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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Tu.

Ontem apercebi-me que mesmo sem notar, me lembro de ti todos os dias. Isto porque a tua casa, ou antiga casa, faz parte do meu trajeto diário para a minha vida quotidiana. E espreito - muitas vezes involuntariamente - sempre naquela direção, de olhos colados ao vidro do autocarro, na esperança de te ver, mesmo que de longe, para ver como estás. Como és, no que te tornaste... Mas nunca te vejo. Sempre te foste embora? Tenho tentado entrar em contacto contigo, envio-te mensagens. Não as recebes? Ou apenas não lhes respondes? Não te consigo deixar em paz porque eu também, volta e meia, não me sinto em paz. E só quero saber como estás, se estás feliz, como tens andado. Pensa em mim como alguém com quem poderias ocasionalmente ter dois dedos de conversa. Recusavas isso a um estranho?
O meu numero é o mesmo. Por favor. E não me perguntes porque me preocupo e o porquê de precisar de saber se estás bem, eu só o sinto.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

- 7 Letter To Your Ex-boyfriend

D,Quantas cartas já te escrevi? Nestes três anos, quantas "cartas" trocámos? Quantas vezes nos despedimos, quantas vezes tu regressaste...? Quantas vezes o nosso coração quebrou precisamente por causa destas malditas cartas? Eu perdi-lhes a conta. São decerto infinitas. E esta, inevitavelmente, será apenas mais uma no meio dessas tantas. Não é esta a primeira, nem será a última. Porque escrever para ti é instintivo. Como os animais nascem a saber procurar alimento, eu muitas vezes sinto que nasci a ter de escrever para ti. "Ter" talvez seja um mau verbo, porque não é uma obrigação, e, infelizmente com o tempo, deixou também de ser uma vontade. É sim uma necessidade. Daquelas que se controla, mal, mas com o tempo se aprende a controlar. E o quão inevitável é ao falar de ti, não falar também no tempo. Nesse inimigo nosso, que nos arrastou tanto neste mar negro de correntes descontroladas. O tempo não é amigo de grupos. Ele somente auxilia os individuais. Pessoa por pessoa. E as pessoas é que se ajudam entre si. E talvez tenha sido isso que nós não conseguimos fazer. Aprendemos muita coisa, mas não fomos capazes de trocar esses ensinamentos. De abdicar deles, ou diria até, dar o braço a torcer e lutar por um amor que valia pena. E valia, até essa altura, mais que qualquer amor à face da terra.
É no entanto estranho escrever-te assim, tão directamente e sem meias palavras - se é que me entendes. Habituei-me aos disfarces, à ocultação de informação aos outros para ao máximo me tentar dedicar a ti. E sei bem que nesta parte já tu não acreditas. Tal como sei o quanto contrariado e magoado me estás a ler. A fome voraz que tens de não querer estar a ler isto. Mas mesmo assim não o deixas de fazer, porque tal como é uma necessidade minha escrever para ou sobre ti, também é uma necessidade tua ler-me. Palavra por palavra, muitas vezes mais que uma vez. Foste tu que me acentuaste esta minúcia pelas palavras. A querer elabora-las e a meter-lhes o drama, o exagero. Brincar com elas afogando-as em sangue. É uma característica tua, daquelas que qualquer um repara, e que para uns é estranho e para outros do mais dócil que há. Eu apaixonei-me pelas tuas palavras. Pela verdade delas até a uns tempos. Mas disso doem-te os ouvidos de tanto eu te obrigar a me escutares, e eu não o quero mais. De nada serve, e em toda a minha vida, se houve coisa que eu desejei mais do que tudo, era nunca te magoar. Falhei, redondamente. A minha maior falha provavelmente. Porque quanto mais o desejei evitar, mais o fiz, mais grossa foi a agulha que te enfiei na pele. Mas esta agulha era, literalmente, um pau de dois bicos. E quanto mais te penetrava, igualmente ou até mais eu sofria. Mais do que metade de mim, tu eras a minha vida. Disse-te coisas que nunca disse a ninguém, que ainda hoje não disse. Ás vezes custa, porque a vida ás vezes é assim, mas há significados que quero guardar só para nós. Mas não to prometo. Porque sabemos muito bem o quão difíceis são as promessas de cumprir. Eu meti-as na categoria de coisas impossíveis. E duvido que algum dia as tire de lá.
Tenho tanta e tão pouca coisa para te dizer. Porque se formos a ver bem... O que é que eu já não te disse? O que é que nos falta dizer um ao outro? Para ti nada, porque tens o coração a transbordar de raiva, de uma amargura tão dura que me quebra o coração. A última vez que falamos não foi das melhores, trocamos mais destas cartas, sinceras mas afiadas. E tu isso não perdoas. Não perdoas a dor que sentes. Nunca perdoas-te. Vinda de mim ou desse teu passado.
Mas queria que acima de tudo, mais que qualquer coisa neste momento, que tu estivesses a ler esta carta com o coração. Com aquele que eu conheci. Com aquele que eu amei e que tanto orgulho me deu. Eu nunca tive orgulho em ninguém a não ser em ti. É daqueles sentimentos dificílimos de eu sentir. Quem me conhece sabê-lo. E tu ainda me conheces. Ainda que o negues, que o recuses, tu conheces cada linha daquilo que sou. Por mais mascaras que eu eventualmente tenha vestido, por mais desvios da verdade pura, tu eras o meu manual de instruções.
O que me descansa também, é saber que a probabilidade de alguém ler isto para além de nós os dois é mínima. Ninguém lê textos grandes. Só os que vêm nos livros. Não é que tenha vergonha de ti, de me expor assim. Eu contava a nossa história ao mundo se ele a quisesse ouvir. Aprende-se tanta coisa ao escutar, também foste tu me ensinaste isto. Ainda que, julgo agora, tu já não tenhas os mesmos ideais. Mudas-te de filosofias, de ideias. Mudas-te. Mas não tudo, eu sei. E acredita nisso. Que de longe me és um estranho.
Eu sabia que ia chorar ao escrever para ti, porque há anos que o ritual é o mesmo. É uma dor tremenda que embate no meu peito, se o teu nome vem ou vai. É comum, é pequenino, mas é teu. E eu não conheço ninguém igual a ti. Para o bem ou para o mal, tu és único. Mas não és perfeito como eu julgava, tens defeitos. Mas todos os temos. Só não os descobri na altura certa. Descobri sim um amor arrebatador, que ainda hoje permanece. Sem lume que o esquente, mas aceso, como ditou em poemas Camões.
cansada de despedidas,
Mafalda

terça-feira, 6 de julho de 2010

open mind.

As asas batem no tecto. Já não há espaço. Já não há um céu infinito a alcançar. Há sim um pequeno espaço completamente preenchido. Não sei o que fazer com estas asas. Se as cortar para continuar a caber cá dentro ou sair da minha caixa e deixa-las crescer ainda mais. Sei somente que foste tu que as fizeste brotar, e agradeço-te do fundo no (meu/teu) coração.

segunda-feira, 22 de março de 2010

you killed me.

"Take a gun, and count to 3
I'm sweating now, moving slow
No time to think, my turn to go...
And you can see my heart beating
You can see it through my chest
And I'm terrified but I'm not leaving
I know that I must pass this test
So just pull the trigger."

quinta-feira, 11 de março de 2010

dia d

E dentro de poucas horas o dia torna-se só teu. Não penses que me esqueci do que disseste, que o dia te seria ainda pior se tivesses sinal de mim. Mas ao longo da nossa história ambos sabemos bem que eu pouco ou nada fiz daquilo que tu me foste pedindo. Está-me no sangue, no código genético de tudo aquilo que mais puro sinto por ti. É amor. Um amor diferente e invulgar, mas é autêntico, profundo e insaciável este amor. Nunca mais me esqueci da imagem dos teus olhos fixos em mim, da ultima vez que nos vimos. As vezes assusta, outras - poucas - reconforta. Já não são meus, já não brilham por mim. São rigorosos, um turbilhão de emoções entre a esperança e a raiva revolucionária. Queria muito que crescesses. Talvez não seja o termo certo, e sei também que te magoa ler tudo isto, mas de momento não me ocorre melhor. Queria muito que tomasses consciência de que as coisas não são tão negras como tu as queres ver. Acredita piedosamente que há sempre uma luz, por mais mínima que seja, no túnel. E tu vais ter de ser de uma vez um homenzinho e agarra-la com todas as tuas forças e ser feliz. Nunca percas o que de melhor tens em ti, eu conheci cada uma das tuas infindáveis virtudes. E ninguém sonha o orgulho enorme que tenho em ti por isso. As vezes gostava de culpar o destino por aquilo que nos aconteceu, mas não seria justo, sei bem que foram as minhas acções que levaram a todo este desmoronar. Só nunca suspeitei que seria tão sangrento e destrutivo. Em tempos foste o meu maior abrigo, agora és a minha dor. Mas embora tudo, por favor, nunca esqueças que o que julgamos infinito o é mesmo. É mesmo para sempre.
Parabéns.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

búzio.

Sinto muitas vezes o teu mundo nas palmas das minhas mãos. Espero ansiosa que deus transforme meus braços em pratos de balança justa.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Lost in you

«Porque ainda vives dentro de mim e mesmo estando separados, acredita que serás sempre a mulher da minha vida.»
Eu julguei sinceramente que tu já não fosses mais capaz de me surpreender, de me apedrejar o coração positivamente e me deixar sem reacção. Só lágrimas - mas essas por ti já não é preciso esforço para caírem, elas estão sempre à espreita da próxima vez que me resgatas as memorias e o peito para descaírem. Orgulha-me as fragrâncias que ainda residem em ti de um perfeito coração, de um bom homem. Esta historia cada vez é mais difícil de guardar na estante. Eu não consigo tirar(-te) da minha mesinha de cabeceira.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

missing

Tu tens muita sorte, sinceramente acho que tens. Passas o dia contigo próprio, sabes lá o que é sentir a tua falta... O que é ter saudades tuas. O que é começar com um ponto final bem escuro na folha clara. Ainda vou trepar o teu prédio com as minhas teias de aranha lilases e reconstruir a teia maior.

domingo, 27 de dezembro de 2009

me&u

E tudo isto perde sentido quando fujo das minhas próprias iniciativas. Acções tomadas de cabeça fria e coração quente. Eu nunca quis que isto levasse este rumo, nunca desejei esta direcção, nunca pensei que não tivesse força suficiente para alcançar o travão enquanto tudo descia descontrolado ravina abaixo. Não imaginei que o início da minha liberdade, fosse o final da tua. E curioso é que por isso mesmo, também a minha se tornou limitada. Cheguei a não saber sequer o que ela era. Lamento também não ser tão capaz de enfrentar e preferir o silêncio quando me são exigidos dialectos. Eu achava realmente que nem todos os ciclos tinham de ter um fim. Eu achava que este nunca acabaria. Eu achava que ia ser para sempre. Mas não foi, e acho que por estas alturas não é culpar alguém que realmente importa, é perdoar. Pegar na agulha fina com linha transparente e cozer os rasgões e feridas abertas. É travar as memórias más que surgem importunamente. Haverá força para isso? Não gosto das situações «sim ou não». Eu acabo sempre por não escolher nenhuma e ir embora, fico somente a perder, mas ao menos não tive que escolher entre a felicidade e a miséria. Nunca direi Adeus, nunca direi Olá. Espero sempre por um Até já. O tempo navega tão veloz que o futuro é já amanhã. Não vale a pena dizer-mos que mais tarde se discute certo assunto, se esse mais tarde chega mais rápido que a noite aos corações. Eu nunca quis nada disto. Odeio com todas as minhas forças esta situação, este desamparo comum. E ainda mais odeio a escolha que tenho de ter. Porque é injusta. Mas reconheço que não é só para mim que o é. Tenho evitado divagar sobre tudo isto, sobre o tempo que passou que pareceu décadas. É difícil chegar e admitir por alto a situação penosa em que estamos. Ainda te lembras do meu cheiro? Eu já esqueci o teu. E não o queria, porque não quero lembrar só o pior que vi de ti, que recebi de ti. Nada se compara ao melhor que recebi na vida, mas a verdade é que cada vez é mais difícil lembrar. Só choro, só desamparo e muitas, muitas escolhas. Sabes tão bem quanto eu que o nosso tempo acabou. Que por mais que custe, e que eu saiba que não sou feliz sem ti, seria um erro arriscar. Não acredito que fossemos capaz, por mais sentimento que exista. Amar só não basta. Mas para o bem e para o mal, guarda para ti somente uma coisa: eu irei sempre buscar-te. Mesmo que me agridas, mesmo que me berres, que me insultes, eu atravessarei o mundo para te puxar para mim. Um dia, quando me perdoar a mim mesma e esquecer tudo. E com sorte, também tu me desculparás as escolhas erradas que tomei. Até logo

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

i lost you(?)

Eu travei tantas batalhas apenas com um trapo sujo vestido e uma pequena faca na mão. Se foste o lenço branco que esvoaçou decidido no céu trazendo-me paz, porque me fazes sentir agora que esse lenço está mais sujo que o que me reveste o corpo, e me obrigas a guerrear contra ti? só quero tréguas.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

i don't understand.

Nem sempre percebo estes nossos tremores - os motivos concretos pelo qual o chão abana forte e vai rachando tão depressa. Não sei se sou eu, se o epicentro é bem aqui no mar, na mais funda escuridão oceânica. Ou se és tu, no espesso da tua relva, planalto que quase alcança o céu. E desse pico me vês, cada passo em falso, cada indecisão. Desse pico lacrimejas por estares tão agarrado a esse céu que já foi o nosso limite. Comigo aqui longe, tão no fundo mas ainda assim o azul mais brilhante reveste-me os olhos e as escamas. Não sinto o sol e a lua que no teu topo pousam á muito tempo. Por vezes sinto saudades de sentir o teu aconchego térmico e das folhas a avermelharem-me o coração.

sábado, 12 de dezembro de 2009

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

detalhes da tua ausência. XIII

«não escrevo para me lamentar nem para que me venhas buscar outra vez. não sei, é mais como um último desabafo... disseste que te pisei muito, que te mal tratei, que te magoei (compreendo isso tudo). o facto de teres sido a única faz de ti perfeita, diferente - ainda faz - quem é imperfeito aqui sou eu. as pessoas conseguem sê-lo para quem lhes é importante, tu foste. quero que vivas com isso. de que mesmo que eu morra, tu conseguiste fazer-me feliz. algo que nunca ninguém conseguiu. agradeço-te mesmo por isso. não digo que a culpa não é tua do estado em que estou, custa-me dizê-lo, mas és. se eu estou a morrer é porque ainda precisava de ti ao meu lado, da forma que te tinha. se não o consegui aceitar foi porque não era a altura certa de o fazer. mas não me arrependo de nada, de te ter amado e de ter sido teu namorado e teu amigo. não foste uma desilusão, apenas foste como todas as pessoas e não conseguiste ajudar-me nesta situação. mesmo que eu te tenha conseguido tirar desse pesadelo em que vivias... não foste capaz de fazer o mesmo. mas não é culpa tua, ninguém consegue. também sou muito especial. faço coisas que ninguém faz. amar-te é bom, ainda o é. mas tal como amamos as pessoas mais importantes também sofremos mais com elas. foste aquilo de mais valioso que eu tive, e és a minha queda. não te sintas mal por isso, alias, foi por isso que escrevi isto: para que saibas que se eu morrer, não morrerei com pena de mim. apenas vou morrer com pena de não te poder ver crescer. é só isso que te quero dizer. desculpa por tudo o que te fiz passar, desculpa por não ser forte e por não ter sido a pessoa que querias que fosse... não deixes que o que eu fiz por ti ir em vão, sê feliz. eu já o fui e sei que é o melhor que alguém pode ter. e não te dês ao trabalho de pôr em causa se ainda te amo ou não, enquanto me mantiver afastado, sabes bem que sim.» Dez/08

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

que renova e repete, repete e renova

És como um circulo. Sem inicio nem fim. Um ciclo que somente repete e repete. Não sendo isso mau. É bom até. É uma montanha-russa em que me sentei - nem no inicio nem no fim - mas sim no seu exacto centro para que lá fique sempre, mesmo que por vezes obrigue o ciclo a fazer uma pausa, nunca vou deixar que entre em coma, muito menos que deixemos de ser um só ritual.

domingo, 22 de novembro de 2009

que perfeito coração.

Que insana se torne o meu nome do meio, que nada me incomodará. Já que o que me torna louca é esta fixação por ti, é a culpa diabólica de te querer feliz. É o ardor da crueldade que por vezes vitaminas nas tuas palavras e as lanças a mim como flechas, e mesmo assim te admiro e me orgulho de ti. É a percepção lastimável de não conseguir prenunciar o teu nome sem de seguida chorar esta magoa guardada no peito, que bolsa em querer sair livre gritando ao vento que a esperança nunca morre.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

tiros.

Era abraçar-te no meu colo como se fosses meu filho. Era olhar-te com estes olhos a quem deste cor, sem parar, só amar e amar. Era ensaiar contigo coreografias de aprendizagem física, debates furtivos sobre nossos tenros pensares. Era um aglomerado de cores riscadas no meu sorriso, era saudades transpiradas de quando tudo corria bem e estava descansa nos segundos em que não sabia de ti. Agora é a agonia tresloucada de não saber teu estado e paradeiro. Saber se ainda respiras ou se inerte já cais-te no chão. Se arrastas os pés a andar, se consegues levantar as pernas sequer. Se hoje sorris-te ou te ris-te, se choras-te ou destruis-ter algo. ás vezes até, se sabes o que é alimento sequer. Tudo conta, tudo se resolve quiçá um dia destes. Não largues a merda da mão outra vez

sábado, 14 de novembro de 2009

private

O fraquejo das pernas sentiu-se. Eu não aguento mais as tuas investidas. O meu coração não tolera mais pedras jogadas a ele, vai desfazer e eu preciso dele para me manter viva. Porque falando em morte, tens-me matado tu todos os dias, pela ausência que lacrimejo, pelas discussões que originas por independentemente de qualquer coisa te defender perante o mundo. E tu fazes o obséquio de provar que não o mereces. Mas, merda, gosto de ti. Amor antigo irredutível. Assusta-me os ataques que preparas, as mentiras, as palavras fortes como me dizeres que te enojo, que a minha existência é desnecessária.
Assombra-me também a velocidade a que mudas-te. A que te tornas-te um desconhecido para mim, e eu continuei sempre a mesma. Problema era que talvez nunca me tenhas conhecido mesmo bem, como sempre o afirmei e tu juravas exagero meu. Provei-to. Sou ainda melhor do que sonhavas. Lamento que não queiras comprova-lo. Sempre te dei tudo. Gritar-to-ia aos ouvidos se realmente me soubesses ouvir. Soubeste-o sempre melhor que qualquer ser humano no mundo. Até o tal dia. Até a tal época que o mar embateu ameaçador nas rochas. Julguei-te mais maduro - confesso que sim - achei-te homem e nunca menino. Errei aí. Tens aura vingativa, tal que julguei desde sempre indigna de ti. Isso magoou. Não a usares contra mim, mas saber sequer que a tens. Eras um mestre para mim, um ídolo a seguir... Porquê este jogo? Porquê este filme lunático e impensável? Queria tanto que descesses à terra. Que me tocasses na pele e percebesses o quão ridículo é tudo isto, que nos está a fazer doer tanto. Não me arrependo de ti. De teres sido a minha vida e de eu ter despertado o melhor de ti à luz do dia. Imaginei uma vida contigo. Não um romance para sempre - sabes bem que não acredito neles - mas um caso mundial de impossível separação sentimental e física um do outro.
Queria falar contigo... Mas não sei que te diga, sinceramente. A última acusação que me fizeste foi de mau gosto, crueldade pura de jogo sujo. E ainda por cima, em parte, mentirosa. Nunca pensei ter medo de ti. Mas verdade é que já não me sinto segura em relação a ti, já não és o mesmo, e eu não consigo lidar com ausência de boa educação, e mais que tudo isto, do coração verdadeiro que já foi meu.
E sabes, a única coisa que me impede de morrer feliz, é esta tua ausêcia. É saber que morrerei sem nunca ter voltado a estar bem contigo.
"- Já nem mereçes sequer fazer parte do meu passado."