sábado, 8 de outubro de 2011

O que é nacional também é bom.

Este é um programa da Carmo super original chamado "Bloggers of Portugal" que consiste em mini entrevistas a bloggers de moda e as suas perspectivas. Aqui fica o do Artur Araújo e o da Vanessa Santos:


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

por um momento.

Não esperes nada de mim. Às vezes sou triste e infeliz - às vezes nem sei quem sou. Eu já sofri demasiado por outro amor, não te estou a comparar, mas tenho traumas para esquecer... Porque sempre que penso que me libertei e que me posso entregar finalmente, vem a tona a desconfiança e toma conta de mim. Tu queres que eu esqueça e que viva um novo amor mas preciso de tempo para esquecer tudo o que se passou. Olha-me nos olhos e beija-me, mata este meu desejo só por um breve momento. Faço-te um pedido: sê tu mesma, antes que anoiteça, e faz com que eu me esqueça de tudo o que eu sofri.

música de Alexandre Pires, adaptação minha em texto.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

dos amores.

Às vezes perco-me na tua própria perdição. Talvez preferisse que me dissesses de uma vez por todas, que para ti, já nada existe. Que não te sou nada. Que os sentimentos-fruto que colhemos das nespereiras já se amachucaram demasiado. Por sol em demasia. E coração também.

domingo, 2 de outubro de 2011

days days.

Ao contrário de toda a minha vida, quando entrei neste local de ensino eu dei o triplo de mim. Eu quis ser a melhor aluna, ter testes bem acima do razoável, ter as melhores médias. Eu decidi crescer, deixei de brincar tanto porque percebi o quanto isso me distraía e prejudicava nos meus objectivos. Fiz, no fundo, finalmente jus à idade que tenho. Até à altura tinha as piores notas e os melhores colegas. Desde à dois anos que tenho as melhores notas e os piores colegas. E, ainda que as vezes isso seja difícil de suportar, fez-me ver que talvez nem toda a gente me visse para além de uma pessoa alegre. Aqui, onde estou, vêem em mim tudo aquilo que não sou. Acham-me fraca, falsa e secante. E quando brinco, acham que me esforço para tal, que não é algo natural. Eu, que nunca tinha ouvido tais adjectivos dirigirem-se a mim. Isto começou aos poucos, porque sou muito diferente deles: sou das mais velhas, a que tinha experiênciado mais vivências e a única que já tinha habilitações tal como um nível de ensino mais acima do deles. E eu tinha dado o salto, percebido de que as coisas agora eram a sério, e eles continuavam a brincar, como tinha eu feito antes de entrar para este novo mundo e conhecê-los. Se fosse à uns anos atrás, pensaria que "queria lá saber", há mais gente. Mas ali é diferente. É necessário que haja uma certa ligação, estamos muitas muitas horas juntos num espaço escolar que não é assim tão grande. Sentiu-se aquela breve rivalidade dos cursos, a trivialidade dos anos mais acima do nosso. A sensação de ascensão e de responsabilidade de que iremos trabalhar quando sairmos dali. Formaram contra mim a relação mais estranha de todas. Nem sequer é bem um amor-ódio, é um interesse com alguma simpatia ocasional. E enquanto por um lado isso me aborrece imenso, porque é um dia-a-dia numa situação cansativa, por outro lado vejo o quanto eles estão a perder e eu a ganhar. Porque eu vou vencer, e eles vão continuar a brincar e a criticar aqueles que fazem o que eles deveriam fazer.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

circuito.

O teu coração bombeia para mim. Verte num ledo vagar, gota a gota, sobre o meu colo. Mas eu não vejo, não oiço, não sinto. Só te cheiro. Essa brisa transcendente que trazes todos os dias contigo. Que te caracteriza, que te identifica, que me faz amar-te. Não te oiço, porque à tempos que decidiste comer todas as palavras que havia entre nós. Foges-me num esgar de tempo, por uma distância mínima surpreendentemente difícil de alcançar. E não te vejo por isso. Estás tão longe mas tão perto que não tenho perícia suficiente para te avistar. Para focar esses olhos que já foram o baú do meu tesouro - o cofre dos meus mais profundos segredos. Não te sinto, porque no meu leito já só percorre frio e dúvida. Não te sinto nem aos raios quentes de sol, não te sinto mas desejo-o tal como Eneias desejou Vénus.

relógio com tempo.

O relógio badala as horas porque sim. Porque o tempo é o maior e único inimigo do ser humano. O único que ele não consegue vencer, derrotar, travar. Nem ele nem toda a bagagem pesada que trás consigo. E eu não uso relógios - não sei se por medo da imprevisibilidade que este tal tempo trás consigo ou, se pelo contrario, pelo medo dele passar por mim e não trazer rigorosamente nada. E o ambiguo de tudo isto é que dizemos sempre que o 'relógio dá horas', quando ele na verde só as tira de nós, sem dó nem sensibilidade ao perdão.

bad feelings.

Não, não ganhei o concurso de escrita criativa que falei aqui uma ou duas vezes. E sim, afectou-me. Não era a 'coisa mais importante da minha vida neste momento', mas era importante porque era uma maneira de eu ver se aquilo que escrevo é bom e se tem algum valor. E pelos vistos, nem por isso.