isso foi-lhe uma pontada no peito. Parecia tão adulta. E o problema é que já o era. Não pudera ver os seus últimos anos de adolescente. Era agora uma jovem adulta, mais bonita, mais confiante, mas mais desconhecida para si. E só deus sabia quantas noites isso o atormentou o sono. O tempo parecia parar quando a olhava nos olhos, ainda que doesse muito - eram tão seus, e em tempos gritavam o seu nome e todo um conjunto de palavras bonitas. Tinham a cor da madeira molhada, do tronco do pinheiro de Natal. Eram quentes e envolventes, tal como ela, quando se conheceram.
Ela mordiscou o lábio rosado e decidiu dar um passo em frente pegando-lhe numa mão. Afagou-a com todo o cuidado do mundo, sentiu-lhe a textura da pele, apertou-a com força e levou-a ao seu rosto. Fechou os olhos e chorou. Chorou pela saudade, pelo cheiro que era o mesmo, pela textura mais rígida de mãos de homem, pela ausência de todo este tempo, pela falta inconfundível que lhe fez ao coração. Chorou e fê-lo a ele chorar também.
Abraçaram-se por fim como um só corpo e, por segundos, foi como se o tempo nunca tivesse passado por eles. (...)
a arte da pantomina.
Tenho medo de te falar. Por mil e um motivos, dos mais seguros aos mais ridículos. Antes de tudo tenho medo que me trates mal - que me abomines como a terra abomina o mar -, tenho medo de estar a errar, que voltar só me magoe mais - porque enquanto tu estás zangado e revoltado, eu estou triste e num beco sem saída, daqueles sem luz alguma, ar puro ou uma breve sinfonia. Tenho também receio de estar a cometer um erro. Porque esta situação é mais difícil para mim do que imaginas, e tu não ajudas, de todo. Preferiste a pantomina como porto seguro, enquanto eu fiquei com as mãos carregadas de nada.entrelinhas.
Estranha é esta pequena sensação de solidão em mim. Há muito que não vagueava por cá, tão solene e insólita, fraca para me quebrar o coração mas forte o suficiente para o amachucar deixando-o meio disforme. É a primeira vez que nos afastamos e sinto que tu não te importas. E isso corrói-me o pensamento e tudo aquilo que ainda nutro por ti. Não foste capaz de esperar, e quer o queiras quer não - mesmo que estejas coberto de razão - essa tua facilidade aparente em desistir quer dizer muita coisa... Coisas tais que a mente já me tinha alertado em segredo, e o meu coração palerma se recusava a ouvir.
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