segunda-feira, 31 de maio de 2010

não aconteçe só aos outros.

E agora se tudo o que realmente te apaixona não existisse? E se a pessoa que amas não fosse real? Se fosse tudo um mero e psicotico plano muito bem elaborado e organizado. E tudo em que acreditas-te fosse uma mentira, a mais pura da teoria sem prática. E se o amigo com quem tanto falas fosse somente uma personagem, uma vida dupla daquilo que realmente é? Mentirias para manter as aparências? Ou reconhecerias a ingenuidade? Engolias o orgulho de teres sido enganado e falarias, ou fechavas-te só com medo que te julgassem?

domingo, 30 de maio de 2010

Ow! #8

primavera?

Há naturezas que não podem ser alteradas. Ou mesmo que se possa, não se consegue. Fala-se em destino, no karma, no previsto e no imprevisto. Talvez nos sejamos um pouco assim. Duas naturezas opostas, incompletas uma sem a outra mas impossíveis de alterar. Sofremos tantas modificações, e juntos só nos tornamos melhor. Separados somos o caos, os mais perigosos desastres naturais. As vezes tenho saudades de quando tudo era harmonia. Quando ambos cheirávamos a primavera e não estávamos podres como agora. Ainda me lembro das cores vivas que a nossa união nos fazia ter, e agora, vez mais para além do negro? O sol sempre apoiou, sempre contribui para a nossa biodiversidade. Mas esta noite quem nos acolhe é o crepúsculo, é a humidade caustica do anoitecer. Em dois campos tão longínquos e diferentes um do outro. Aqui não sinto a tua presença. Não sinto as vibrações dos teus palpitares. As tuas palavras febris, o teu abraço perfeito.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Origem do nosso mundo audaz

Este é o conto que escrevi para entregar à minha professora de Português, mas quero opiniões porque estou um bocado insegura!

"Ao início era tudo insípido. As cores eram pouco nítidas, as temperaturas amenas, as correntes marítimas docemente se moviam. As montanhas não eram nem muito altas nem muito baixas, a relva chegava a um determinado comprimento já não crescia mais. Não havia muita variedade de flores, e as que existiam nem sequer eram muito diferentes entre si. As pessoas eram reservadas, inseguras, mas extremamente estáveis. Não explodiam, não barafustavam, não enlouqueciam - mas também não riam alto ou cantavam com alegria. O sol não queimava no Verão tal como o frio não gelava no Inverno. Parecia sempre Primavera ou noite em inícios de Verão, com direito a toda a sua solidão natural. Os veículos, esses eram estacionados em linha recta, sem incomodar o próximo que viria ou riscar o que já lá permanecia antes. Os gatos não miavam, os cães pouco ou nada latiam e por sua vez mal se mexiam. Nunca havia atrasos, nunca aconteciam imprevistos, mortes súbitas ou nascimentos antecipados. Era tudo certo, como um relógio perfeito que nunca necessitava que lhe mudassem a pilha.
Havia palavras que as crianças aprendiam mas nunca usavam, como «saudade», «extremos» ou «loucura». Viver era como desenhar linhas rectas atrás de linhas rectas numa folha esbranquiçada, como do vazio ou da ignorância que prevalecia sem sequer se dar conta. Não existia realmente dor, não existia realmente a felicidade alucinatória, aquela capaz de nos fazer acreditar que não é possível nos sentirmos melhor.
Estava penetrado um certo medo, minucioso mas capaz. A terra transpirava-o e como desde sempre foi assim, as gerações não se apercebiam dele – não lutavam pela diferença. Os olhares eram serenos e cautelosos, os dedos esguios por vezes um pouco nervosos, havia em volta de cada ser humano uma aura estranha, como uma necessidade tresloucada de praticar sempre o correcto e o imparcial.
Era como se no fundo ninguém quisesse, ao recuar bem no tempo de vivência – essa viagem tão dolorosa e angustiante - se vir a arrepender de algo que outrora fizera. E para isso havia que largar as mentiras e as promessas. Meter álcool nas feridas que poderiam vir a doer, e fechar os olhos ás desilusões e decepções. Não havia desdém, armadilhas, humilhações ou vinganças. Todas as pedras que se atravessassem no caminho eram apanhadas para que nunca se tropeçasse – deixando assim de se olhar em frente como se deveria fazer sempre. Eram evitados os ciúmes, as vinganças, os sentimentos revolucionários, ódios e maus-olhados alheios. Afastavam-se dos palpitares sexuais, das paixões platónicas, dos amores impossíveis, da esperança sofredora e das ilusões fantasiosas. Recolhendo-se assim do bem e do mal, da alegria e da tristeza, da melancolia e da agitação. A sociedade impedia-se, no fundo, de saber o que era realmente uma vida, e conseguiam. As pessoas eram ocas e mesmo apercebendo-se disso, preferiam tal situação ao erro.
Até que, em centenas de anos de história, alguém nasceu antes da data prevista. E conforme crescia, mais diferente era de tudo o que estava em seu redor. Falava alto e dançava muito, corria com todas as suas forças e dormia mais que o habitual. Um dia errou. Um erro grave, mas com ele aprendeu. E por perceber que com o que se aprende nos tornamos mais ricos, mostrou-o ao mundo e é daí que provém este mundo louco e saudoso onde todos vivemos hoje."

domingo, 23 de maio de 2010

sábado, 22 de maio de 2010

lapsos.

Nunca me incomodou ver-me chorar. Agora magoa-me. Agora cada lágrima que vejo cair é uma facada bem junto ao coração. Ainda mais sendo tudo isto saudades, problemas mal resolvidos, e tantos tantos erros. Há memorias a mais - e quanto mais o tempo passa mais vivas elas ficam na minha cabeça. A clareza das situações que outrora as vi embaciadas, agora está tudo nítido e não há margem para enganos e confusões. E é por isso que choro. Por me lembrar de coisas que mais valia esquecer... Porque há sempre comparações, por mais esforço que haja, por mais que se finja que não elas existem, elas são feitas. E magoa tanto, mas tanto, ver este impasse, esta agonia nas minhas cordas vocais. Que tudo podia ser diferente, para melhor, para muito melhor...

Ow! #7

my life would suck without you

Acho que isto quis dizer que afinal ainda não me esqueces-te. Estás parado à minha porta e isso tem que ter algum significado. Voltas-te a falar bem comigo, e isso foi uma surpresa e tanto. Acho que isso significa que por ti voltamos atrás no tempo... Que retiras o que me disseste tão bruscamente. Que preferias qualquer uma, a mim. Que nunca voltarias, que ias desistir. Mas aqui estás tu, tão fantástico como sempre. E sabes porquê? Porque nós pertencemos um ao outro, e vamos sempre voltar a ficar juntos independentemente do que aconteça. Dos erros, do tempo, das diferenças, da distancia, dos azares. Não percebo porque é que ainda guerreias contra este facto. Tu tens metade de mim, e sinceramente, a minha vida seria uma porcaria sem ti. Sem essas jogadas impensáveis, sem essa cabeça que nunca descansa, sem esse coração que eu sei tão bem o ritmo a que bate à minha chegada. Por mais que o negues, que tentes mostrar que já não te interesso, que pensas noutras de noite que não em mim. É impossível resistir. É indiferente as mentiras, tu sabes que somos um do outro. Independentemente do espaço que outros também possam ocupar cá dentro do peito. Ele pode não ter batido por ti primeiro, mas nunca bateu tanto por ninguém como gritou amor por ti. Talvez eu tenha sido parva em te dizer adeus, talvez eu tenha sido parva em arranjar problemas entre nós e estragar tudo. Eu sei que deveria mudar por vezes, mas de qualquer das formas, eu descobri que não sou nada sem ti. Estar contigo as vezes parece estranho. Eu já não deveria sentir a tua falta, mas eu não o consigo evitar. Porque nós somos unicamente um do outro. E também porque a minha vida seria realmente uma porcaria sem ti.

16:55

...aqui, e em qualquer parte do mundo.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

bikini bikini

Ás vezes não sei se sou eu que sou muito liberal e as pessoas muito fechadas, ou se sou muito ingénua e as pessoas muito maldosas. As coisas realmente só têm um sentido malicioso se nós quisermos.

weekend weekend

São dez para as oito e está um tempo fantástico que só dá vontade de sair. E amanhã, bem, amanhã é praia.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

rios.

Ando numa maré de corda bamba. O chão treme-me debaixo dos pés. Ando com enjoos, e por vezes, a paciência esgota. Seca. Como um dia o Sado também secará. Por vezes incerta, sem rumo traçado no espaço. Assombra-me um suspiro de mudança, não sei se preciso dela ou se é a sua possível vinda que me angustia. Assusta. Como um monstro imaginário debaixo da cama. Tenho muito que fazer. Sinto que ninguém me entende realmente. Há falta de tempo. E quem o tem mais disponível é quem menos pode. Falta-me aquele abraço. Há dias que parecem noites, com toda a sua rebeldia e solidão. E nem falo de mim. O próprio Douro poderia-me saber a vinho. Há falhas. Há erros. Há abusos. Há más impressões. Há um cansaço tremendo. E a mão tremula desconhece o que é agarrar outra. Está muito calor e muito silêncio. O barulho faz-me dores de cabeça insuportáveis, o silêncio austero desconforta-me. Dou erros. Erros a mais para quem tanto escreve. Mas nunca sai as palavras certas. Quando forçosamente preciso de ideias elas não vertem. Não desaguam nesse mesmo Tejo de onde ás vezes me molham os pés sem eu querer. Preciso de uma ideia. Preciso de me sentir estável. Preciso de sentir que a cadeira onde me sento não quebra. Não parte nunca. Há dias que preferimos ser as vitimas. Há dias que só vemos encenações à nossa volta. Que é tudo muito falso e plástico. Arrepia. Cria-se um vácuo entre mim e essas situações. A transpiração é diferente. A comida transforma-se em farinha na minha boca. Há muita vergonha. Sente-se nas águas do Mondego. Pequenas desilusões. Agulhas finas que volta e meia penetram a carne. Não doí mas moí. Queria poder voar. Sair sem dizer onde vou. Ter coragem. A coragem que me pedes. Ainda que não saiba ao certo se é realmente isso o acertado. As palavras tocam sinfonias pelo Guadiana afora. Tal como os livros. Tal como os números. Tal como as ideias. Mas essas eu não as tenho. (...)

terça-feira, 18 de maio de 2010

rules rules

Ora vamos só fazer um ponto de situação: andar numa escola onde não se pode usar calções, mini-saias, chinelos, chapéus, óculos de sol, algo com decote e vestidos já é muito mau mas também, raros eram os formadores que se importavam realmente com essa regra. Mas dizerem-me que para o ano provavelmente vai ser obrigatório o uso de uniforme... É para cortar o pulso, no mínimo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

da autoria de Miguel Esteves Cardoso

"Quando se é feliz muito novo, a única obsessão que se tem é aguentar a coisa. Vive-se ansiosamente com a desconfiança, quase certeza de a coisa piorar. O pior é que as pessoas que se habituaram a serem felizes não sabem sofrer. Sofrem o triplo de quem já sofreu. (...) No amor é igual. Vive-se à espera dele e, quando finalmente se alcança, vive-se com medo de perdê-lo. E depois de perdê-lo, já não há mais nada para esperar. Continuar é como morrer. As pessoas haviam de encontrar o grande amor das suas vidas só quando fossem velhas. É sempre melhor viver antes da felicidade do que depois dela."

Ow! #6

sábado, 15 de maio de 2010

secrets

Hoje poderia ser o dia ideal para falar um pouco sobre mim. Olha em volta e vê todos estes meus inimigos, mal sabem eles que a minha dor não pode ser maior. Que nada do que façam me doará mais do que tudo aquilo de que eu tenho vindo a sofrer. Eu queria contar a toda a gente os meus segredos, porque eles são tudo aquilo que eu sou. Mas eu sei que no momento em que os contar irei expor todas as minhas fraquezas, todas as minhas fragilidades, iria-me dissolver em lágrimas, e sei também que ninguém após escuta-los com o coração seria o novamente mesmo. Porque isto já não é igual a quando somos crianças, em que o pai e a mãe resolvem os nossos problemas tão frágeis. Nos dizem que somos o mundo deles e que estaremos sempre em primeiro lugar, e o nosso coração descansa. Agora a historia é real, e eu sinto-me completamente perdida. Já não há mais ninguém capaz de cuidar de mim, de me proteger destes segredos todos atulhados no meu peito. Eu perdi a confiança e não sei se me vou aguentar sem ir mais uma vez abaixo. Então, tu que me ouves ou lês faz de tudo para me arrancar um sorriso. Eu sei que não é algo que se peça, mas eu suplico um momento de alegria. Porque mesmo quando eu sorrio, por detrás choro e sinto-me desamparada, sem uma única mão que me segure. E ao contrário do que possas pensar, que isto é somente um desabafo de um dia mau, esta angustia é realmente a banda sonora da minha vida.
Anne

quinta-feira, 13 de maio de 2010

de mão dada.

(...) Eu tento. Juro por tudo, e em nome desse deus que tanto respeitas inclusive, em como me esforço. Eu lutaria por ti até a última gota de suor, até ao ultimo gemido mutuo nosso. Eu cruzaria o mar para me tentar mudar, para que pormenores caracteristicos meus não pisassem o nosso envolver. Acredito realmente que não haveria nada que tu me pedisses que eu te responderia um imediato não, firme e decisivo. Quero (e preciso) muito que tudo corra bem. Os meus olhos não aguentam ver mais um barco a desapareçer no horizonte. (...)

16.

15.

14.

São os detalhes que me preenchem.

13.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

23:23

Há dias que mal te conheço, outros que descreveria cada detalhe teu com o maior dos pormenores como se tivesses nascido comigo. Há dias que a efervescente química parece embaciar, e noutros nenhuma palavra é nostálgica o suficiente para explicar a aura que nos envolve. Mas lembra-te que em todos esses dias te amo. Em todos estes divergentes dias eu quero mais que tudo que isto resulte, que cresça, que dê frutos, que seja a epifania da minha e da tua felicidade. Porque cada um destes dias são uma sequência de momentos altos e baixos que são, no fundo, o desenrolar da nossa história. Uma pequena vida dentro de duas, que há dias em que a sinto grandiosa o suficiente para dizer que já é uma só. Tão forte, poderosa e indestrutível, meu amor.

domingo, 9 de maio de 2010

a noite grita por mim.

A palavra razão ás vezes é dita em vão, esvoaça no ar quando gritada no auge da solidão de um pobre coração. É o mais puro instinto carnal, de sobrevivência, que por vezes soa tão banal, bem sei. Mas são tudo lembranças que perduram em mim, que lutam por um desejo final. Tu. Mesmo travando todas estas batalhas perdidas num mundo já tão sozinho e esquecido. Há muito tempo que oiço a noite gritar e chorar por mim. Ainda hoje sinto esta ausência de ti, e a noite sabe que tu já não estás aqui. E por isso procuro no vazio um sonho tão frio - o esquecimento - mesmo que o mais sombrio.

Ow! #5

2 meses para 15 coisas

1. Pintar o cabelo de ruivo de novo
2. Comprar um mp4 ou um ipod
3. Vender os meus óculos de sol do Verão passado e comprar uns novos
4. Começar a achar piada a sandálias
5. Ser mais organizada
6. Comprar a prenda de anos da minha irmã
7. Ter uma playlist minimamente completa
8. Instalar (urgentemente) o Office 2007
9. Inscrever-me para as aulas de condução
10. Furar outra vez as orelhas
11. Ir mais vezes com a mãe ás compras
12. Não chumbar a mais módulos até ao final do ano
13. Ler o livro da Nora Roberts que comprei no Natal
14. Fazer de uma vez por todas a lista da roupa que tenho de comprar
15. Parar de fazer feridas no lábio

sábado, 8 de maio de 2010

bom dia trabalho, sabes o que é um domingo?

Vou ter de escrever um conto para Português, produzir um anuncio de imprensa e um anuncio televisivo para Publicidade Criativa e transformar uma opinião minha numa opinião pública para Relações Públicas... está instalado o pânico. Suplica-se ideias para qualquer um dos trabalhos!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

23:24

«Tu és tudo o que eu sempre quis, tudo o que preciso.»

train.

O vento soprou baixinho, tanto que a minha respiração soava mais alto que a brisa das 6 horas da manhã. É fins de primavera e está frio de madrugada a ponto de eu apertar o casaco até ao ultimo botãozinho. O piso estava molhado, escorregava um pouco, tão pouco como o vento que mal soprava mas que mesmo assim não deixava de dar valor à sua presença. As minhas mãos tinham um cheiro estranho, cheiravam a tecidos, a filtros de enrolar, a humidade e a gel de banho. É uma estranha combinação, mas é-o, sem dúvida. Olhei de esgueira para o relógio mal tratado pendurado no telhado da estação de comboios. Faltavam 15 minutos para o meu comboio chegar e levar-me mais uma vez embora das minhas origens. Lembrei-me do que o meu avô me dizia em pequena: que aproveitasse bem a infância porque «quem vive são as crianças». Passaram-se 20 anos de vida, e ainda hoje não sei até que ponto o que ele dizia era errado e verdadeiro. Antigamente vinha para estes lados com ele, o pequeno parque infantil era mesmo atrás da estação e enquanto me empurrava o baloiço contávamos os comboios que passavam. Aprendi com ele a contar e a andar de baloiço. Talvez por isso o barulho dos comboios a que tantos incomoda a mim me reconforte. É como voltar a ouvi-lo. (...)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

quase perfeito

Sabe tão bem ter-te por perto. Sabe bem tudo o que te inclui, todas as certezas, ter a pessoa que realmente quero. Cheguei a achar que não chegava a altura de me deliciar, a altura divina de te abraçar. Quase acreditei que não concretizaria o meu desejo de ti, de ter a tua companhia. Não te vou dizer que me lembras o céu ou a lua, nem nada que se pareça, só me recordas tu próprio. Essa tua alma nua e única. E a imagem da minha boca na tua, eu confesso que não me sai da cabeça. Dizem que os beijos são quase perfeitos, que nos fazem sentir por vezes perdidos num rio sem leito, mas o teu atinge o meu auge ao menor esforço. E eu só espero que tenhamos o tempo a que temos direito, desde o dia em que a seta me bateu no peito e eu me senti capaz de cometer um crime como tu, mais que perfeito.

Ow! #4

há do verbo haver.

Há murros que doem. Há sonhos que ferem. Há papel que rasga. Há quedas que magoam. Há os joelhos esfolados, os lábios cortados, os encontrões raspados e os corações partidos. Há ainda as expressões do medo, as do pânico, as da agonia, as do fracasso, as do desespero e as da infelicidade. Há filmes que os olhos não conseguem ver. Há filmes que alguns olhos conseguem ver. Há filmes que só os teus olhos conseguem ver. Há empurrões traiçoeiros. Há investidas mal planeadas. Há vinganças conseguidas. Há barreiras nunca ultrapassadas. E há as línguas traiçoeiras, as macabras, as desavergonhadas, as intrometidas, as hipócritas, as mesquinhas. Há corações que batem e que porém deixaram de bater. Há a vida e há a morte. Há os quatro sentidos na rosa dos ventos. Há sete pecados mortais. Há mãos que não se alcançaram. Há pés que não se mexeram. Há ouvidos que não escutam. Há mentes que se desconhecem. Há os amores impossíveis, os fáceis e os difíceis.
Há historias que demoram anos a começar, e segundos a acabar.

terça-feira, 4 de maio de 2010

today

As vezes somos surpreendidos. Há pequenas surpresas diárias ou semanais, mais leves. E depois há aquelas do choque total, que de longe era a ultima coisa que nos passaria pela cabeça. Há anos que não me era arrebatada uma, até hoje. É difícil lidar com estas surpresas, ainda mais aquelas que têm um sabor um pouco desagradável. E depois há aquelas de gosto requintadíssimo, apelativas, extraordinárias. É dessas que tenho saudades. As que me enchem de orgulho.