quarta-feira, 18 de maio de 2011

bff.

E-mail from Carina:
"(...) Sempre achei que tinhas muito jeito para a escrita e és bastante criativa. Ao ler o teu blog eu pensava comigo: onde é que ela vai buscar tudo isto? Estes sentimentos? Por vezes até pensava que estavas menos bem ou que podias estar a passar por uma fase má só ao ler os teus textos e ficava preocupada… Mas sempre adorei o que escrevias/escreves. (…) Pelo que sei a maior parte das pessoas que escreve ou já teve experiências de vida complicadas ou já são mais velhas, porém não ponhas essa ideia do livro de parte. Talvez num futuro próximo sintas que está na hora. (…) Acho que deves pensar sinceramente nisso. Não te digo isto porque te considero a minha melhor amiga e me fica bem dizer-to para não ficares triste, mas é o que acho mesmo. Tu tens feitio, tens talento e porque não escrever um livro? Obvio que terás que aprender técnicas possivelmente - porque não se escreve um livro de qualquer maneira - mas penso que não deves desistir nem achar que não és suficientemente “velha” ou “boa”. (...)"

terça-feira, 17 de maio de 2011

asas negras, asas brancas.

Hoje quase me fizeste meter tudo em causa. Eu voei e tu permaneceste em terra. Eu senti as vibrações mais ternurentas do céu longitudinal, eu senti a frieza da desilusão e a frescura aromática da paixão. Eu esvoacei as minhas asas com cautela mas também arrisquei correndo o risco de embater no chão muitas vezes, é verdade. Mas por apreensão minha e da vida, correu sempre tudo bem. Nunca perdi valor, dignidade, nunca subi demasiado alto para aquilo que sou capaz e acredito. E tu ficas-te aí, a apalpar terrenos duvidosos, a ir contra tudo aquilo que eu sabia de ti. Lamento que vejas o facto de eu voar como uma prova de que não sou nem nunca fui tua, tal como eu lamento que não tenhas sabido voar - não digo como eu - mas com alguma esperança em cada pena dessas tuas asas de pequeno pássaro.

heartbeat

Porque é o inexplicável a maior frustração do homem,
se é a verdade a maior frustração do coração?

segunda-feira, 16 de maio de 2011

pequeno amor.

Hoje pensei em dizer-te cada uma destas palavras, mas depois cheguei a conclusão que por vezes, se o que se quer dizer não contribui para melhor, então que se guarde as palavras para nós.
É estranho ver-mos alguém que em tempos amámos, e principalmente, que nos amou a nós, amar uma pessoa nova. É sempre estranho, é sempre aquela obscura sensação de pertença, de estranheza, de que ainda que sentimentos mais fortes se tenham dissipado, em tempos aquele alguém foi o nosso amor, e agora, por trocadilhos da vida, é o amor de outro alguém. A vida foi feroz connosco, a distância sempre foi a pedra no nosso sapato, tal como a idade que atravessávamos. Ainda assim julgo que se senão fosse a distância, tudo teria funcionado. Tu eras o homem ideal para mim. Tinhas o humor que mais aprecio, o puro humorista que faz troça e não se importa em expor. Tinhas a mente, a capacidade de raciocinar que eu
mais admirava. Tu problematizavas, vias os dois lados da questão, não julgavas e isso foi talvez isso que mais me apaixonava em ti. Tinhas o bom-amigo dentro do teu coração. Estiveste sempre lá, quer eu precisasse, quer não. Tu ouvias. Ouvias-me a mim que mais ninguém ouvia. Apoiavas a minha escrita, ainda que talvez nunca tenhas acreditado que ela vingasse. Talvez a palavra amar seja demasiado forte para descrever os sentimentos que percorremos. Mas era amor. Era amor porque ainda o nutro por ti. Disfarçado, mais suave, como um carinho ternurento por algo que ainda sentimos que nos pertence. Estás feliz. E era isto que te queria perguntar. Porque eu estou. Ainda com os meus altos e baixos que soubeste há tantos anos atrás, mas feliz por tal como tu ter encontrado alguém que não mora longe. Um dia escreverei um livro, e também to dedicarei a ti. Porque enquanto maior critica e defensora do amor, sei reconhecer que foste tu que me deste a mão nos meus primeiros passos na maré das paixões. E por isso mesmo, só tenho a agradecer.
p.s: quer o destino que tu me leias, pois por minhas mãos não te farei chegar estas palavras. Estás feliz, e a antigos amores, é tudo aquilo que mais desejo.

domingo, 15 de maio de 2011

far away.

Eu queria falar de ti - mas não posso. Não posso porque tu me descobririas, não posso porque tu me lerias. E entre nós, as soluções são já miragens. Queria falar "de" ti e não "para" ti apenas por descargo de sentimentos acumulados ao longo de todos estes anos. Queria escrever sobre ti, para deixar a mágoa, a desilusão e os nervos irem embora e não regressarem mais. A cada dia que passa acredito mais no que dizem, quanto às pessoas que mais amamos serem as que mais nos desiludem. E tu desiludiste-me mais do que qualquer outra pessoa na minha vida. Logo tu, que eras das pessoas mais importantes para a minha sobrevivência. Agora vivo bem sem ti. Porque embora as tuas palavras-mágicas, lá no fundo, nunca acreditei que fossem realmente reais. E é por isso que chegaste ao fundo do meu poço. Daqui já não passas, não me consegues desiludir mais porque também já só me deixas zangada - mas comigo mesma, por ainda deixar que tu sejas ponto influênciador dos meus dias. Não te quero mais, acreditei realmente inocente que nunca te diria tal, um dia, mas estava mais do que iludida. Quer gostes ou não, esta altura é mais do que hora de dizer que só (me) faz falta quem está do meu lado - ao sabor do mesmo vento que eu, e não a navegar contra ele.

sábado, 14 de maio de 2011

sopro do coração.

Ás vezes julgo que a felicidade me tira a capacidade de escrever. Me afasta da ternura das palavras, me faz regredir naquilo que mais gosto de fazer. E isso não deixa me deixar apreensiva. A felicidade não é um bem adquirido, ela conquista-se por nossas mãos mas também corrói pelas nossas e pelas de terceiros. Por isso mesmo, quase que me faz desejar nunca ser completamente feliz. Porque não deixar nunca de escrever, de acreditar na intensidade e garra que cada letra tem a ponto de todas juntas formarem as mais maravilhosas palavras, frases, contos, romances, histórias de vida. Lamento os que padecem de surdez, que não podem escutar o voraz barulho do mar. Lamento os que não distinguem sabores, que não conseguem provar o requintado sabor do chocolate. Lamento ainda os que são desprovidos de olfacto, que nunca sentiram a brisa das flores na primavera. Mas lamento sobretudo, com todo o coração, aqueles que não vêm. Que nunca puderam vislumbrar um livro, sentir a vibração das letras pequeninas a brincar com os nossos olhos que as lêem e com o nosso coração que se enche quando estas são das bonitas.

da autoria de Ivar Corceiro

"(...) A vantagem de ser criança é essa: acreditarmos que alguma coisa ou alguma pessoa pode ser a mais não sei o quê do mundo. Um carro em miniatura pode ser o mais rápido do mundo, um boneco do super-homem pode ser o mais forte do mundo, um chocolate pode ser o mais saboroso do mundo e a cama onde se dorme pode ser a mais confortável do mundo. Dizemo-lo acreditando que é verdade. É o estado de adulto que nos tira essa capacidade. O nosso carro pode até nem ser mau, mas se tivéssemos dinheiro comprávamos um melhor. Quando vamos jantar fora e gostamos do sabor, acabamos sempre a conversar sobre outros restaurantes mais famosos. Já nada é o melhor do mundo. Resta-nos o Amor nessa decadência determinista do mundo. Resta-nos apaixonarmo-nos para tornar a acreditar que é verdade que uma mulher é a mais bonita do mundo. E quando lhe dizemos isso ela até pode responder, porque também já é adulta, que lhe estamos a mentir. É aí que eu penso sempre que ela não percebe nada sobre ela mesma. É tão cega que nem sequer sabe que é a mais bonita do mundo. E ainda bem, porque se soubesse talvez eu nem gostasse dela."