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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

mundo ímpar.



E depois regressamos à ambiguidade das situações, e vemos que tudo muda. Tantas vezes para pior, algumas para melhor. É a impaciência uma virtude que não nos permite estar sem lutar, sem querer, sem desejar. É um novo olhar de soslaio aos defeitos e as qualidades, é o querer-mais-do-que-tudo sempre com demasiado coração e pouca cabeça. Se a cabeça um dia me cai, pego num barco e percorro o mundo. Tenho o coração em todo lado e em lado nenhum.

domingo, 22 de julho de 2012

O filme, que foi um livro.

Há mais de uma ano atrás quando me pediste para ver o filme "Dear John" porque era em parte um reflexo nosso, eu senti-me completamente dividida. Por um lado fugi desse teu conselho porque senti que, de alguma forma, me iria magoar a um nível pessoal e eu não precisava de sofrer mais; mas por outro lado achei-me superior a esse tipo de sentimentos - de me emocionar ao meter na pele de alguém de um simples filme. Então escolhi não o ver. Com o passar do tempo, quando comecei a ler muitos dos livros do Nicholas Sparks descobri que o Dear John, mais que um filme, foi primeiramente um livro. E eu, mulher das letras e das palavras, achei que aí já merecia toda a minha consideração. E agora vejo que fui arrogante. A verdade é que, passado todo este tempo, ontem comprei o livro, e hoje acabei de o ler. E só te posso dizer que o odiei... Porque não acabou como eu queria, porque chorei como choro em tantos livros que leio, mas desta vez chorei com uma mágoa muito mais interna que o costume. Detestei o final porque não acabou como eu queria, e isso só por si tem muito que se lhe diga. Porque para mim não houve um final feliz, e isso é tão irónico que nem tenho palavras. Exagerando um bocadinho nas palavras: é um pouco como se não gostasse da minha vida, e do meu futuro.
Ainda que me pudesse ter posto na pele do personagem que me competia, o meu coração não a escolheu a ela. Chamei-lhe nomes, desejei quase que ele se fosse embora, que "ele" a deixasse porque ela não o merecia. Não quero dizer que me vi um pouco ao espelho, porque isso seria demasiado, pois as coisas na realidade não são bem como nos livros. Mas senti que me podia odiar a mim própria novamente, como já me odiei tanto a muitos anos atrás quando tudo se fechou entre nós. Pude provar mais uma vez aquilo que talvez tenhas sentido, e doeu como antes. Ainda não sei dizer se estou arrependida ou não de ter lido o livro... Não deixo mesmo assim de sentir que floresceu em mim de novo aquela admiração que tinha por ti e pelo teu lado mais intelectual e psicológico. E de admitir que só tu, neste mundo inteiro, me aconselharias a ler a história de um livro como forma de compreender as coisas. Senti, mesmo passado todo este tempo, que me conhecias melhor que ninguém. E que embora agora as coisas sejam como são, se um dia voltássemos a ter uma relação - mesmo que de amizade - eu não tenho a mínima dúvida de que voltaríamos a ser o espelho um do outro. Seres tu o meu livro de instruções como eu sempre disse.
Independentemente do que sofri quando acabei de ler o livro, e de ter chorado e sentido estas emoções todas de novo, tenho de te agradecer porque chorar assim tem tanto de doce como de amargo - e lá no fundo, só eu sei o quão isso me faz sentir viva.

sábado, 21 de abril de 2012

O culto de Lisboa.

Desde pequena que tenho em mim o culto de Lisboa. E talvez tenham sido poucas as vezes que agradeci por toda a minha vida ter ouvido da minha familia uma das frases mais puras de sempre "a minha cidade, é a cidade é a mais bonita do mundo". Lisboa mais que um distrito é história, é cheiros, é passeios. Lisboa cheira a fado, a pedras da calçada, a comida e a poesia. Quero acreditar que cada um de nós tem este amor subterrado dentro de si. Quero acreditar que um dia as casas antigas de Lisboa não serão habitadas apenas pelos idosos que lá viveram desde que nasceram ou pelas pessoas com maiores posses mas sim por aqueles que contêm este amor pela sua terra. Haverá pessoas de todas as raças, de todos os estilos, de todos os gostos, mas serão todos movidos por um amor e um culto eterno bem mais poderoso que as suas diferenças, porque o que os unirá é amaram realmente Lisboa. Pisaram as mesmas pedras da calçada que Pessoa pisou e verão o Tejo onde Camões navegou, e sentiram um orgulho nisso que a terra não retira a ninguém. Ás vezes penso no quão os meus avós gostam desta cidade, e do quanto um dia me custará saber que eles nunca mais sonharam com o castelo, subiram Alfama e comeram pasteis de nata. E acho que é um facto a lamentar quando se perde alguém que amamos... O facto desta nunca viver lisboa. Amar Lisboa tanto quanto eu a amo. E se Lisboa me amar a mim também, deixar-me-a propagar este amor por todos os que me queirão ouvir.

sábado, 24 de março de 2012

imortalizar(-te).

Tatuarei o teu nome em qualquer parte do meu corpo, só para garantir que, pelo menos duma forma, nunca sairás de mim. Que ao olhar para aquela representação tua nunca deixe de chorar ou de sentir esta vontade de te amar loucamente e até ao fim. Mesmo no dia em que completar 90 anos - saber que foste tu o meu real amor. Viverei este amor insólito em pleno, mesmo que nunca mais faças parte da minha vida nem eu da tua.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

"o meu primeiro amor"

Há características dos primeiros amores que nunca se perdem. Não sei ao certo porquê, se o simples facto de ser o "primeiro" seja um patamar que aguente todo este peso de química e cumplicidade que o tempo não quebra. E é isto uma das grandes coisas que me apaixona no amor. É a sua imortalidade. É a capacidade do ser humano ter de se apaixonar de novo, fazer a sua vida e ser feliz, mas quando se reencontra com o seu amor mais antigo, há um quente entre seres que nunca arrefece. Eu acredito realmente nisto e na sua beleza. Há tão poucas coisas no mundo imortais, que devemos enriquecer a mais infinita delas. Não há grandeza de palavras que suporte o amor, o tema mais infindável e perfeito do mundo. Eu tento acompanha-lo, escrever sobre o melhor dele - seja isso tristezas ou a maior das felicidades. Porque por mais que magoe, por mais que doa e nos arranque as entranhas, há sempre algo de tão quente nele, tão maduro e educativo... Porque infeliz não é o que sofre por amor, mas sim aquele que nunca teve o privilégio de sofrer por ele.

sábado, 14 de janeiro de 2012

busca.

Cavei cada buraco necessário para me encontrar a mim mesma: olhei com precaução cada vez que atravessei a estrada da vida. Esperei sempre pelas luzes verdes, pelas passagens apropriadas. Não li em voz alta por ter medo que não gostassem de me ouvir e cantei apenas no duche quando estava sozinha em casa. Plantei uma arvore, adotei um cão, alimentei os sem-abrigo no natal e rezei todos os domingos pela minha alma e pela dos demais. Estudei muito, porque me educaram que só dessa forma eu seria alguém na vida. Eu contei pelos dedos das mãos os bons amigos e por uma as relações de amor e entrega. Precavi-me da fome, da crise, da vida esmagadora que poderia um dia, quem sabe, afundar o planeta. E no fim, nada disto evitou que me perdesse. Nada disto evitou a minha infelicidade interior, a minha agonia de noites sem dormir. Vivi segura a todos os níveis, ou pelo menos, aparentei viver segura. Mas, curiosamente, nem por um segundo o senti.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

ruga.

O relógio tilintou mais do que o normal hoje. Ele balançou de um lado para o outro, rápido e ágil, freneticamente quente. Esquentou a madeira que o envolve e define, derreteu o metal dos ponteiros. Coalhou a cor e manipulou o tempo. O tempo. Esse maldito inimigo da espécie. Tolo é aquele que o ama. Que o anseia, que o espera, sentado de olhos postos no nada. O tempo quebrou-me o amor. Tirou-me a avidez de viver porque, agora, sinto-me no final da recta. Estou só, quando em tempos me senti - ironicamente - cheia de gente. Com muitos afazeres - sem tempo. E agora sou só eu e este relógio que emigra comigo todos os dias. Que me lamenta as dores, a doença e a mágoa constante da perda. O tempo deu-me as maiores alegrias, mas também mas tirou de novo um dia. Levou-me o amor, a saúde, o trabalho, a ânsia de ser. Deixou-me aqui, assim, como se abandona um cão: com nó da garganta mas sem se olhar para trás.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

chegada?

Não estivemos contigo neste momento mais doloroso - é verdade. Mas verdade também é que, lá no fundo, nós já não sabemos estar contigo. Por mais que doa, por mais memórias conjuntas que tenhamos tido, a realidade é que já não nos conhecemos umas às outras. Tu foste, tal como Camões "para mares nunca antes navegados" e nós ficamos em porto, a ver-te afastares-te sem uma palavra de despedida. Mas também não fomos os teus velhos do Restelo. Nós calámos magoadas as nossas almas e não levantamos suposições quanto às tuas acções (ou talvez ao inicio o tenhamos feito um pouco - porque a verdade é que nos custou bastante perceber o porquê. Porque é que nos deixas-te, porquê a nós que sempre te demos tudo o que podíamos e o que não podíamos). Chorámos cada uma para si as suas lágrimas em Belém, com sentimentos revoltosos naquela Praia das Lágrimas que outrora foi história na vida de alguém - tal como tu. Porque nós éramos nós, e tu não eras mais um navegador português, tu eras o nosso Vasco da Gama. O barco não se afundou, porque também não deixámos que nos perdêssemos da mira. Lutámos contra o Adamastor e contra Baco e procurámos a nossa salva Ilha dos Amores. O sebastianismo ficou até ao dia, em que perdemos a fé. Dói tanto dizer, mas devias ter chegado mais cedo, com o nevoeiro.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

nó.

Não te percas de mim. Não te soltes dos sonhos, das esperanças, das verdades. Olha para o cimo de ti, olha e não revires os olhos. Vê o meu ventre destapado, calcado na parede das ilusões. Ama o teu país como um amor para a vida. Anseia a riqueza e a cultura como água no sangue dourado. Procura o melhor e pior de ti. Estabelece horas, dias, épocas para viveres. Acredita nos livros e nas pessoas. Aceita que a vida é só uma. Confia no teu coração quando ele te disser que só há um lar possível para ele. Eu.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

learn.

As ondas das memórias são as mais perigosas. São as que retêm as nossas acções, as que nos tornam cautelosos e desconfiados. O ensinamento nem sempre é positivo. Às vezes só atrapalha. Só nos tira a irreverência porque floresce o medo e a apreensão. Então não aprendam. Ou então tentem não errar e torçam sempre para que corra tudo bem, pelo melhor.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

relógio com tempo.

O relógio badala as horas porque sim. Porque o tempo é o maior e único inimigo do ser humano. O único que ele não consegue vencer, derrotar, travar. Nem ele nem toda a bagagem pesada que trás consigo. E eu não uso relógios - não sei se por medo da imprevisibilidade que este tal tempo trás consigo ou, se pelo contrario, pelo medo dele passar por mim e não trazer rigorosamente nada. E o ambiguo de tudo isto é que dizemos sempre que o 'relógio dá horas', quando ele na verde só as tira de nós, sem dó nem sensibilidade ao perdão.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

quarta-feira, 22 de junho de 2011

precious.

(...) E depois descubro que falas comigo como falas com qualquer outra mulher, ou até mesmo pessoa. Coisa que, independentemente do sofrimento, do tempo, da desilusão, da historia, da vida, das circunstancias, eu nunca consegui. Nem o quero, sabes. Porque tu hás-de ser sempre tu. Mesmo que a vida nos separe definitivamente, tu és... tudo. Foste em tempos um diamante em bruto que eu perdi, e quem te encontrou agora, já não vê isso. Nem mesmo eu. Mas mesmo assim, se há alguém de quem eu fale sempre a chorar é de ti. Pelas memorias, boas e más, e por o que és agora. E digo-o sem quaisquer criticas morais, porque és o que queres, e eu não sou ninguém para te apontar o dedo. Sou apenas a que vive das ilusões daquilo que foste, de tudo o que te fiz, e do que tu me fizeste também.

domingo, 19 de junho de 2011

caindo.

Eu não sou propriamente a melhor pessoa em palavras, então para ti, parece que elas evaporam subitamente sempre que abro a boca. Porque se houve pessoa que me desiludiu... foste tu. Tu que em tempos foste o meu mundo, o meu suporte, e agora dói só dos meus olhos tocarem nos teus. Não te entendo. Não entendo como consegue uma pessoa mudar tanto, e por alguém que não fazia parte das nossas vidas. Deixaste duas plantas a meio do crescimento e outra ainda quando estava a brotar. Secaram aos poucos, porque tu mal lhes ligavas, mal as alimentavas. Plantas que tu própria trouxeste o mundo. Pergunto-me porque é que plantaste estas três sementes, se não ias cuidar delas o tempo necessário? Precisávamos de ti para sempre. Mas como eras antes, antes de tudo, e não como és agora.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

sabe certo.

A vida tem as suas voltas. É redonda como o nosso planeta, tem vales como o teu coração e é plana como uma carta de despedida. Tem as mais variadas cores, das mortas às mais vivas, e os mais variados cheiros, do suave ao profundamente garrido. A vida fere-nos os olhos como as saudades duradouras. Viver atraiçoa-nos a cada esquina, mas também é a maior dádiva do homem, poder sentir e assistir precisamente a essas suas voltas.

por aqui, maus dias.

Eu não tenho problema com as criticas, o que me incomoda são elas em excesso. Quando surgem num curto espaço de tempo, vindas de todas as direcções, das pessoas mais e menos importantes - mas todas elas deixam feridas. Não por serem criticas, mas por serem muitas. Não por serem más, mas por serem desnecessárias. Não tenho feito nada a menos ou a mais para justificar tanta revolta, não tenho feito menos ou mais, para nestes dias tenham decidido todos criticar-me. Não sei se o que pretendem é apenas magoar, que é decerto o que muitos pretendem, ou se me chamar atenção para algo que é supostamente muito normal nas vossas mentes, mas na minha não. Mas de qualquer das formas, a única coisa que conseguem é que eu me feche e que, por consequência, aprenda a não precisar de vocês.

sábado, 11 de junho de 2011

00:06 - desabafo.

Ultimamente tenho medo de me perder. Medo de não ter onde me segurar no dia em que tu, por motivos da vida e não do coração, não estejas comigo. Mas aí lembro-me deste meu amor, desta cruz saborosa que carrego aos ombros todos os dias da minha a vida, que é a escrita. E isso sossega-me, porque enquanto espero por ti, terei sempre estas palavras para te escrever e que me ajudaram a sobreviver ao tempo sem maiores medos.

as provas de amor.

Ás vezes achamos que os problemas de coração ocorrem somente em épocas de juventude - mas achamos mal. A verdade é que o amor e as suas maleitas não têm idade, elas surgem em qualquer altura, independentemente da cor, da textura, do cheiro e do som. E nesse segmento surgem também as provas de amor. É provavelmente das matérias mais difíceis provar o amor que surtimos por outrem. Arranjar forças e formas físicas - ou não - de demonstrar, de garantir a alguém que o amamos e que precisamos muito, muito da sua presença.
Ás vezes não são só os problemas comuns que revertem para as separações. Quando nós próprios não estamos em nós, não nos sentimos capazes, fortes e humanos o suficiente para sequer existir, como é que havemos de ter forças para dispor amor e essas provas para com alguém? É por isso que digo que o primeiro amor tem de ser o amor-próprio. Há alturas da vida em que vemos das coisas mais bonitas, realistas e dolorosas de sempre sobre o amor. E é isso que tanto me apaixona e assusta nele. A sua imprevisibilidade, a sua rapidez fugaz, a sua dinâmica, intensidade e todas as partículas que o constituem e que nós não dominamos.
Ás vezes há que aceitar e saber esperar. Porque ao contrário do que defendia até agora, nem sempre quando se termina é motivo para nunca mais se voltar. Ás vezes precisamos de nós, de nos sentir de novo humanos e é exactamente aí que devem entrar as provas de amor da outra pessoa. Não quando estamos bem e felizes, mas sim quando estamos tão perdidos de nós mesmos que só através da visão daquele que amamos é que nos conseguimos encontrar de novo.