quinta-feira, 30 de abril de 2009

lutas.

Rangi dentes com intensidade e teimosia, olhos fulminaram na bravura do vermelho e trevas, aguentei respirações o máximo de tempo possível e suguei tal atmosfera interior podre e dramaticamente problemática. Atravessei indestrutíveis braços firmes que impediam o passo seguinte, arrebentei com balões cheios de ar que serviam de rosto engraçado.



( «Ambiente de festa, muita multidão,
dançar noites inteiras e blue coracíon limão.»
Necessitadíssima de ouvir música em volume exorbitante
e deixar somente o corpo viver e a cabeça adormecer. )

quarta-feira, 29 de abril de 2009

segunda-feira, 27 de abril de 2009

eu, cinza cinzenta.

Nasci de um cinzeiro, formei-me de cinzas acinzentadas pigmentadas por pintinhas brancas de lascas dos vários restos partidos do cigarro-mãe. Usei a mistura arquitectónica da pedra com marfim africano do material do cinzeiro, como chão de pegar pé. Criei raízes e deixei que o uso e lavagem me fizessem crescer. Por vezes a tresandar a nicotina, outras a especiarias extra depositadas no conteúdo mor. Balançando-me ao sabor das brisas breves do respirar e suspirar dos de maior suporte, que embora estranho tenho-lhes certo respeito mas porventura também medo. Cresço porque me deixam, aprendo porque tento. Agora, pré-adulta, lembro-me do deslumbre natural de todo um meio de incógnitas e chuviscos de novas texturas e odores. Por vezes guerreando com o impasse da vida num cinzeiro, por ervas daninhas maldosas e cansativas no meu corpo minúsculo e farinhento, esquivando do lume do líder, que me queima e desfaz a ausência de coração. Um dia partirei para Oz, como no conto (...)

psst, volta.

Eu sabia que aquela noite teria de ser diferente de alguma forma. Não por escolha, mas por senti-lo debaixo da pele. Não era um acaso as músicas mais pesadas que ouvia não surtirem efeito nos olhos chorões, que as conversas com alguém se tenham alastrado até ontem, e de tal intensidade, e me feito pensar. E foram tais parágrafos que levaram a esta sensação... de que há alturas em que tem de se saber interiorizar os erros, e pedir desculpa. Ter noção de quantas, e quando magoamos quem mais gostamos. E foi o que fiz... de coração a saltar-me pela boca agarrei no telemóvel, lá para as duas da manha, e liguei a certa e indeterminada pessoa. Escutei um sim do outro lado, ensonado e curioso de uma chamada aquelas horas da madrugada. Fez-se silêncio, mas saiu-me por fim «desculpa, desculpa se por alguma vez te magoei ou te fiz mal.» e silêncio predominou novamente entre nós. Ouvia ao longe a respiração, agora bem desperta, e a comer as palavras todas que deviam ser exprimidas. Longos e angustiantes segundos, quiçá minutos, de olhos inquietos e suor nas mãos geladas. Desliguei. Desliguei? Ganho coragem e desligo? Oh se a estupidez mata-se...
Hoje procurei não me cruzar contigo, subimos as mesmas escadas mas fui a correr e nem olhei para ti. Ao fim da manha, foi inevitável. Agarraste-me por um braço e meteste-me aqueles olhos e expressão de 'o que é que faço contigo?'.
- que foi aquilo ontem?
- achei que tinha de o dizer...
- han, ok.
- eu gosto muito de ti, acredita.
- mas já mostras-te que há coisas mais importantes.
- nem sempre aquilo que demonstro é o que sinto. há coisas importantes sim, mas isso não faz com que não sejas uma delas.
- pois, também reparei nisso. mas olha, agora já foi.
Baixei a cabeça, sem sonoridade na voz ou no peito, queria abraçar e reconstruir a amizade maravilhosa que houve, e que agora é breve por ter provocado dor. Mas mantive-me quieta, como sempre. Como tu mesmo, encolhes-te os ombros e roçaste em mim ao ires embora.
- "Já vales-te cem". - lembrei-me - passado.

(so, i need you) - música.

«Se tu pudesses entrar na minha cabeça, diz-me, ainda me conhecerias?
Se tu acordasses na minha cama, diz-me... abraçavas-me? (...)
Oh não, eu não te posso deixar ir (...) porque tu sustentas o meu mundo,
Eu preciso de ti, da tua imitação da minha maneira de andar e da tua maneira perfeita de falar...
São apenas duas das mil coisas que adoro em ti.
Então, eu preciso de ti. (...)
E se eu pulasse da Ponte de Brooklyn, diz-me, tu seguias-me?
E se eu te enlouquecesse hoje, diz-me, tu irias amar-me amanha? Por favor...
Ou vais dizer que já não te importas?
E deixar-me aqui parada como uma tonta que se está afogar em desespero e a gritar (...)
'Eu estou sozinha' (...)»

sábado, 25 de abril de 2009

Dia 7 - pensar de sentimentos.

"Dura febre psicológica, bomba de desconforto como uma enxaqueca espumante partida de mal-feitores. Viera convencida de seus juízos e motivos, exigindo sentidas vénias à sua honrosa passagem. Usufruirá de quem bem lhe agradar, de mim ou dele, alternado, tanto te faz. Serás peso penetrante na carne de dois desgraçados. E ainda proporcionará problemas à consciência de certa feminidade (...) ausência de lágrimas. A fonte secou de tanta agua jorrar pelo estado dele (...)"

a (tal) t-shirt já não tem o teu cheiro ...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

D'um detalhe desafia...

"O meme do dicionário"
Este desafio partiu para mim pelas mãos do Rosa Caída, e faz-se desta forma:
Ir buscar o dicionário de Língua portuguesa, de olhos fechados abrir o dicionário em qualquer folha e ao abrir a primeira palavra que lhe saltou a vista, escreve na zona Imagens do Google e poste a primeira fotografia que surgir na página e a definição da tal palavra.

A minha palavra foi silêncio, e a imagem que apareceu foi esta:

Silêncio: estado de quem se abstém de falar, cessação de ruído, sossego.

Passo o desafio a: That love, Desabafos [!], Coração em demasia, Pedaçinhos de Coração e Melodias do coração.

Parceria.

Foste um gole de agua fresca na secura do meu dia. Haverá algo melhor que um abraço de saudade? Ai, e tantas que tinha tuas. Passaste-me de rompante á frente e nem me viste (desconfio que por motivos dos meus óculos de sol novos), e o meu coração sorriu. Segui-te ansiosa até entrares no pavilhão, e ao ver essa carinha marota olhar para mim só gritei o teu nome e abracei-te com a intensidade própria da saudade. Sei que vais para outra escola e isso é um furo neste coração a que também pertences. Largar-te finalmente e ver esses olhos castanhos esverdeados enormes aguados e a ficarem vermelhinhos do choro foi uma sensação única. Fazes-te de forte e parvo muitas vezes, como é normal na nossa idade, mas comigo é(s) diferente. Há cumplicidade e confiança, eu acredito realmente nisto. Recebi mil avisos sobre ti quando entras-te na porta da sala de aula pela primeira vez em Setembro, tenho amigos que não gostam de ti e que esperavam o mesmo de mim. Mas não foi assim, porque me deixas-te a vontade para termos uma amizade de sorrisos e amuos, piadas e lágrimas. "estás aqui, para ser feliz."

e cheira-me que saudade continuará a ser o sentimento principal dos próximos tempos...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

(untouched) - música.

«(...) agora és a única coisa que faz sentido para mim
Eu não ligo ao que eles dizem ou pensam, pois és o único que está no meu pensamento.
Eu nunca vou deixar que tu me deixes,
Eu vou tentar parar o tempo para sempre !
Nunca te quero ter de te ouvir dizeres-me adeus (...)
E eu quero-te tanto que não consigo resistir
Não é suficiente dizer que sinto a tua falta (...)
Preciso tanto de ti de alguma forma, eu não te consigo esquecer
Fiquei louca desde o momento em que te conheci.
Ver-te, respirar-te, eu quero ser-te.
Tu podes ter tempo para viver a tua vida da maneira que quiseres
Não tenhas medo de ver através da solidão (...)
Não penses no que é certo ou errado, pois no fim será apenas tu e eu
E ninguém estará aqui para responder a todas as perguntas que deixamos para trás.
Tu e eu fomos feitos um para o outro.
Então, mesmo que o mundo desabe hoje
Eu ainda estarei aqui para te levantar
E eu nunca te vou decepcionar (...)»

terça-feira, 21 de abril de 2009

pontapé.


(...)
- Ai sim? então quanto é que achas que vales para mim?
- Uns 0,5 praí.
- Na escala de quanto?
- De 0 a 100.
- Já valeste 100...
(...)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

posições de vida.

De olhos arregalados gritei por socorro. Que aquele senhor desconheçido que por um acaso passou a meu lado e me olhou de esgueira, a mim e ao rapaz ao meu lado, percebesse o meu desconforto explicito no profundo dos meus olhos castanhos. Mas não, o meu pânico era abundante mas não foi suficiente picante para fazer os olhos verteram rios de lágrimas incomodadas. Por isso mantive-me, de passo curto com aquela alma penada ao meu lado. Fantasma de olhos escuros sem expressão, coração transparente e pele a esbranquiçar. Conhecera-o em tempos perdidos na infância, e agora reencontrara-o. Já não era o mesmo, mas eu também não. Tornei-me alta e esguia, medrosa e insegura; ao contrario de nossas infâncias em que eu era o líder do grupinho de tanta coragem e valentia pulsante nas veias. Agora sentia-me traída e enganada, por mim e pelo mundo. Sonhara demais por este ser ao meu lado, mais que por qualquer morto-vivo neste mundo melancolico e sombrio. Quero fugir e deixar de me ver ao espelho, são muitos os sentimentos fracos para um interior tão velho e exterior tão jovem.

"- do que conheço dele, acredita que ele sofre bastante com esta sua decisão. Ainda mais ele, que sofre excessivamente e em silêncio..."

domingo, 19 de abril de 2009

sábado, 18 de abril de 2009

(não venhas outra vez) - música.

«(...) Já não sou capaz de acreditar.
Eu lembro-me do teu olhar, lembro-me de te amar!
Não quero relembrar as promessas já feitas.
Como olhar para trás se reviver o amor é morrer? (...)
Já não há as palavras que tu sabes bem que preciso de ouvir.
Já não há a esperança de recomeçar. Se queres fugir... não venhas outra vez dizer que me queres bem (...)
E como fui capaz de dizer "acredito"?
Vou-me lembrar mesmo assim do amor que sinto em mim, sabendo que este amor foi p'ra sempre desfeito. (...)
Olhar para ti, quando sei que só me resta sofrer... sofrer!»

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Dia 6 - ardor interno.

"(...) Porque este movimento in/temporário de instabilidade? Perguntas, perguntas. Porque duvidas se ele tanto necessita de maturidade! (...) Ai amargo arrependimento. Modificou tanto, finalizou um tudo e somente trouxe falsa liberdade, expectativas estranhas e colheres de magua."

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Dia 5 - impasse.

"(...) Semeei a semente envolvida em pigmentos de minhas frustrações, romances literários jogados no lixo, ambições fúteis e sem razão... e não floriu. Limitou-se a desabrochar apenas, e olhar-me repreensivamente de alto a baixo como quem exprime que amor velho ou novo, não surge nem desenvolve enquanto desaforos íntimos andarem bailando de ombro em ombro... mas de qual dos lados são os membros? (...)"

de volta aos comprimidos...

quarta-feira, 15 de abril de 2009

(wherever you will go) - música.

"Ultimamente tenho pensado quem ocupará o meu lugar quando eu partir...
Tu vais precisar de amor para iluminar as sombras do teu rosto.
Se uma grande onda cair, sobre nós todos, então entre a areia e a pedra conseguirás desenrascar-te sozinho?
Se eu pudesse, eu iria. Eu vou para onde quer que tu vás. (...)
E talvez descobrisse uma maneira de algum dia voltar, para cuidar de ti, para te guiar nos dias mais negros.
Se uma enorme onda cair, e cair sobre todos nós, eu espero que haja lá alguém que me possa trazer de volta para ti. (...)
Foge com o meu coração, foge com a minha esperança, foge com o meu amor. (...)
Se eu pudesse voltar atrás no tempo... Se eu pudesse fazer com que tu fosses meu. (...)
EU vou para onde TU fores."

nocturna.

Ás vezes preciso de dar romantismo ao meu quotidiano, tal como nas novelas, em que pode haver o auge da desgraça, mas os detalhes serão sempre elegantes e tentativas de aparentarem naturalidade e poetividade. De silencio raro instalado numa casa cheia , dirigi-me pacatamente á cozinha, descalça com a beringela do verniz das unhas dos pés a darem vistosidade aos comuns passos. Abri o armário mais alto, em pontinhas dos pés escolhi a caneca mais bonita. A preta com letras laranjas primavis que soletram «café». Pousei-a e contemplei-a. Por traquinice não lhe depositei café, mas sim leite. Aquele que bebo do pacote por pressa (pressa para quê?). Segurei-lhe de dedos firmes e compridos pelo corpo e base, não pela "asa", porque acho rústico. Bebi um pouco e olhei por segundos a televisão muda mas ligada «não, não me apetece.». E agilmente passei a caneca de uma mão para a outra, desligando a televisão com a livre e de seguida fechar a porta da divisão. Desliguei a luz do Hall e vi-me no meio da escuridão arrebatadora, bebi. Virei-me e percebi que afinal o acto do escuro era interrompido pela luz vinda da porta entre-aberta do meu quarto. Abri-a e senti-lhe o gosto. A luz cor de rosa junto á cama e o caminho até ela cheio de armadilhas espalhadas pelo chão e moveis. Não gosto de dizer que sou desarrumada, apenas tenho uma diferente forma de organização.
Por saltinhos e largas passadas alcancei o recanto da minha cama com a luz rosa que aquecia a área e a aparentava mais pequena. Sentei-me encostada ao almofadão que encaixava no espacinho entre a cama e a parede. De cabeça vazia voltei a observar a minha caneca meio cheia (ou meio vazia?) ... E reparei que tinha uma falha na zona lisa. «Lá se foi a mais bonita.» Não, não é correcto dizê-lo. Quebrando o desejo de esta noite não pensar em nada e dormir, caí na emboscada da sucessão de pensamentos «... Não me deitou fora quando percebeu que eu tinha um 'defeito'. Continuou a achar-me bonita, mais ainda, por ter esse defeito»; com a caneca pousada na mesinha-de-cabeceira quase a tocar-me no nariz, deslizei nos lençóis nocturnos.

Não durmo à dois dias, este sufoco está a matar-me...

terça-feira, 14 de abril de 2009

Dia 4 - generalidade.

"(...) Seria de se aguardar que mais cedo ou ao entardecer a fogueira selvagem inactiva se acendesse. Para que labaredas de perguntas atropeladas umas pelas outras saltassem em me queimassem as mãos. (...) Agora vejo que todo o embrulho é uma dura luta por interesses e teorias invejosas. Dois troféus que guerreiam um pelo outro, metendo desde inicio das batalhas apedrejadas que nenhum abriria mãos um do outro. Sabem os deuses se chegara algum dia o fim do terror, e alguém abra um pouco a mão que contem aquilo que a sede procura e finalmente reinar a paz no meu coração, e no dele."

estás mais bonito. ou talvez estejas igual, e seja apenas mel em meus olhos.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Dia 3 - vem.

"A madrugada veio silenciosa e despercebida. Como camaleão camuflado saí por essas horas de casa e fui à praia. Estava que nem deserto, limpa como se me pertencesse. Como ele pertence a esta praia interna de meu corpo. (...) Um tiro certeiro furou-me o peito de um lado ao outro quando já sentada perto do mar, ecoou no embater de uma onda «Aprende!». Era da cabeça sim, mas o simultâneo dos dois agentes fez parecer uma só acção. Desorientada deixei-me cair para trás expelindo a minha alma um «Ensina-me...», ensina-me porque o confundira com alguém. E embora aquela frase da música brasileira «quando a gente ama, a gente cuida», pensara que in/determinadas situações aguentasse uma certa ausência . Por saber como tesouro, que não é menos físico que leva a menos sentimento (...) Exausta e vestida, mergulhei na agua das fantasias em que ele é peixe de rio, onde pode correr dias seguidos, mas volta sempre ao ponto de partida."

Desculpa se de alguma maneira te exponho, mas é muito para 'digerir' ainda...

domingo, 12 de abril de 2009

Dia 2 - começo, de nenhum.

"Não ansiava qualquer resposta. Tanto que levada pelas sabedorias do coração naufrago em ilha sangrenta, assinei meu nome na ultima carta que lhe enviara. Partida do principio que sua memoria fardada tivesse limpo quais quer raspas de mim nela. Duas horas sentada, esperneando inseguranças, e andando em círculos na frente dos correios, e por fim a coragem foi achada. (...) Mesmo as palavras agrestes que tão bem compôs em resposta, me aqueceram o peito.
- Plo menos ainda se lembra.
E embalada pelas lágrimas miudinhas do canto do olho adormeci mais uma noite. Noite de um dia cheio de nadas."

sábado, 11 de abril de 2009

Dia 1 - percepção.

"(...) E foi aí que percebi que só ele estava 24 horas comigo. Que era o único na minha lista infindável que está á distancia de uma mensagem a qualquer hora alta da noite. Tivesse com/sem sono ou apenas não me fosse permitido dormir devido ao som estrondoso do ressonar da minha irmã. Apenas ele me daria uma palavra amigável quando e onde fosse, só ele, me escutaria com ouvidos de gente... Pelo menos fora assim que a historia ditara no ontem e no hoje. Mas questiono o sempre. Se entrara em cena nesta peça, e com isso, fazer o amanha."

sexta-feira, 3 de abril de 2009

1 + 1 = um.


"Hás-de sobreviver,
Pois apoio tu vais ter.
Os entraves nós vamos vencer.
Ao teu lado estarei, que orgulho sentirei.
E a força está em sermos um !"
cristiana (L')

quinta-feira, 2 de abril de 2009

teus olhos verdes fechados.

e se eu passa-se as três ultimas noites da semana acordado,
a ver-te dormir? só pelo prazer.
Prazer antefrio, calmante.

agarrar-te na mão morna de pele plástica
e ficar, somente, sem mais querer, a olhar para ti.
permitias, ou encaravas desejo este como tremenda ousadia
(como crias habito de achar que achas que é) ?

Já dizia a jovem da Internet, não és droga mas vicias.
e tenho curiosidade, também.
Os teus olhos verdes fecham-se? ou...
ou são pedras preciosas demasiado "isso mesmo"
para serem apagados da vista de terceiros?

são perguntas a mais? Lamento
é rotina, é farinha das que engorda dentro do meu pacote.
para as zero respostas que me oferendas, até pergunto pouco.
(e interiormente concordas)

ainda não tens sono? eu à dias que não durmo
e se o fizesse, sonhava que te via dormindo por três noites seguidas
... de olhos semiabertos
com o verde fundido no escuro absorvente.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

de Anita Costa.

"Sou louca sim, sofro do complexo de Peter Pan, sou pródiga e consumista! Mas posso porque tenho paixão! (...) Descobre o teu segredo, o que faz sentir bem todos os dias de manhã! (...) Porquê é que é tão condenável nós próprios acharmos-nos um máximo? Posso olhar-me ao espelho e achar-me linda mesmo que o resto do mundo me ache um monstro (que não acha)! Não, o melhor é achar-me um nojo e morrer de inveja de milhões de mulheres bonitas que existem no mundo. (...) Acho que estar-mos apaixonados por uma semana é das melhores coisas que nos podem acontecer (...) nunca vos aconteceu olharem para alguém e terem a sensação de que aquela pessoa merecia um papel na vossa vida nem que fosse por uma noite? (...) Apaixonem-se por alguém que esteja a meses de atravessar um oceano para seguir um sonho. Apaixonem-se por alguém pelo qual sabem que dentro de pouco tempo terão de abdicar (...) eu sei, não escolhe-mos, mas também quem ama não é razoável, não é nada! Para quê evitar? Viagem com a melhor amiga ou com a melhor irmã. Durmam num beco, ou nem durmam. Tenham os pés molhados, frio, mas uma enorme vontade de conhecer aquela cidade, seja qual for! Porque não sabemos quando será a próxima vez, não sabemos o que nos espera lá (...). Um dia vais ter que por uma mochila as costas e ser tu atravessar o oceano porque o facto de teres nascido aqui não quer dizer que este seja o teu lugar."

O preposito deste texto deve-se a, estranha ou não para quem lê, não deixa de ser uma filosofia de vida. E como tantas outras deve ser devidamente respeitada e aceite.

sou assim, e assim sou.

Lembro-me de uma vez, à uns anos, um amigo ter dito em termos de gozo a outro, à minha frente que a Mafalda é sempre a primeira a chorar, mas também a primeira a acabar. Na altura interpretei de todas as mil e uma formas possíveis negativas, olhei-o com desdém e certa desilusão repugnadora, tanto que, passados uns quase quatro anos desde esse dia, nunca mais me esqueci daquela frase de intenções tão ofensivas. Ontem decidi - decidi como quem decide algo que nos vem a cabeça sem pedir permissão de entrada - pensar sobre essa exacta frase e nas mil e uma interpretações más que me ocorreram aos anos atrás. E, enganei-me. É de facto uma realidade, se formos consoante o pensamento certo e não pelo seguimento básico de que a dita observação carregava a intenção de exprimir que rapidamente me meto deslavada em lágrimas, mas rapidamente meto fim à acção - o que leva ao subentendimento de serem então tais lágrimas as de "crocodilo" - e muitas vezes preferia que fossem, se são fingidas não furam tanto o órgão bombeador de sangue...
A descarga emocional é reflectida em mim dessa forma? sim. Por vezes fracas outras reais prantos alusivos dos dramas da época teatral grega. Ás vezes por pequenas e outras por grandes coisas. Provocadas maioritariamente pela sub-carga de conteúdo. Numa visão alegórica, use-mos a acção como processo continuo a (in)determinadas situações - reticências. A verdade é que por vezes certas reticências me embatem bem forte, e embora os processos longos que tantas vezes atingem, porventura virá algo bom ou mau, consoante a situação, que embaterá mais fundo. E aí morre. É feito o meu intimo funeral da dor e todos os sentimentos extra que o processo ganhou no seu decorrer, e passa praticamente. E aí sim admitirei a inicial frase como verdadeira, esquecendo apenas a rapidez. Porque essa continua a ser aliada da aura negra do incomodo desconforto da ausência de normalidade; numa vida.

de San Kenn.

"Passamos a amar não quando encontramos a pessoa perfeita,
mas quando aprendemos a ver perfeitamente uma pessoa imperfeita."
hun, soa-me familiar. @