sábado, 7 de dezembro de 2013

chão armadilhado.

E se o nosso amor não for o suficiente para mudar hábitos do nosso parceiro? E se nós, apenas em certas situações, mas bastante especificas e importantes, não formos suficientemente importantes para essa pessoa?
Porque é que todo este amor abundante que carrego no peito não chega? Porque é que quando amamos tudo se transforma em medo?

Eu sempre tive o coração cheio. Sempre gostei com muita facilidade, e quando amei, das poucas vezes, foi tão forte que havia momentos que até respirar doía. Quando amamos vem o medo da solidão, da perda, da efemeridade, das diferenças... Mas vem também a ansiedade da presença, do amor, da entrega, da descoberta dum mundo paralelo que os amantes esconderam a sete chaves dos comuns mortais. Adão e Eva amaram-se mesmo sendo a única opção um do outro: mesmo que Eva fosse vegetariana e Adão toureiro, mesmo que Eva fosse fumadora e Adão tivesse cancro nos pulmões.

Talvez tu, que não costumas ser o meu tu, mas talvez não percebas que se te perco quem fica sozinha sou EU. Não és tu que vais ficar sozinho neste mundo-cão, não és tu que te vais perder a ti próprio. Ou se perderes, não te doará um décimo do que me dói a mim. Chama-me negativa e invejosa, não me importo, porque tenho o coração cheio, e quer queiras quer não, isto é uma responsabilidade tua.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

o dar e o receber.

É o amor dos outros que nos consome, viril e espesso como sangue derramado... E nem sempre é isso justo ou uma coisa boa. A vida ensinou-me, da forma mais difícil, que viver com o amor do outro é uma responsabilidade demasiado grande - um crucifixo que carregamos às costas para todo o lado, a vida inteira. E que, quer queiramos quer não, somos responsáveis pelo bom e o mau que isso acarreta. Porque é a nossa língua que engrossa quando dizemos o que magoa esse amor, as nossas mãos que se contorcem com os gestos errados mas é o coração do outro que rebenta em mil gotas de oceano.
Apaixonarmos-nos é fácil, e eu que achava que amar também o era, descobri que para alguns não é tanto assim. Nós achamos que sabemos o que é o amor, até começarmos a ler os romances dos livros. E é aí que tudo se confunde, porque aquilo que achávamos impossível de ser mais profundo, afinal nem a meio gás vai. Afinal até que ponto é que não se consegue amar mais? Onde está a linha tenuemente fina que separa o amor-sufoco do amor-saudável? Quão cheio está o nosso coração quando se começa a perder a sede um do outro?

Mas é também o amor do outro por nós, uma dádiva que até hoje ainda não consegui medir a grandiosidade. Um presente daqueles impagáveis, uma honra da qual nós nem nos apercebemos que com esse amor, é-nos entregue uma parte da pessoa que ela nunca mais vai recuperar. E por isso quão ingratos somos nós ao estragarmos esse amor? Quanto de nós é egoísmo e quanto é medo dessa responsabilidade...?
É impossível dizer o quanto anseio que o universo seja justo, e nos dê outras novas vidas e encarnações para podermos amar mais e saber cuidar ainda melhor dos corações que nos são entregues. Eu falhei nesta, e isso é algo que nunca mais se recupera. Cuidem bem dos vossos amores, não vá o universo ser mesmo injusto e só nos dar uma vida.

Estás feliz com quem possui o teu coração?

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Praia não é sexy.

Na praia ninguém é sexy. Principalmente nós, as moças. Pois nós podemos ir com o melhor dos vestidos ou até com aquele chapéu maravilhoso, que quando chega a dita hora de apanhar sol tudo muda de figura. Porque lá estámos nós: descabeladas, sem um acessório ou maquiagem que nos salve o (pequeno) outfit. Até os oculos que nos tapam as olheiras da noite anterior temos de os tirar para não ficarmos com duas bolas gigantes em volta dos olhos por causa do sol. E há ainda o famoso baixar das alças do bikini, para evitar as marcas quando começamos a ficar bronzeadas, mas que apenas resulta num peito ligeiramente, ou muito, descaido - mas sempre descaido, nada a fazer. Enquanto isto a nossa pele ainda brilha, não glamorosamente como nas capas de revistas, mas como se tivessemos sido mergulhadas numa piscina de banha - e aí a areia cola-se-nos às pernas, às mãos, à embalagem de protetor solar, enfim...
Depois, há ainda, como se nada disto bastasse, a ida à água. Com as conxinhas da beira a furar-nos os calcanhares, que nos fazem andar todas tortas, ou a rebentação das ondas que nos mete areia em TODO o lado (sim, exactamente aí, e muita). Mas a custo nós lá entramos, e chocalhamos nas ondas ficando ainda mais descabeladas, ou nadamos graciosamente quanto levamos com os salpicos do miúdo irritante ao nosso lado e, consequentemente, nos entope os ouvidos. Aí saimos da água, numa tentativa de andar sexy, mas na verdade vamos aos saltos porcausa das conxinhas que nos furam os pés e com sorte com uma mama de fora, porque nos esqueçemos de puxar as malditas alças do bikini para cima.
Pois, na praia ninguém é sexy.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

as minhas letras

Algum dia vais sair do meu coração? 
Um dia escreverei um livro só a pensar em ti. Só preciso de voltar acreditar em mim. E aí, deitarei tudo cá para fora - o que me magoa todos estes anos - e farei com que todos sintam que os seus sentimentos não são únicos, que o amor é uma longitudinal imensa que começou em ti e acaba em mim.

domingo, 21 de julho de 2013

coração batedor.

As descidas térmicas aparafusaram-me a pele. Pregaram-me violentamente como Deus foi pregado à cruz em prol de todos nós. Por vezes lamento que a dor não se meça aos copos de farinha - seria tudo mais fácil de lidar. De ver qual o maior sofredor deste mundo. Qual é o coração mais magoado. 
Por vezes sinto que esse tal coração deverá ser o meu, de tantas dentadas que lhe deste, de tantas vezes que eu o apertei para ver se ele parava de me enganar desta maneira.
Não penso no coração humano como um órgão, mas sim como um pequeno poço de tudo que cada um estima da melhor forma que sabe. E embora cada um lhe dê o uso que quer, eles são todos iguais. E todos deveríamos pensar assim.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

oh este fado.

Comeste-me as palavras. Ou então fui eu que as esgotei: as cuspi para um frasco e enterrei bem no fundo do oceano. Agora sou muda, com o coração vazio e as mãos gretadas de tanto te tentar agarrar. O que é da melancolia que ouvia na minha cabeça? Que me fazia chorar e sorrir ao mesmo tempo, que me apodrecia o coração de tanto amar...Será este o meu destino? Esta sensação de vazio mesmo quando sei que o fundinho do meu coração vai estar sempre cheio? Nós estaremos sempre juntos - mesmo que seja só dentro do meu peito, eu não me importo.

segunda-feira, 3 de junho de 2013