quarta-feira, 15 de maio de 2013

vintage love.

Eu adoro paixonetas antigas; mentia se dissesse o contrário. Porque é impossível não se sentir nada, ser-se indiferente. Nós gostámos, adorámos e até amámos aquela pessoa. Seriamos loucos? Não, havia ali um certo sustento - um motivo. E eu continuo a gostar dos meus. Porque eu sou a mesma, sempre a mesma. Com os meus amores e desamores, com os meus hábitos insolentes e a minha veia fadista.
Ver as caras das pessoas que amámos ou julgámos amar, passados tantos anos, é sentir que aquela pessoa mesmo sem saber tem um pedaço de nós dentro dela. E eu tenho um pedaço de cada um deles em mim que não trocava por nada deste mundo.

A ti, meu amor de sempre, e a todos os outros pequenos e grandes passados que serão sempre meus também.

é.

Quando te conheci o peito mal sabia eu o longo caminho que estava a começar a percorrer. Doíam-me as pernas, e foi de tanto correr psicologicamente em ti - curioso. Eu sei cada linha tua, e pior é que agora já odeio isso: todo este meu conhecimento de ti, como se tu fosses eu própria. Como se nós fossemos um só, coisa que afinal nunca fomos. A vida é uma puta. É uma puta porque te tirou de mim. Raptou-me da tua cabeça, do teu coração e até te tirou a sede que tinhas pela minha carne. Eu preferia isso a este nada em que agora vivo. A vida é mesmo uma puta. E eu também.

terça-feira, 14 de maio de 2013

segredos

Eu sou tudo aquilo que tu não conheces. E nada descreve mais as nossas relações que este simples facto. Sabes o meu nome, a minha idade, onde moro e onde trabalho. Mas não sabes quem sou, por mais anos que passem, por mais tempo que estejamos juntos. Enquanto não souberes isto, nada sabes de mim afinal. Mas eu não to conto, tu que descubras, se realmente me conheces.
Algum dia alguém saberá? 

falta oxigénio.

Viver segundo aquilo que nós não somos deve ser das coisas mais dolorosas que conheço. Não mata mais que o amor, mas mói mais que tudo neste mundo. Seguir regras que não concordamos, conviver com pessoas com quem não nos identificamos, viver nesta bolha de ignorância e crítica permanente. Se alguma vez eu achei que este ia ser o meu plano actual, e que ia piorar de ano para ano, que quanto mais velha ficasse mais insuportável ficaria esta sina? Nunca. E não o desejava a ninguém. Claro que há sempre coisas piores - como tudo na vida - mas esta sensação é tão constante que começo a desconhecer qualquer outra.

sábado, 13 de abril de 2013

o amor, sempre o amor... e tu.

Um dia conseguirei falar de amor como se eu fosse a personificação dele. De tanto lhe ser devota, crente e sua seguidora-mor. Haverá pessoa no mundo que tenha amado e errado tanto quanto eu? Eu fiz destes amores a minha vida, o meu objectivo, a minha conquista pessoal. Eu sonhei com isto desde pequena pois sempre senti que o meu dia iria chegar. E agora tenho todos estes fantasmas atrás de mim, como se eu merecesse tal castigo. Conseguirei eu realmente algum dia seguir em frente sem me lembrar que posso olhar para trás? Serei eu um dia realmente completa, sem ti?
Tudo por causa da maldição que me lançaste. Iremos um dia morrer separados, mas a pensar um no outro?

a vida é uma procura sem fim.

Quero acreditar que o motivo que trás cada um de nós a este mundo, ou seja à vida, é a busca da pessoa com quem queremos um dia casar. É ou não bonita esta visão que tenho das coisas, mas se pensarmos a fundo, é realmente isto que nos ocupa a mente quando chegamos a determinada idade. Ninguém quer a eternidade sozinho. Queremos a pessoa certa do nosso lado - aquela que nos preenche e que nós temos, milagrosamente,  a feliz capacidade de a preenchemos a ela. Como sempre digo, há amores que são para sempre. E os que não são, não faz mal. A vida (e nós) encarregar-se-à de encontrar um novo pedaço de ying que preencha o nosso yang.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

verdades.

É curiosa a rapidez com que deixamos de parte o nosso romance para ler o romance dos outros.
E eu leio porque estou mais vazia do que algum dia estive. Tenho um medo incansável dentro de mim. Como se sentisse que nunca mais me vou adaptar a nenhum sitio no mundo, nem voltar a gostar de alguém ou até mesmo, eu própria, voltar a ser gente. Queria eu uma cova no soalho para me poder enfiar lá dentro e chorar para sempre este temor - este nódulo maligno que há em mim, que me queima e afunda na solidão.
Falta-me compreensão. Falta-me o alguém que diz "isso é normal", "eu sei o que isso é". No fundo, aquelas palavras que nos fazem sentir que, afinal, não somos assim tão distintos uns dos outros, já que o mundo é uma ervilha murcha.