sexta-feira, 18 de setembro de 2009

letters. VIII

Querido mar,
estou de corpo e alma entregues a ti. Esperançosa que me faças optar pelo certo desta vez. Há dias sonhei com esta minha antiga paixão, em plena luz da noite, após um olhar cúmplice trocado com um sabedor deste ilegal assunto. Contorci-me de vontade da sua presença ali. Naquele preciso e exacto minuto. Para que como dois rebeldes caçarmos um espaço inconsciente e sugestivo o suficiente para que ninguém nos visse satisfazer tais sentidos primitivos. As ondas adormecidas querem despertar e embater no rochedo de sempre. Quero guelras pregadas no meu pescoço para me refugiar no teu fundo, longe da agitação que causa a minha sede de agua doce neste extenso mar salgado.
quem sabe em perigo,
Mafalda

1 comentário:

N R disse...

Sim, por tudo o que tenho visto por aqui, parece-me que andamos. Há tantas rotas para remar, e parece que nem a uma bússola existe direito. Que fazer para o mar mostrar uma ilha? Espero que o mar te leve ao lugar que tanto anseias, e que ao chegar, encontres o que tanto mereces, tal como o sonhas.

Na parte que te toca, só tenho boas coisas a dizer. Consegues trazer o lado humano que faltam às palavras, e para isso usas muitas vezes o teu bom humor, as tuas metáforas subtis, os teus sentimentos. Quando te leio, vejo claramente que falas verdade, que és natural, quase como se conseguisse ver-te pelas escolhas de palavras que fazes, pelo ritmo que usas. Gosto de falar contigo.

(A teoria das praxes, de que quem não a faz não se integra, é muito engraçada. Não a fiz e integrei-me muito bem, melhor do que muitos que a fizeram. E, com tudo isso, ver as reacções dos outros também é muito bom, ver logo quem têm preconceitos.)