quarta-feira, 14 de setembro de 2011
morte escolhida.
Se o cachecol te aconchegasse verdadeiramente a garganta, não morrerias enforcado. Estarias antes quente, aconchegado, embalado num sono perpétuamente doce. De cheiro a alfazemas, a mel e cerejas congeladas e não a toda essa podridão. Terias os olhos num brilhante azul esverdeado devido à magia e à auto-satisfação e não esbranquiçados. Terias sido mais homem. Mais corajoso senão tivesses morrido. Mas pelos vistos não o eras, ou talvez, nem o nunca tenhas sido.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
tributos.
A ti, alguém que és, que me demonstras constantemente a diferença ténue entre o calor e o frio, entre a compaixão e o ódio, entre a morte e o nascer. A ti, lua de todas as noites desafogadas, que me embalas no teu relento, escuridão e silêncio obsceno. A ti, voz insana que tanto escuto, por todas as lições, surpresas, desilusões e esticões na pele a que me expuseste. A ti, meu longínquo e rosado mar, que me colhes com toda essa imensidão arrepiante, que me julgas quando te envio pedras. A ti, sentimento mútuo, que te reproduzes, embrulhas e desfazes à mesma velocidade com que me lavo para te tirar do corpo. A ti, amor que tanto me consomes, desolas e provocas. E a ti, meu amor algures, que tanto me casas, foges e atormentas mais que qualquer outra coisa no mundo.paladares, línguas e (des)gostos.
O coração reparte-se. Entre o livro e o feiticeiro. Entre a cabra e o guião. A mascara cai, lenta e trémula que só ela. Vinga o clarão de luminosidade a uma esfregadela dos olhos, uma dor de cabeça e um palavrão. O coração corrói-se, quente, esponjoso e preto. Preto como a pele que camufla o ser ou não ser. Vêem os navios com os gregos, os cavalos com os troianos, vêm as palavras de outra época e o cheiro que ladra no ar. Humedece a ocasião, num coração que esmigalhado se refresca. Lambe-se a si próprio para uma noção final daquilo de que era realmente feito. Também nós nos deveríamos lamber mais vezes - para nos apercebermos do que está mal em nós, para evoluirmos e termos um melhor sabor.domingo, 28 de agosto de 2011
artigo de opinião #1 - relações.
Eu acredito que uma mulher é capaz de mudar um homem. E é por isso que não entendo as relações passageiras, de meses, à base da falta de respeito e da pouca dedicação mútua. Quando falo em mudar, falo na mais bela e positiva das mudanças, não daquelas que deixam magoa porque foram, precisamente, magoados pelos desvios à fidelidade da parceira. Eu acho que, nós mulheres, se quisermos realmente, se tivermos dispostas a tal entrega, conseguimos mudar realmente o mundo. Pegamos no mais aventureiro dos homens, no com piores maneiras, no infiel, no desajeitado, no indiferente e conseguimos faze-lo mudar. Não mudar por obrigação ou por pedido, fazemo-lo querer mudar, para que se entregue a nós de uma melhor maneira, para nos fazer feliz e retribuir de braços abertos todo o amor que nós lhe dispusemos e que, até à altura, nunca ele tinha provado igual. E ele não será uma pessoa diferente por isso, continuará a ser ele, com a sua personalidade irreverente, mas será um homem que é e quer ser amado de verdade. E isso, fará a maior das diferenças quanto à qualidade e durabilidade de uma relação.
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