És tão frio - e essa calamidade assusta-me. A tua falta de tacto para certas coisas, certas preocupações, certas histórias e, por consequência, certas mágoas. Confundes-me, colocas-me numa ilha isolada de pensamentos atribulados. Às vezes não sei se dizes as coisas por dizer, ou se as sentes realmente e trazes escondida em ti toda essa maldade. No bolso das calças, que parece sempre tão cheio - talvez seja disso. Disso e de tudo. Talvez seja isso que me cegue, perfurando-me.quinta-feira, 15 de setembro de 2011
parou.
És tão frio - e essa calamidade assusta-me. A tua falta de tacto para certas coisas, certas preocupações, certas histórias e, por consequência, certas mágoas. Confundes-me, colocas-me numa ilha isolada de pensamentos atribulados. Às vezes não sei se dizes as coisas por dizer, ou se as sentes realmente e trazes escondida em ti toda essa maldade. No bolso das calças, que parece sempre tão cheio - talvez seja disso. Disso e de tudo. Talvez seja isso que me cegue, perfurando-me.quarta-feira, 14 de setembro de 2011
everything.
Alecrim solidário. De cheiros mil e gritos trinta. Olhares cruzados pelos ares históricos. Em que pedaço de céu voou o primeiro avião? E quem o guardou num frasco? Às primeiras gotas de agua onde os navios dos descobrimentos flutuaram. Quem as tem? Emolduramento das primeiras folhas da primeira árvore do mundo que caíram. Dissecação do primeiro e último ser vivo a falecer no planeta. Crescimento mórbido dos desejos, fuga da simplicidade. Admiração pela honestidade, esses trilhos percorridos com turbulências. Faíscas dos maiores e piores raios sobre a primeira pele humana que não apodrece.O amor, tal como a vida, é uma fórmula que infelizmente não está disponível a todos.
morte escolhida.
Se o cachecol te aconchegasse verdadeiramente a garganta, não morrerias enforcado. Estarias antes quente, aconchegado, embalado num sono perpétuamente doce. De cheiro a alfazemas, a mel e cerejas congeladas e não a toda essa podridão. Terias os olhos num brilhante azul esverdeado devido à magia e à auto-satisfação e não esbranquiçados. Terias sido mais homem. Mais corajoso senão tivesses morrido. Mas pelos vistos não o eras, ou talvez, nem o nunca tenhas sido.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
tributos.
A ti, alguém que és, que me demonstras constantemente a diferença ténue entre o calor e o frio, entre a compaixão e o ódio, entre a morte e o nascer. A ti, lua de todas as noites desafogadas, que me embalas no teu relento, escuridão e silêncio obsceno. A ti, voz insana que tanto escuto, por todas as lições, surpresas, desilusões e esticões na pele a que me expuseste. A ti, meu longínquo e rosado mar, que me colhes com toda essa imensidão arrepiante, que me julgas quando te envio pedras. A ti, sentimento mútuo, que te reproduzes, embrulhas e desfazes à mesma velocidade com que me lavo para te tirar do corpo. A ti, amor que tanto me consomes, desolas e provocas. E a ti, meu amor algures, que tanto me casas, foges e atormentas mais que qualquer outra coisa no mundo.paladares, línguas e (des)gostos.
O coração reparte-se. Entre o livro e o feiticeiro. Entre a cabra e o guião. A mascara cai, lenta e trémula que só ela. Vinga o clarão de luminosidade a uma esfregadela dos olhos, uma dor de cabeça e um palavrão. O coração corrói-se, quente, esponjoso e preto. Preto como a pele que camufla o ser ou não ser. Vêem os navios com os gregos, os cavalos com os troianos, vêm as palavras de outra época e o cheiro que ladra no ar. Humedece a ocasião, num coração que esmigalhado se refresca. Lambe-se a si próprio para uma noção final daquilo de que era realmente feito. Também nós nos deveríamos lamber mais vezes - para nos apercebermos do que está mal em nós, para evoluirmos e termos um melhor sabor.
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