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sábado, 26 de junho de 2010

letters. XI

Querido mar,
não me castigues, ainda que bem o mereça. Nunca mais a minha trajétoria de vida voltou a ser salgada, abençoada pelas tuas águas envolventes. Mas hoje lembrei-me de ti, hoje lembrei-me todas as cartas que te escrevi. De todos os meus pedidos, conselhos, explicações, frustrações, alegrias e desamparos. De vez em quando navega em mim uma onda tua, cá dentro, junta ao coração e reaviva a memoria de este meu antigo amor. É curioso, o que algo que julguei tão forte em certa altura, agora me diz tão pouco. Não será assim o resto da vida? Ultimamente tenho pensado - não muito - mas ainda assim debatido sobre a ideia de contar a identidade deste amor que só tu, meu amado mar, soubes-te. Soa-me a segredo sem fundamento. Mas o medo de reacções malignas atormenta-me. Não foi uma relação legitima, não foi uma relação em que o mundo pôs os olhos. Só tu, eu e ele. Um pequeno segredo que ainda dura. E eu não sei se o cante aos búzios grandes, ou se o mantenha enterrado no teu areal.
em saudade e pequenas dúvidas,
Mafalda

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

letters. X

Querido mar,
tem havido maremotos momentâneos em mim. Curiosidades velhas e já vividas a esquentarem-me a maturidade - vontade de arriscar - tenho sentido falta da versatilidade dos descompromissos, do furor da liberdade que sob o teu cheiro a maresia vivi intensamente até não haver mais gotas no oceano. Quero de novo o risco do mundo cair a fermentar adrenalina como eram os meus dias. O meu tempo de paixoneta que no teu embale viril, me tornou sereia de sensações aventureiras e mais livres.
como peixe na agua,
Mafalda

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

letters. IX

Querido mar,
sei que faz tempo que não te vejo sequer. Que não falo, que não dou sequer sinal de vida. Sei também que é injusto somente recorrer a ti quando memorias me acompanham o passo no passeio oposto ao qual eu estou. Mas os sufocos deste tema são somente teus, para tu escutares. És quem sabe tão bem no teu próprio corrimento o quanto minhas lágrimas já foram sal nessa tua imensidão de agua limpa. À poucos dias vi-o. Acompanhado com mais uma alma que desconheço se sereia se piranha. Conheço apenas o que ver esta situação fez ás minhas ondas, tornou-as por segundos tão miúdas e agitadas, como quem tem um calafrio e tenta esconder a pele arrepiada por timidez. Não senti amor, não senti ciume ou inveja. Apenas desilusão, e certa pena. Não sei em concreto se me quereria ali; mas ver que aquele corpo magro e louro que caminhava com ele para sua casa, como se uma estrela-do-mar prostituta fosse (e ele sorrindo pela vitória de mais uma conquista) magoou os meus canais que ligam ao meu mar, a ti. É como um ciclo sem fim, sem um travão certo. Meu antigo amor agora é um só corpo, o meu inimigo reconheceu com quem trocava juras de amor e abandonou o seu navio. Ele quente, apurou o olfacto marinho de tubarão malandro e fez-se à caça. Feroz e confiante. Como eu o conheci, como as estrelas do mar em fila que leva para a cama de areia o conhecem. Sempre o mesmo, sem mascaras. E o incrível está que no final do somatório todas gostamos do seu fogo ardente.
em momento de nostalgia,
Mafalda

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

letters. VIII

Querido mar,
estou de corpo e alma entregues a ti. Esperançosa que me faças optar pelo certo desta vez. Há dias sonhei com esta minha antiga paixão, em plena luz da noite, após um olhar cúmplice trocado com um sabedor deste ilegal assunto. Contorci-me de vontade da sua presença ali. Naquele preciso e exacto minuto. Para que como dois rebeldes caçarmos um espaço inconsciente e sugestivo o suficiente para que ninguém nos visse satisfazer tais sentidos primitivos. As ondas adormecidas querem despertar e embater no rochedo de sempre. Quero guelras pregadas no meu pescoço para me refugiar no teu fundo, longe da agitação que causa a minha sede de agua doce neste extenso mar salgado.
quem sabe em perigo,
Mafalda

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

letters. VII

Querido mar,
não sei como te sentes mas prevejo uma tempestade agreste para este final de tarde. Ele voltará com ela.
(Ainda) não sei até que ponto estará disposto a intervir no sal que me cobre a pele, mas só o seu re-aparecimento destabilizou a minha atmosfera envolvente. Eu sabia que ele viria, no seu avontade natural. Como peixe a nadar dentro de agua até mim, procurar a sereia de quem o coração nunca parte. Sabe a estrela mais bonita que te cobre com a noite em como ele não se apercebe de meus sentimentos. Sinto-me vulnerável, saturada destas marés de peixe podre a dar à costa. Anseio por um tornado no teu centro, que se alonga-se até ao mais fundo local do oceano, e que ele fosse sugado para lá. Está apoderar-se de mim um sentimento de vingança insustentável - eu que nunca fui dessas coisas. Como num filme, como num mar revolto em dias de calor, ando abrir caminho com o inimigo, apenas para o pressionar. É cruel, mas não mais do quanto fui usada. Coloquei-me numa encruzilhada sem saída, nadei demais e agora estou sem forças para nadar de regresso... e é fundo demais para meter os pés no chão e correr.
ainda que sem barbatanas,
Mafalda

terça-feira, 28 de julho de 2009

letters. VI

Querido Mar,
é curioso em como com o tempo comecei a conseguir a ver a beleza do meu inimigo. Os meus primeiros olhares a tal ser-humano eram desdenhosos, lotados de vontade de matar e perguntava-me o que é que aquele alguém tinha que eu não tinha. Nunca a conheci. Não faço a mínima ideia de como ela é interiormente. Porque também não precisava. O que disputava com ela era estético. Tinha-mos sido abençoadas por amor a uma criatura viril que apenas se apaixona pelo que a sua boca, os olhos e o órgão sexual conseguem consumir. É rude falar assim. Mas, não é mentira. Ele próprio mo confessava. Ao meu inimigo não. Coitada. Ainda vive enganada. De olhos tão fechados como o céu negro das noites de tempestade no mar. O mar. Tu. O nosso amigo mar. A força que me davas para nunca desistir. Duas oportunidades. Dei-lhe duas oportunidades. E sei tão bem como dois e dois serem quatro em como ele me pedirá uma terceira, uma quarta e uma quinta. Mas por agora o inimigo e a insatisfação dele venceram. É confuso. O que sentia não era amor. Era paixão, loucura, fascíneo. Ninguém sabe o quanto eu o achava deslumbrante. Não o é assim tanto - diziam-me. Mas eu sempre tive gostos esquisitos. Mas nada disso importa. A química tempestuosa que sentíamos um pelo outro perdeu contra o amor que admito ser grande do inimigo e aquela sede dele de mais. Fui substituida, portanto. Por algo menos belo que eu e o inimigo, mas mais prazeroso. Dá-te suor e gemidos ao ouvido. E é disso que tu gostas. Espero que um dia mudes. Que te tornes homem de uma mulher só. Porque, verdade seja dita, mulheres que aceitam o que eu aceitei para ficar contigo não há assim tantas por aí. A quantas já mentis-te? Quantas vezes já trais-te e magoas-te quem não o merecia, apenas por algum tempo de diversão? Todos os dias, todas as semanas, meses e anos. E és tão pouco cuidadoso. Estávamos juntos em todo o lado, e tu despreocupado. Como se não fossemos ambos caras conhecidas destas bandas por onde nos movemos. Nunca te perceberei. Muito menos como é possível que essa tua maneira de ser me atraia tanto. O quanto me excitava o perigo de escândalo, da bomba rebentar e haver uma maré de nomes feios disparados, lágrimas e justificações a tanta mentira. És o maior criminoso que conheci na vida. E eu, foi de sorriso na cara e coração a palpitar, que ajudei e escutei todos os mais cruéis dos crimes. Os que perfuram sentimentos fortes. Os tais que difícilmente chegará o dia em que serás capaz de saber o que é. E sabes, ainda não fiz o meu luto pela seu abandono. Ainda não chorei a dor que sinto. Passava tanto tempo sem ele, a só receber amor quando o telemóvel tocava e me pedia desesperadamente que fosse ter com ele. Que agora não sinta a ausência. Foi sempre uma paixão ausente. Mas não me orgulho do que fiz, mas não me arrependo. Cresci com tudo isto e embora tudo, tu meu mar, e ele meu antigo amor, estiveram comigo numa das piores fases da minha vida. Não tenho vergonha de dizer ao mundo quem fui enquanto estive com ele. Porque no meu coração não havia maldade, apenas paixão quente. Fui contra as regras do certo e errado. Fui corajosa para alguns e alguém sem descaramento para outros. Embora o amor não seja justificação para nada, a verdade é que por vezes erramos por sermos levados pela música dele e pela esperança miúda de que pode mudar, para melhor.
saudosa,
Mafalda
"- tenho saudades tuas
- eu também. quando é que queres?"

sexta-feira, 3 de julho de 2009

letters. V

Querido mar,
é a primeira vez que te escrevo de seguida, sem aguardar a tua maresia entrar-me pela janela do quarto, pela manhã que tornas fresca. Mas, agora acho-me ridícula. Pelo simples facto de te ter pedido auxilio. Lutarmos contra amor? Não é no mínimo ridículo? Julguei ser no teu cobertor azul esverdeado o meu sucesso. O local ideal para deixar o meu pequeno barco navegar á deriva, e pescar quem me contemplasse. Não escolhi. Estas coisas não se escolhem. Vi-o nadar e aos seus olhares de esgueira, as palavras e melodias que lançava a cada salto temporário para dentro do meu barquinho. Quis eu muda-lo... Quis eu que tu, meu amado mar, me ajudasses a puxa-lo para bordo e fazê-lo mudar a ponto de perder o instinto selvagem de regressar sempre á agua. Á sua liberdade. Sou só um corpo de alma com restos de sonhos, ele uma lei da natureza. Á maneira dele, sempre esteve apaixonado. Fui eu só mais uma. Mais um crime. De livre vontade a minha. Ele tem as suas próprias regras, ou talvez ausência delas. É viver, "deixar fluir" como me dizia. Quantas foram as vezes que estive para mergulhar em ti? Me deixar ficar inerte no teu interior, com ele, sem fôlego mas cheia de carinho a sangrar dos lábios. Ele iludiu tanto... Ele desejou-me tanto. Como poderia eu voltar ao porto, se com ele me sentia como peixe na agua (?).
agora somente tua e de mais ninguém,
Mafalda
"- gosto tanto tanto tanto de ti, meu Deus!"

quinta-feira, 2 de julho de 2009

letters. IV

Querido mar,
dá-me forças para esquecer. Mergulha em mim, no meu coração enfeitiçado e apaga-lhe o recheio. Já não me importa as consequências. Não me importa que desaprenda o que aprendi. Só quero partir de um zero. Mata-me, e faz-me nascer de tuas gotas que salpicam ferozmente ao embater nos rochedos. Dá-me existência selvagem, fria e sem consciência. Tira-me o que tenho a mais. Por favor, suplico-te. Tens tanto poder, tanta imensidão... seca-me para sempre as dores e os amores. Mete a minha pele da temperatura que tens lá bem no teu fundo. Eu não quero mais nada.
E que me afunde em ti, se voltar a colocar os pés pelas mãos.
ainda tua,
Mafalda

quinta-feira, 18 de junho de 2009

letters. III

Querido mar,
hoje escrevo-te de coração nas mãos. Está a bombear tão bem, tão carinhosamente cheio. Obrigada. Meu amor chegou-me inteiro e com saudades do meu sabor. Ficamos de olho em ti, na tua reserva natural que acolheu Adão e Eva. E tu, não lhe tires o salgado de cima, os olhos dele ainda cobiçam sereias adjacentes e imortalizam a deusa, sabes, aquela melhor que eu. Mas não importa, desde que ele fique mais tempo no areal do que mergulhado em ti eu já choro de alegria.
Visitar-te-ei pessoalmente em breve, só o meu mar me cura a paralisia que os meus pés queimados agora carregam. Não me ralhes, por gostar comete-se loucuras. É tão bom amar leve.
sempre tua admiradora,
Mafalda

sexta-feira, 5 de junho de 2009

letters. II

Querido mar,
ainda não me trouxeste o meu amor. Ele ainda navega e embate nas tuas rochas e portos perdidos. Porto seguro é só o meu, queria que o percebesse, um dia. Tenho saudades - no mais puro sentido da expressão - e preciso de bebe-la com a sede que se tem por agua salgada após dias sem H2O. Ontem o telefone tocou, após semanas de angustia de esquecimento total. Disse-me o imenso que lhe faria falta numa noite destas, o meu coração usado e pisado bombeou ardor de novo. Estou a cair encosta abaixo, sem alma penosa ou tu mar, para me amparar a queda. Mas na onda de irresponsabilidade com que me molhas-te, agora só quero saber do meu amor e no dia em que ele vai regressar em força, de novo. Está a voar alto demais, na imensidão do teu companheiro céu. Dei-lhe asas, porque a esperança não morre nunca, e ainda acredito que mo trarás e ele me levará nas suas asas ao auge do céu.
Com todo o amor,
Mafalda

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Asas tuas.

Queres mesmo voar, não é? então toma as tuas asas e voa. eu ficarei mais uma vez à espera do teu regresso... dizem que o que é realmente nosso pode ter toda uma liberdade completa e que devemos deixar ir se suas vontades forem essas, porque se for realmente nosso, voltará sempre. Então voa agora, querido, e quem sabe ainda regressarás novamente mas com certezas dos teus sentimentos. Eu manter-me-ei aqui, a sonhar em segredo.

terça-feira, 26 de maio de 2009

letters. I

Querido mar,
hoje inicio com um pedido desamparado e de alma desesperadora. Trás-me o meu amor de volta. Enrolado nas tuas ondas de agua mornas devido ao sol colado como ponto amarelo no imenso céu. Ele está-me a escorregar por entre os dedos como agua cristalina tua, e eu não estou a conseguir mais agarra-lo. O meu coração inundou e morre lentamente afogado. Trás-me o meu oxigénio. Trás-mo com areia nos lábios para que eu limpe e o beijo nos saiba a sal. Começo a ficar com a pele escamada de tanto remexer em ti, à sua procura. Eu sinto a falta dele, não só fisicamente como dos seus sentimentos. Faz-lo querer-me tanto ou mais como eu o quero a ele. Dá-nos barbatanas e une-nos as mãos engelhadas para que fiquemos para sempre ligados. Acabariam as guerras, as traições e os segredos. O mundo precisa de saber qual os meus sentimentos. Não quero ter guelras que espoliem mentiras constantes como as que tenho de prenunciar para que o segredo-mor se mantenha. Tenho constantemente a cabeça a fabricar bolhinhas de sabão, já nada mais cá entra realmente durante aquelas fases largas em que o telefone não toca ou ele não me olha ao passar por mim. Penetra-lhe amor por mim e trás-lo à costa. Estarei sentada no areal, ansiosa, pelos seus olhos de mel a guerrearem por beleza com o teu imenso azul.
com amor,
Mafalda

segunda-feira, 25 de maio de 2009

dezassete dias.

Sou comida fácil. Sim, sou. Alimento plástico de acesso rápido. Talvez por isso estejas a enjoar, o menu é sempre o mesmo. Não há guerra, desafio, queres e tens. Não sou boa amante. Eu queria ser menos romântica e apaixonada. Talvez assim me escolhesses a mim definitivamente. E deixarias de parte essa busca diária de novo alimento, de novidade. Não sou suficientemente boa para ti. Eu sei, eu sei. Mas à uma parte de mim - do meu eu de sempre - que me diz que se te satisfaço por inteiro mandas a embalagem para o lixo. Outra vez. E desta vez, não a voltas a ir buscar. Então dou-te amostras, repetidas amostras, aquelas que começas a entender como o meu todo. Não quero avançar. Quero-te a ti primeiro, como minha propriedade fazendo parte do meu eu. Complico, e não devia. Porque assim vou-te perdendo, mas não quero chegar ao ponto total de uso. Estás a usar-me e eu a deixar, então compreende este meu limite, que é gostar de ti.

- mas tens medo que fuja?
- sim.
- não tenhas, eu não te deixo. mais motivos para medos teria eu
- porque?
- porque já te foste embora uma vez...
- desculpa.

terça-feira, 19 de maio de 2009

é real.

Há dias em que me apetece dançar em cima de ti, do teu peito definido e moreno. Pareço tão pequenina ao teu lado, és tão alto, tão lindo. Sinto-me uma irmã mais nova, sempre à procura do aconchego quente do irmão protector. É assim que leio o pensamento daqueles que nos vêm juntos, os desconhecidos, já que, para os outros somos amigos que por um acaso se cruzaram e fazem juntos um percurso recto para caminhos diferentes. Mal sabem, mal sonham tamanho segredo criminoso que é o nosso envolver. Sinto diferenças desde que expus um pouco deste meu gosto por ti, de quem realmente és e do que eu me tornei. Muitos mudaram de opinião sobre mim, fazer juízos de facto é-lhes mais forte que o sentimento que têm por mim. Não percebem o incontrolável, o saudável e o envolvente que é ter alguém da forma como eu te tenho a ti e ás novas sensações que este especium de relação me trás à camada externa da pele.
Talvez seja tudo parvoeiras minhas. Quem sabe no fim não darei razão aos julgadores dos meus pecados e admitirei perante o mundo que eu era quem estava errada? Talvez até, ele não seja quem eu realmente penso que seja... quem sabe? Mas por agora quero deixar o pincel continuar a desenhar a linha continua do nosso descoordenado passo, até um de nós meter o ponto do i na palavra que faz o Fim.

- deves gostar muito da minha orelha tu.
- não, eu em ti gosto de tudo.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

organizar.

Sabes, e desculpa a força das palavras, mas há coisas que tu já devias saber e eu nunca tenho coragem de te dizer. Estou a meter muitas coisas em risco, tudo por ti. Pelas gotas de felicidade que tu me dás. Mas não é isso que todos procuramos? Estou a estragar relações, a ter um sorriso idiota no rosto e lágrimas do não-sei-o-que-fazer, simultaneamente. Escuta... eu preciso que te decidas. Tu e eu. Temos de decidir posições de jogo, do contra-ataque e escrever reais discursos de vencedor se a batalha for ganha. Sabes, eu muitas vezes não sei como manobrar a minha espada para enfrentar os contratempos. Não podemos ter um tempo de cada vez? Limpo, feliz, nosso? Decide-te, pára de brincar - se for o que estás a fazer comigo. Que também eu me decidirei, a decisão certa se conseguir. Não prestas mas, que me caia o mundo em cima se não for de ti de quem eu gosto.

- deseja alguma coisa?
- sim, quero-te a ti se puder ser.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Folies.

Deslizas-te para a minha vida como agua. Escorres-te com rapidez, e fizeste poça nas minhas mãos juntas e desamparadas. Surgis-te da torneira mais imprevisível, e só funcionas-te nas piores situações e maus momentos. Curioso. Sais-te torneira fora sempre que mais precisava de um beijo e palavras picantemente doces. Contigo tenho vontade de ser sereia, sereia nessa tua infinita constituição aquática. E fazer como me disseste anteontem, fluir. Percorrer-te de cima a baixo, horas e dias perdidos útilmente a viver as sensações perfeitas que me fazes sentir e querer mostrar-te que também te consigo saciar a fome. És agua com fome, com apetite. De carne e de um semelhante a ti. Serei eu a tal? Abandona o peixinho bebé que remexe nas tuas águas e deixa-me mergulhar em ti. Mostrar-te que consigo ser melhor, e que juntos seremos um só elemento. Puro.

- não, não tenho nada combinado.
- é que queria ir contigo á praia.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

domingo, 10 de maio de 2009

Foi no dia 8, á uma e cinquenta da madrugada.

Era a noite. E foi a noite. O coração estava sempre impaciente, amargo, tremido e tristonho. Pensava que não vinhas, julgou que fosse uma noite sem ti, e ele tanto que precisava de ti nela. Era a noite. E foi a noite. O coração parou, quando os olhos leram a mensagem no telemóvel que virias, por mim e para mim. Fiz do álcool meu aliado, com o seu excesso, infantilmente para ganhar mais coragem para me tocares passados tantos meses. Era um tremendo impasse, ansiedade no olhar que era disfarçado pelo dançar do corpo sentado em cima da coluna da discoteca à tua espera, à tua procura ferozmente, como leoa ansiosa pela presa após dias a fios sem alimento. Queria essa tua carne, bem cerrada nos meus dentes. Era a noite. E foi a noite. De visão ligeiramente turva, de mãos a deixar de tremer de nervoso devido ao álcool a bater a sua auto-pulsação descoordenada e divertida, a tirar partido desta cabeça oca e deste corpo faminto. Como eu queria que fizesses comigo, só naquela noite, sem arrependimentos ou problemas de consciência. Olhando de esgueira vi-te, com o teu estilo bonequinho, lindo com os olhos cor de mel que nunca me deixas contemplar - por não seres capaz de me olhar nos olhos tempo suficiente para tal - e levada pelas bebidas já algumas e pelo amor, subi com duas amigas para o cimo das colunas que vibravam, não tanto como o meu corpo, de tamanha provocação que queria fazer-te assistir. E aí viste-me tu, e sorris-te ainda firme no teu lugar distante do meu. Queria-te meu cada vez mais, e fiz fermentar a mistura do ciume e do prazer, que te fez voar até mim. Arrancando-me dali, e ao encontro de rostos a união de duas bocas de encaixe perfeito. Joguei-me a mim mesma contra a parede negra atrás de mim, e dançamos encaixados noite fora. Contigo puxando pelo meu lado mais sexual, selvagem, prazeroso, sensualmente atrevido e deliciado perante tal ser vivo à minha frente. Era a noite. E foi a noite. Em que foste só meu e me prometes-te ser eu a única daquela noite longa que acabou cedo, por ter de ir embora. Despedi-me de ti, depois de todo aquele envolver de atracção no ar, como se aquela pudesse ser a ultima vez que estaria contigo e tu comigo. Não prestas, e eu ainda não aprendi a não gostar de ti.
- mas tu tens namorada.
- e agora é que te preocupas com isso?

sábado, 14 de março de 2009

coragem.

Eu sabia que seria mais uma desilusão. Mais um desapontamento para os meus amigos, conhecidos, inimigos e até desconhecidos. Sabia que seria um decepção para um dos meus melhores amigos que tanto me apoiou neste assunto, sabia que seria o atestado de óbito oficial ao meu ex-namorado que num canto desconfortável estava sentado, sabia que seria uma pontada no coração e no orgulho daquele rapaz que há dois anos tem um amor enorme por mim, sabia que seria uma sobremesa perfeita para a amiga da minha amiga que tanto me odeia - e assim sim, me poderia chamar puta como chama, mas com motivos. Sabia que segunda-feira, ao entrar no liceu, o murmúrio seria a banda sonora do inicio da semana e das semanas seguintes também (até o assunto pelo caminho morrer), que os olhos desdenhosos seriam triplicados e as opiniões indiferentes á minha pessoa se tornariam cruéis e precipitadas. Na minha turma seria metida de parte, e o meu colega de mesa que tanto lhe gosto e ele a mim reduziria - mesmo assim - as vezes a falar comigo, e as brincadeiras seriam cortadas. Sabia que uma amiga cuja moral é nula viria ter comigo perguntar o que foi aquele "teatro" todo, e afirmar aos meus olhos que «tu não és assim». Que uma certa namorada entraria em desespero, e que por uma vez ocasional me deu um sorriso, agora me "mataria" pelos seus olhos frios e enraivecidos de ódio e traição. Sabia que seria uma acção que ninguém esperava, e a consideração e admiração de alguns por mim desceria a pique nos seus pequenos gráficos sociais, sabia que o espaço ficaria em silêncio ao ver a cena e a música que não iria parar tornava-se muda aos ouvidos adormecidos para que o único sentido corporal importante fosse a visão; somente para contemplar a imagem. Eu sabia ... sabia porque é tudo um poço sem fundo de situações e pessoas á minha volta previsíveis, muitas que adoro incondicionalmente, mas previsíveis. Sabia tudo isto e muito mais, que estava a ser invejosa (?) até, mas fiz-lo. Arranquei-te do meio da multidão puxando-te pela mão suada de tanto dançares e parei ao aproximar das escadas míseras. Respirei fundo, e tu, que insistentemente me perguntavas o que é que eu ia fazer, calaste-te e só olhas-te para essas mesmas escadas. E juntos subimos para o palco, e exactamente no seu centro puxei-te para mim e beijei-te como á dolorosos meses não fazia. E com isto afirmei perante todos o meu maior segredo. Que estava apaixonada pelo rapaz comprometido com quem estive durante um mês e meio ás escondidas. Aquele que me usou, enganou e depois me mandou fora sem uma justificação na algibeira.
Porque ele pode ter-me feito um mal enorme, pode suportar de bom grado todos os defeitos possíveis e imaginários nos ombros... Mas a verdade está nua; o amor não escolhe ...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

mais, mais uma das vezes.

Será este declínio uma forma de te substituir - e estar perto de ti, todos os dias e minutos das poucas horas? Hoje vi-te, mais uma vez, só mais uma das tantas vezes que os meus olhos repreendem os teus e tu perduras no silêncio. Sei, sinto mesmo que ainda mexo contigo. Observo a tua expressão de constrangimento quando surjo no teu campo de visão, sentes que o coração rebentou e és inundado por sangue a ferver, que queima, que arde na ausência de feridas. Estás feliz, dizes estar, demonstras estar, sinto realmente que estás. Então porque é que esse sangue fervilhante te congela o olhar, lança firmes e pontiagudos estalactites ao meu corpo - aquele que em segredo, disseste a ti mesmo que percorrerias; pelo prazer, pela descoberta - pergunto-me eu.
És criminoso, fizeste de mim cúmplice. Decidis-te corrigir o "erro", sem te entregares. De cúmplice passei a vítima, e tu sempre como criminoso vencedor. onde está a parte, em que eu recebo os louros da ilegalidade cometida?