sábado, 11 de fevereiro de 2012

"o meu primeiro amor"

Há características dos primeiros amores que nunca se perdem. Não sei ao certo porquê, se o simples facto de ser o "primeiro" seja um patamar que aguente todo este peso de química e cumplicidade que o tempo não quebra. E é isto uma das grandes coisas que me apaixona no amor. É a sua imortalidade. É a capacidade do ser humano ter de se apaixonar de novo, fazer a sua vida e ser feliz, mas quando se reencontra com o seu amor mais antigo, há um quente entre seres que nunca arrefece. Eu acredito realmente nisto e na sua beleza. Há tão poucas coisas no mundo imortais, que devemos enriquecer a mais infinita delas. Não há grandeza de palavras que suporte o amor, o tema mais infindável e perfeito do mundo. Eu tento acompanha-lo, escrever sobre o melhor dele - seja isso tristezas ou a maior das felicidades. Porque por mais que magoe, por mais que doa e nos arranque as entranhas, há sempre algo de tão quente nele, tão maduro e educativo... Porque infeliz não é o que sofre por amor, mas sim aquele que nunca teve o privilégio de sofrer por ele.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

o mundo, um apelo.

Sabem... O problema não é defendermos aquilo em que acreditamos, mas sim quando defendemos algo baseado em opiniões e não em factos comprovados. Eu posso achar errado alguma coisa, como a violência nos animais, mas não deve ser por eu ver uma imagem na internet que me diz que certo sítio do corpo é menos ou mais nociva à dor, que eu vou acreditar. Tenho de me informar, por mim, com certezas. E é daí também que surge o problema de quando nos preocupamos com coisas que, não deixam de ser importantes, mas secundárias face às catástrofes que por aí andam. Claro que qualquer coisa é importante se acreditarmos nelas, mas não nos podemos focar de tal forma em algo que esquecemos tudo o resto. Catástrofe sim é a fome no mundo, são os números horríveis que há de mortes por dia, são as guerras, a miséria. Isto são problemas, problemas que cada um de nós os devia sentir e contribuir para o seu melhoramento. Acreditar que um dia, por mais longe que seja, tudo vai acabar e fomos nós que contribuímos para isso. Depois há a fundamental questão de que só se salva as pequenas coisas se salvaguardarmos o meio em que elas habitam. E aqui refiro-me ao ambiente. Refiro-me a fazerem a reciclagem, a procurarem a diminuição da emissão de poluição, a procura por energias renováveis para as vossas vidas. Porque vocês podem utilizar a internet para falar do canil que tem x cães para abate, mas se não cuidarem do planeta em que esses x cães vivem, e vocês, então qualquer dia não há um nem outro. Por isso é que eu acho que não devemos deixar de nos preocupar com nada, dar importância a tudo, mas nunca esquecer o mais nocivo. Que é o planeta e a fome. E era nisto que queria que muita gente pensasse um pouco. Pelo menos na minha vida, surgiu de repente um crescente número de pessoas que se preocupa excessivamente com o bem-estar dos animais. Gente que passou a ser vegetariano, a defender os direitos dos animais, a fazer apelos aos animais abandonados e juro que não acho isso mal. Tanto que eu também o faço (o apelo aos animais abandonados)! Mas como é que podem achar isso a coisa mais importante do mundo, quando está perante nós as alterações climáticas e fomos NÓS quem contribuiu para isso? Como é que podemos pensar noutras coisas quando já não temos outono e primavera como quando eramos crianças? Quando começa haver secas horríveis que nos tira a comida dos supermercados, quando já não há chuva? Com o buraco do ozono a crescer e nós continuamos a pagar balúrdios para tirar a carta de condução para podermos poluir ainda mais, continuamos sem fazer reciclagem e começamos a poupar na conta da eletricidade por estarmos em crise e não por sabermos que estamos a fazer mal ao mundo em que vivemos? E isto faz-me mesmo muita confusão. Mas sinceramente não tenho coragem para o dizer a quem devia, e a solução acabou por ser dizer aqui, na esperança de que alguém tivesse a mesma opinião que eu. O problema não é salvarmos os bichinhos, façam-no por amor de deus! Mas olhem a vossa volta, ao mundo onde vai viver esse bichinho que tanto defendem e digam-me se não há um caso bem mais urgente a tratar. Outra coisa que me amassa a alma é a falta de preocupação em geral que as pessoas têm quanto à fome no mundo. Parece que assumimos que isso é um facto e pronto, vai haver sempre. Mas se em vez de estarem a espalhar fotos de problemas menores fossem as compras para o Banco Alimentar ou para uma qualquer instituição que envie comida para Africa ou a Asia, faziam mil vezes melhor. Eu faço o que posso, porque meus amigos, o nível de pobreza extrema em Portugal está a crescer de uma forma que ninguém imagina... Pensem só um bocadinho nisto, obrigada.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

questions questions

Ultimamente escrevo menos. Não sei se por estar feliz, e como sempre que ando em fazes felizes escrevo menos; se pelo contrário acho que estou feliz e não falo daquilo que me atormenta. Acho que é um pouco das duas. Porque sim, estou feliz, e sim, não exteriorizo os meus tremores. A verdade é que há muita coisa que me preocupa, que me dificulta a respiração, que me domina o sono. Mas não o digo porque, como muitas outras pessoas, as vezes acho que senão as disser elas perdem importância - como senão soubesse perfeitamente que ao invés disso, tudo se torna mais forte. As vezes o meu problema é começar, e a quem contar tudo o que me corrói. Guardo tanto para mim que as vezes já nem sei o que fazer com tanta informação. É a guerra interior do precisar de soltar tudo isto e o querer o bem dos outros acima de tudo. E por isso ensopo, guardo, recolho, interiorizo, para que doa mais a mim do que aos outros. É uma decisão estupida. Mas depois olho para aqueles que não o fazem, e fico contente por alguém neste mundo tentar fazer sempre o melhor possível. E aí, todo este sufoco, volta a valer mas do que a pena. Porque prefiro ser assim, do que ao contrário.

sábado, 14 de janeiro de 2012

busca.

Cavei cada buraco necessário para me encontrar a mim mesma: olhei com precaução cada vez que atravessei a estrada da vida. Esperei sempre pelas luzes verdes, pelas passagens apropriadas. Não li em voz alta por ter medo que não gostassem de me ouvir e cantei apenas no duche quando estava sozinha em casa. Plantei uma arvore, adotei um cão, alimentei os sem-abrigo no natal e rezei todos os domingos pela minha alma e pela dos demais. Estudei muito, porque me educaram que só dessa forma eu seria alguém na vida. Eu contei pelos dedos das mãos os bons amigos e por uma as relações de amor e entrega. Precavi-me da fome, da crise, da vida esmagadora que poderia um dia, quem sabe, afundar o planeta. E no fim, nada disto evitou que me perdesse. Nada disto evitou a minha infelicidade interior, a minha agonia de noites sem dormir. Vivi segura a todos os níveis, ou pelo menos, aparentei viver segura. Mas, curiosamente, nem por um segundo o senti.

you, only you.

As penas que caíram da árvore contaram-me os teus segredos. Disseram-me, cheias de medo, toda a falta que te fiz ao longo destes anos. O quão a minha presença te teria salvado a vida desse triste rumo que levou. Que teria abafado os ventos que te entraram na mente e te embalaram para marés que me doem mais do que feridas. Eu escutei-as, como sempre escutei tudo o que vem de ti. E chorei. Chorei como choro sempre. Chorei e perguntei-me porque ainda o fazia sempre que o tema és tu. Mas sabes? No fundo não quero deixar nunca de deixar cair cada uma destas lagrimas, porque enquanto chorar por ti, significa que ainda há em mim algo de muito valioso de ti. Significa que ainda és memória dominante no meu ser, significa que, por mais que os anos passem te amo duma forma inigualável e arrebatadora. E amores destes nunca desaparecem. Estejamos na vida um do outro ou não.